
Varejo supermercadista fluminense encerra 2025 com deflação! ASSERJ explica cenário

O ano de 2025 foi de redução geral nos preços nas gôndolas dos supermercados no Rio de Janeiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 9 de janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No balanço do ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, subiu 0,33% em dezembro e encerrou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo de tolerância do Banco Central e com a menor taxa anual desde 2018. Além disso, é a primeira vez, desde 2019, que o índice encerra um período de 12 meses dentro da meta do BC.
O resultado apontado em dezembro ficou abaixo do projetado pelo mercado, que esperava uma elevação de 0,4%.
André Braz, economista e pesquisador do FGV IBRE aponta uma combinação de fatores para explicar a perda de força da inflação em 2025. Um dos principais fatores foi o choque de juros promovido pelo Banco Central, que iniciou um ciclo de aperto monetário em setembro de 2024. Outro fator relevante foi a queda do dólar ao longo de 2025 e a valorização do real, que contribuiu para reduzir os cursos de bens industriais e alimentos, com impacto diretor sobre o IPCA.
“O troféu foi para a alimentação”, diz André Braz. “O câmbio ajudou muito, assim como a safra muito robusta.”
Já especificamente o varejo supermercadista do estado do Rio de Janeiro registrou subida nos preços no último mês do ano, com alta de 0,74%. No saldo de 2025, porém, o setor teve uma deflação de 0,04%.
Alimentação tem terceira menor alta do ano. Supermercados do Rio têm baixa de preços
Segundo o IBGE, oito dos nove grupos pesquisados apresentaram variação positiva em 2025. Os principais responsáveis por pressionar a inflação foram os setores de Habitação (+6,79%), Educação (+6,22%), Despesas pessoais (+5,87%), Saúde e Cuidados Pessoais (+5,59%), Vestuário (+4,99%), Transporte (3,07%) e Comunicação (+0,77%).
O único a apontar deflação foi Artigos de Residência (-0,28%). Alimentação no Domicílio, que concentra os alimentos e bebidas vendidos no varejo supermercadista, apontou alta anual de 2,95%.
Considerando somente no cenário do estado do Rio de Janeiro, o índice de inflação de Alimentação no Domicílio subiu 0,74% em dezembro. Mesmo com a elevação, o resultado geral de 2025 fechou em 0,04%.
No balanço do ano passado, o estado do Rio teve a quinta maior deflação entre os entes federativos e a maior do Sudeste, no setor de Alimentação no Domicílio (-0,04%), muito inferior à média nacional (+1,43%).
Dos alimentos e bebidas vendidos nos supermercados do Rio, as quedas de destaque para 2025 ficam por conta de: feijão preto (-31,33%); arroz (-27,28%); alho (-25,66%); azeite (-23,15%); leite longa vida (-11,53%); batata inglesa (-8,46%); e açúcar (-4,92%).
Já entre as altas, as principais foram: café (+35,05%); chocolate (+27,4%); presunto (+11,14%); cerveja (+6,06%); mortadela (+4,65%); patinho (+3,97%); e ovo (+3,08%).
Resultado apresenta oportunidades para o varejo supermercadista fluminense
A deflação registrada nas categorias de maior importância para o varejo supermercadista fluminense apresenta a sequência de uma janela de oportunidade que se consolidou no cenário do estado do Rio ao longo de 2025.
Produtos mais baratos nas gôndolas significam alívio no orçamento dos consumidores e maiores possibilidades de atração. Baixa de preços também pode significar a chance de renegociação com fornecedores. Mas atenção, aproveitar oportunidades exige acompanhamento, análise e boa gestão, antecipando fatores futuros que possam reverter a maré de baixa ou afetar de forma específicas certas categorias.
Expectativas para 2026
André Braz acredita que os preços de serviços e outros componentes da inflação devem avançar menos neste ano, ainda sob efeito do aperto monetário. Esse comportamento pode resultar em um IPCA mais baixo em 2026, em torno de 3,9% a 4%

