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Inflação 2026: o que os primeiros meses revelam para o varejo supermercadista

18/02/2026

Economia
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O início de 2026 traz sinais moderadamente positivos para a inflação brasileira, com reflexos diretos no varejo supermercadista. A recente queda no preço da gasolina nas refinarias tende a aliviar parte das pressões de custo ao longo da cadeia, especialmente em logística e distribuição, fatores sensíveis para o setor. Segundo André Braz, “a redução de 5,2% no preço do combustível nas refinarias deve produzir efeitos diretos sobre a inflação já em fevereiro”, criando um contraponto importante a um mês tradicionalmente pressionado por reajustes sazonais.

Para o supermercadista, esse movimento tem relevância prática. Mesmo que o repasse ao consumidor final não seja integral, o impacto é significativo. De acordo com Braz, “considerando o preço médio cobrado nas bombas em dezembro de 2025, a redução esperada ao consumidor gira em torno de 2%”. Esse alívio nos combustíveis pode gerar uma contribuição negativa de cerca de 0,1 ponto percentual no IPCA de fevereiro, ajudando a suavizar aumentos em outros grupos e preservando, ainda que parcialmente, o poder de compra do consumidor.

Ainda assim, o cenário exige cautela. Fevereiro segue sendo um mês sensível, especialmente por conta dos reajustes das mensalidades escolares, que pressionam o orçamento das famílias. Para o varejo supermercadista, isso significa um consumidor mais seletivo, atento a preços e promoções, e disposto a substituir marcas e categorias. Como destaca André Braz, “a gasolina atua no sentido de reduzir a inflação justamente em um mês marcado por aumentos sazonais na educação”, o que ajuda a explicar a expectativa de uma inflação entre 0,3% e 0,4% no período.

O grupo alimentação, no entanto, permanece no centro das atenções do setor. Após ter ajudado a segurar a inflação em 2025, os riscos para 2026 vêm principalmente do clima. “A probabilidade de ocorrência de um novo evento de El Niño vem aumentando, com sinais de impacto a partir do segundo trimestre”, alerta Braz. Caso esse cenário se confirme, os efeitos sobre as safras podem pressionar os preços dos alimentos, afetando diretamente a dinâmica de custos, margens e estratégias comerciais no varejo supermercadista.

Diante desse contexto, a leitura da inflação precisa ir além do número final. Como resume André Braz, “acompanhar a inflação exige entender o que está por trás dos preços e quais forças estão em jogo a cada momento”. Para o varejo supermercadista, essa compreensão é estratégica: permite antecipar movimentos, ajustar negociações com a indústria e planejar ações que equilibrem competitividade e sustentabilidade do negócio. Em um ano que promete volatilidade, informação qualificada deixa de ser apenas análise econômica e passa a ser ferramenta essencial de gestão.