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Saudabilidade já alcança as classes D e E: como ampliar ainda mais as vendas

26/02/2026

Atualidades
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Durante muito tempo, produtos associados à saudabilidade foram considerados itens de nicho, voltados principalmente para consumidores de maior poder aquisitivo. Hoje, no entanto, esse cenário mudou. A busca por uma alimentação mais equilibrada avança entre consumidores de diferentes perfis e já influencia as estratégias do varejo supermercadista.

Segundo pesquisa da Data-Makers, a busca pela saudabilidade também cresce entre os consumidores das classes D e E. Para se ter uma ideia, 73% dos brasileiros de menor renda já apresentam esse comportamento de consumo. De olho nesse movimento, grandes empresas vêm investindo nessa direção.

Para João Marcio, diretor comercial do Princesa Supermercados, a saudabilidade está cada vez mais presente na rotina dos consumidores.

“Essa tendência começou com mais força nas classes A, B e C, mas hoje está entrando em todas as classes. As pessoas querem preservar mais a saúde, ainda que em proporções diferentes. Em muitos casos, é uma necessidade. O consumidor celíaco ou intolerante à lactose precisa desses produtos independentemente da classe social.”

Atentos às demandas dos consumidores, a Seara diz que enxerga isso como oportunidades para atendê-las, inaugurando categorias quando necessário. “Vemos muita oportunidade de atrair novos clientes dentro do hábito crescente de consumo de alimentos preparados, seja para consumo em casa ou para levar a refeição ao trabalho, seja por ser mais saudável ou mais econômico”, afirma Rafael Palmer, diretor de Marketing de Alimentos Preparados da Seara.

“Vemos muita oportunidade de atrair novos clientes dentro do hábito crescente de consumo de alimentos preparados, seja para consumo em casa ou para levar a refeição ao trabalho, seja por ser mais saudável ou mais econômico”, completa o executivo.

Como vender mais para as classes D e E?

Apesar do crescimento, categorias associadas à saudabilidade ainda exigem maior trabalho do varejo supermercadista para ganhar escala. Diferentemente de produtos básicos, esses itens dependem de exposição adequada, comunicação e planejamento de sortimento.

De acordo com João Marcio, o crescimento depende de uma estratégia consistente. “É preciso trabalhar o digital, a operação no ponto de venda e a comunicação. Se não houver divulgação, esses produtos passam despercebidos ou ficam restritos ao consumidor que já compra, principalmente online. É necessário criar cultura dentro da empresa e tratar essas categorias como rotina, e não como conveniência.”

Entre os principais caminhos para ampliar as vendas estão, João Marcio, cita: ampliar o mix de produtos de forma planejada; criar espaços ou sinalização no ponto de venda; trabalhar a comunicação nas redes sociais; negociar com fornecedores para ampliar a oferta; explorar soluções práticas e convenientes; e tratar a categoria como estratégica no dia a dia.

Mudança estrutural de consumo

A expansão dos produtos saudáveis mostra uma transformação consistente no comportamento do consumidor brasileiro. O que antes era visto como um mercado de nicho hoje se torna uma categoria cada vez mais relevante para o varejo supermercadista.

“Mais do que acompanhar uma tendência, investir em saudabilidade significa atender a uma demanda crescente que atravessa diferentes perfis de consumo e que deve continuar ganhando força nos próximos anos”, explica Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ e da ALAS.