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Preços em movimento: o que está mudando na cesta do varejo supermercadista

30/12/2025

Economia
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O comportamento dos preços dos alimentos em novembro reforçou um cenário de contrastes relevantes para o varejo supermercadista. Enquanto os queijos registraram forte elevação, com alta de 21,2% no preço médio nacional, produtos de alto giro e presença constante no carrinho do consumidor, como leite UHT (-4,9%) e arroz (-3,0%), apresentaram recuo, ajudando a equilibrar o custo médio da cesta.

Os dados fazem parte do estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, elaborado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados voltado à cadeia de consumo. O levantamento considera os itens mais recorrentes nas compras dos brasileiros e traz insumos estratégicos para decisões de precificação, negociação com fornecedores e gestão de estoques.

Além dos queijos, outras categorias também exerceram pressão inflacionária em novembro. Legumes (3,1%), sal (3,1%) e óleo (2,5%) figuraram entre as maiores altas no período, sendo que o óleo apresentou elevação de preços em todas as regiões do País — um ponto de atenção para margens e estratégias promocionais.

Na direção oposta, alguns itens contribuíram para conter a inflação dos alimentos no mês, com destaque para café em pó e em grãos (-1,5%), açúcar (-1,4%) e ovos (-1,2%), favorecendo o equilíbrio do sortimento em um momento de consumo mais cauteloso.

Inflação controlada, mas com pressão setorial

No contexto macroeconômico, o IPCA avançou 0,18% em novembro de 2025, sinalizando um ambiente de inflação relativamente controlada no encerramento do ano. Ainda assim, a dinâmica de preços segue heterogênea entre as categorias.

Para Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos na Neogrid, fatores como custos de produção, recomposição de estoques e oferta de matéria-prima continuam influenciando o comportamento de determinados segmentos.
“Categorias como óleo e queijos, que apresentaram elevação de preços em todas as regiões em novembro, tendem a levar mais tempo para se estabilizar, dependendo da normalização dos estoques e da evolução dos custos ao longo da cadeia”, explica.

Café lidera altas no acumulado de 12 meses

No recorte anual, considerando o período entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, o café em pó e em grãos segue como o item de maior impacto inflacionário no Brasil, com alta acumulada de 42,1% no preço médio nacional. O movimento mantém o produto no radar de supermercadistas, tanto pela relevância no consumo quanto pelos efeitos diretos na sensibilidade ao preço.

Na sequência aparecem queijos (12,3%), margarina (11,2%), creme dental (10%) e refrigerantes (5,7%), reforçando a necessidade de estratégias comerciais mais refinadas para preservar volume sem comprometer rentabilidade.

Sudeste concentra maiores pressões em novembro

Na análise regional, o Sudeste apresentou um dos cenários mais desafiadores para o varejo supermercadista no mês. Os queijos lideraram a alta, com avanço de 24,3%, seguidos por legumes (5,5%), carnes bovinas (3,3%), sal (3,1%) e óleo (2,8%).

Por outro lado, a região também registrou quedas relevantes em categorias essenciais, como leite UHT (-6,5%), sabão para roupas (-3,5%), arroz (-2,8%), leite em pó (-2,1%) e açúcar (-1,1%), o que pode abrir espaço para ações promocionais e recomposição de volume em loja.

Para o varejo supermercadista, o estudo reforça a importância de monitorar continuamente os movimentos regionais de preços, ajustando políticas comerciais, mix e negociações com a indústria em um ambiente marcado por oscilações pontuais, mas com impacto direto na percepção de valor do consumidor e na margem operacional.