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1º dia de NRF aponta: menos robôs, mais IA na gestão. Veja a análise de Fábio Queiróz

11/01/2026 • Atualizado pela ultima vez 1 Dia

Atualidades
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O primeiro dia da NRF 2026, maior evento global do varejo, deixa claro que o setor entrou definitivamente em uma nova fase, marcada pela consolidação da inteligência artificial, pela integração entre os ambientes físico e digital e pela evolução dos modelos de negócio. Realizado em Nova York, o evento reúne mais de 40 mil participantes, com a presença de cerca de 5 mil marcas e empresas de mais de 100 países, além de centenas de expositores apresentando produtos, tecnologias e soluções voltadas ao varejo do presente e do futuro.

A agenda do domingo, 11 de janeiro, reuniu alguns dos principais líderes globais de tecnologia, varejo e bens de consumo, com sessões especialmente estratégicas para o varejo supermercadista e para a indústria FMCG. Entre os principais tópicos discutidos, estiveram a experiência do cliente omnichannel, a integração da inteligência artificial e de tecnologias emergentes, eficiência operacional, novos modelos de negócio, liderança e cultura organizacional, retenção de talentos, experiência humana, sustentabilidade, logística reversa e o uso avançado de métricas e dados.

Para Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ, a programação do primeiro dia traduz com precisão o momento vivido pelo setor. “A NRF 2026 começa mostrando que o varejo, especialmente o supermercadista, entrou de vez em uma nova fase. Não se trata mais de testar inovação, mas de usar tecnologia, especialmente a inteligência artificial - principalmente para a gestão! A IA é uma grande aliada para ganhar eficiência, proteger margens e melhorar a experiência do consumidor de forma concreta”, afirma.

“Nossas expectativas estavam corretas. A inteligência artificial domina a pauta, o que é natural, mas agora ela passa a gerar resultado direto no negócio. Vivemos uma terceira onda — podemos chamar assim — que é a dos agentes de inteligência artificial. No ano passado, isso era muito discutido, ainda como novidade. Agora, esses agentes já estão trabalhando para o varejista, agregando diretamente à linha final de resultado. Essa é a discussão central. São tecnologias menos voltadas a robôs e mais aplicadas à gestão e ao back office. Essa é a grande história do momento. Os humanoides começam a ganhar força, mas isso ainda não é para agora.”

Abertura define o tom: eficiência, experiência e novos formatos

A abertura oficial, com Bob Eddy, CEO do BJ’s Wholesale Club, e Ed Stack, chairman da DICK’S Sporting Goods, estabeleceu os grandes eixos do evento: eficiência operacional, formatos híbridos e o papel da experiência física como diferencial competitivo.

O destaque para modelos de clube e atacarejo reforçou tendências que já impactam diretamente o varejo supermercadista, como sortimento mais racional, maior giro, ticket médio elevado e programas de membership mais robustos. Ao mesmo tempo, a loja física aparece como espaço de relacionamento, comunidade e significado — complementando, e não se opondo, à busca por produtividade.

“O equilíbrio entre eficiência operacional e experiência de compra será decisivo nos próximos anos. O supermercado precisa ser produtivo, mas também relevante para a comunidade onde está inserido”, avalia Queiróz.

Fanatics mostra como velocidade e integração redefinem cadeias tradicionais

Na sequência, Michael Rubin, fundador e CEO da Fanatics, apresentou um dos cases mais disruptivos do varejo global. A empresa revolucionou o mercado de artigos esportivos ao integrar verticalmente design, produção e distribuição, reduzindo o tempo entre a identificação de uma tendência e a entrega do produto ao consumidor para questão de horas.

Embora venha de outro segmento, o modelo chama atenção do varejo supermercadista e da indústria FMCG (traduzindo: bens de consumo de giro rápido), especialmente em categorias como marcas próprias, alimentos frescos, padaria e pratos prontos, onde velocidade, dados e assertividade reduzem desperdícios e ampliam margens.

IA no centro do palco: Google e Walmart apontam a próxima virada

Um dos momentos mais aguardados do dia foi o painel entre Sundar Pichai, CEO do Google, e John Furner, CEO do Walmart U.S., que discutiram o chamado AI platform shift. A mensagem foi clara: a inteligência artificial deixa de ser apenas uma camada adicional e passa a reestruturar processos, decisões e modelos de negócio.

Para o varejo supermercadista, os impactos são diretos em áreas como gestão de estoques, previsão de demanda, precificação, personalização de ofertas e redução de perdas, especialmente em perecíveis. “Quando o Walmart sinaliza um caminho, o mercado inteiro observa. A discussão sobre IA na NRF deixa claro que quem não estruturar dados e processos agora ficará para trás muito rapidamente”, destaca o presidente da ASSERJ.

Indústria e varejo conectados pela tecnologia

A manhã seguiu com sessões críticas para a indústria FMCG, como o painel da PepsiCo com a AWS, que apresentou aplicações práticas de IA em supply chain, atendimento ao cliente e planejamento de demanda. Já o tradicional fireside chat do Walmart aprofundou como o maior varejista do mundo integra lojas físicas, e-commerce e logística em um ecossistema cada vez mais digital-first.

O encerramento da manhã trouxe uma visão macro do setor com a sessão State of the Industry, analisando a convergência entre foodservice e varejo, o avanço de alimentos prontos, food-to-go e a competição crescente entre supermercados, conveniência e redes de quick service restaurants.

Tarde projeta o “supermercado do amanhã”

À tarde, a agenda manteve o foco em inovação aplicada. Destaque para o FairPrice Group, de Singapura, que apresentou seu blueprint da Store of Tomorrow, com uso de gen-AI, corredores digitais, carrinhos inteligentes e uma estratégia robusta de marcas próprias. O modelo asiático surge como referência prática para supermercados que buscam unir tecnologia, acessibilidade e propósito.

Sessões com REI Co-op e LVMH ampliaram a discussão sobre community building, fidelização e cultura organizacional, reforçando que a tecnologia deve potencializar e não substituir a experiência humana. Uma mensagem especialmente relevante para o varejo supermercadista em um cenário de disputa por talentos e consumidores cada vez mais atentos a valores.

Mensagens-chave e prioridades para 2026

Entre os principais pontos destacados ao longo do dia, ficou evidente a resiliência do varejo mesmo em cenários macroeconômicos adversos, seu papel como pilar social, econômico e comunitário e a compreensão de que valor não se resume a preço baixo, mas a significado, conveniência e confiança. A transformação contínua aparece como imperativa, mesmo sem cenários ideais, com a inteligência artificial posicionada como motor de eficiência, sempre com o cliente no centro da estratégia.

“O ‘próximo agora’ já está acontecendo. Olhando para 2026, as prioridades são claras: investir na experiência do cliente, tornar a jornada mais rápida, intuitiva, humana e prazerosa, e avançar em IA não para substituir a criatividade, mas para amplificá-la e ser uma aliada perfeita em gestão!” ressalta Fábio Queiróz.