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Novembro além da Black Friday: como lucrar com os feriados prolongados no seu supermercado

Com dois feriadões chegando, varejo pode aproveitar a chance para elevar o faturamento com foco em categorias estratégias para o período

30/10/2026

Mercado e tendências
Saiba como usar os feriados de novembro a favor do seu negócio

Saiba como usar os feriados de novembro a favor do seu negócio

O mês de novembro no varejo costuma ter dois eventos como foco: a Black Friday e os preparativos para o Natal. Porém, o calendário de 2026 traz uma surpresa valiosa que muitos gestores acabam deixando passar em branco: dois feriados prolongados estratégicos.

Enquanto o Dia de Finados (2 de novembro) cai em uma segunda-feira, o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) será em uma sexta-feira. Ambas as datas garantem finais de semana prolongados de três dias.

Esses períodos geram picos de consumo que ajudam a dar um gás no faturamento. Assim, se a loja souber se antecipar, pode abrir margens positivas e garantir uma surpresa agradável no fim do mês.

O que movimenta as vendas nos feriados?

Uma pesquisa realizada pela Scanntech, empresa de inteligência de mercado, mapeou o comportamento de compra dos brasileiros em feriadões ao longo de 2025 e comprovou que esses períodos movimentam o varejo para além dos produtos sazonais, trazendo impactos positivos para uma série de categorias (com destaque para bebidas e itens de churrasco, por exemplo).

O levantamento apontou que o item com maior crescimento em unidades vendidas foi a mistura alcoólica, registrando alta de 27% nas semanas de feriado em comparação com o restante do ano. Já em faturamento, o líder foi o prato pronto, com um salto de 23,7%.

Ricardo Marcolan, diretor de operações da Redeconomia Superpax, aponta que o aumento nas buscas por mistura alcoólica já é perceptível nos pontos de venda. "É um produto que cresce venda, ainda mais considerando a tendência de dias mais frios. As novas gerações têm optado cada vez menos por cerveja e mais por drinks alcoolicos", destaca.

Os índices revelam a força de dois fatores importantes: a socialização e a praticidade. "Nos feriados o consumidor em geral procura itens prontos para consumo e que possam ser compartilhados com amigos: snacks, salgadinhos, chocolates e cervejas, por exemplo. Sem dúvida, o feriado motiva os encontros em família e amigos. E, a partir daí, os itens de refeições compartilhada ganham espaço, como carnes para churrasco e cervejas/refrigerantes por exemplo", destaca o executivo.

Esses números desenham o retrato do brasileiro no feriado: viagens curtas, reuniões de última hora com amigos e churrascos em família. As pessoas querem celebrar juntas, mas sem passar horas na cozinha. Enquanto as bebidas e os itens de churrasco garantem a festa coletiva, os pratos prontos entram como a solução perfeita para quem quer otimizar o tempo de descanso e focar no lazer.

Foco na personalização e experiência

O erro clássico do supermercadista é tratar o feriadão com o mesmo mix de produtos de um fim de semana comum. Hoje, o consumidor preza por variedade, diferenciação e saudabilidade. Pegando o exemplo do tradicional churrasco de feriado, o básico (carne vermelha, carvão e cerveja tradicional) já não é suficiente para surpreender. O segredo para elevar as vendas é criar soluções completas e cruzadas (cross-merchandising) na loja.

No setor de açougue e grill, vale inovar combinando cortes nobres com opções diferenciadas, como pão de alho artesanal, queijo coalho temperado, espetinhos variados, cortes suínos diferenciados e alternativas voltadas ao público vegetariano ou vegano (como hambúrgueres vegetais e legumes para grelhar).

Outro bom exemplo são as bebidas. A cerveja tradicional continua forte, mas o consumidor atual busca novas experiências. As misturas alcoólicas, os destilados para drinks práticos (como gin e vodca em lata), energéticos e isotônicos são alguns exemplos que vêm ganhando espaço. Até mesmo na categoria de cervejas vêm acontecendo movimentações importantes: as versões artesanais, sem álcool, sem glúten ou de baixa caloria conquistam cada vez mais espaço e margem de lucro atrativa.

Em vez de incentivar o cliente a comprar grandes volumes de um único item, a tendência atual é oferecer um leque diversificado de escolhas menores, mas com maior valor agregado. É a experiência de compra que dita o ritmo da cesta.

Estratégias práticas para o seu supermercado lucrar mais em novembro

Para transformar esses feriados prolongados em verdadeiros motores de vendas, o supermercadista precisa agir com inteligência e estratégia. Confira algumas dicas práticas para o mês de novembro e para os próximos feriados prolongados:

  • Cross-Merchandising inteligente: Posicionar os acompanhamentos estratégicos ao lado dos produtos principais ajuda a facilitar a jornada de compra, para que o cliente pegue tudo o que precisa sem precisar atravessar a loja inteira, além de impulsionar vendas de itens correlatos. Alguns exemplos: pão de alho e carvão próximos ao balcão de carnes; limões, sal grosso e destilados na mesma ilha das cervejas e misturas alcoólicas.

  • Pratos Prontos e Rotisseria: Como a busca por conveniência explode nesses períodos, garanta que a sua rotisseria esteja abastecida com opções frescas e de alta qualidade (massas, assados, tortas e maioneses) nos finais de tarde que antecedem os feriados. Divulgue essas facilidades nas redes sociais do supermercado para atrair quem vai voltar da estrada ou quer resolver o almoço rapidamente.

  • Abastecimento das categorias de impulso: Revise o estoque de bebidas, gelo, carvão, snacks e descartáveis (copos, pratos e guardanapos) com antecedência. Ficar com gôndolas vazias na véspera de um feriadão significa entregar receita de bandeja para a concorrência. Antecipe-se!

  • "Ilhas temáticas" de lazer na entrada da loja: Logo na entrada ou nos corredores de maior fluxo, monte pontos focais (pontas de gôndola ou expositores refrigerados) dedicados exclusivamente ao "Kit Feriado". Juntar bebidas geladas, petiscos e carvão em um só lugar de destaque estimula a compra por impulso e acelera o giro de mercadorias.