Paulo Garcia Neto, CEO e fundador da Infoprice, em entrevista ao SRE Cast

No SRE Cast, CEO da Infoprice explica tecnologias por trás da precificação no varejo supermercadista

Paulo Garcia Neto, fundador da empresa referência em inteligência de preços, explica que o trabalho vai além do "achismo" e da prática de espelhar a concorrência

08/07/2026

Indústria em cena
Paulo Garcia Neto, CEO e fundador da Infoprice, em entrevista ao SRE Cast

Paulo Garcia Neto, CEO e fundador da Infoprice, em entrevista ao SRE Cast

A precificação de produtos em supermercados é uma das etapas mais estratégicas para garantir um bom faturamento do negócio. Porém, muitos ainda acreditam que determinar o valor de cada SKU é uma tarefa simples, baseada apenas em observar a concorrência e definir um preço maior ou menor. Na realidade, esse processo exige um trabalho minucioso. Se ele for conduzido da maneira errada, pode afastar clientes ou gerar prejuízos. Por outro lado, se bem executado, as chances de lucro aumentam consideravelmente.

Para debater esse desafio, Paulo Garcia Neto, CEO e fundador da Infoprice, empresa brasileira referência em inteligência de preços para o varejo, participou do SRE Cast 2026 durante a 36ª edição da SRE Super Rio Expofood. No podcast, o especialista explica como a tecnologia apoia o setor a monitorar o mercado e a definir o valor ideal de cada item.

"A gente faz isso através de basicamente dois grupos de solução: o produto de monitoramento de preços do mercado [...] e uma solução que vai gerar uma camada de valor sobre esses dados cruzando com os seus, que é o software de precificação inteligente", esclarece o executivo. O episódio completo está disponível no canal da ASSERJ no YouTube.

Precificação não é "achismo"

Encontrar o preço ideal não consiste apenas em espelhar a concorrência. Segundo Paulo Garcia Neto, trata-se de uma matemática complexa que trabalha com a "sensibilidade ao preço". "Isso não é achismo. É uma conta, um cálculo e um modelo que leva em consideração o nível produto/loja e o comportamento do consumidor: a frequência com que se compra o item, o quanto que ele vende na loja, a penetração que tem em cada um dos tickets e a elasticidade da demanda em relação ao preço", detalha o CEO da Infoprice.

O grande desafio do supermercadista é traduzir a percepção de valor das ruas para uma operação que gerencia milhares de SKUs distintos, muitas vezes distribuídos em várias filiais com concorrentes locais diferentes.

"Existe uma forma matemática de classificar o conceito 'das ruas' que todo mundo inerentemente sabe. O desafio é traduzir esses outros vários conceitos em uma lógica para operar uma loja de supermercado que tem 10 ou 15 mil itens distintos. Às vezes, tem mais de uma unidade, cada uma com concorrentes diferentes. Ou seja: é um desafio matemático complexo. É isso que a gente se propõe a ajudar o varejista a resolver para que ele tenha mais margem", destaca Paulo Garcia.

Inteligência artificial no dia a dia

Nos bastidores da Infoprice, existe toda uma estratégia envolvendo o uso de tecnologias para garantir a maior precisão possível. Paulo Garcia explica ao SRE Cast que diferentes modelos de Inteligência Artificial (IA) operam simultaneamente, combinando redes neurais e processamento de linguagem natural. Um dos usos práticos mais surpreendentes dessa tecnologia está na correção de um dos maiores erros do varejo supermercadista: as falhas de cadastro.

"Todo varejista tem um problema gigantesco de cadastro. A banana está categorizada como vinho, vinho está como carne e por aí vai. [...] Se não há uma base estruturada de forma adequada, como que você trabalha em cima, dado que são milhares de produtos? Esse é um problema que os modelos de linguagem natural ajudam a resolver muito bem", exemplifica.

Depois que a base de dados é corrigida, as redes neurais assumem o controle do cadastro para realizar a precificação. "Uma vez que isso é resolvido, você consegue colocar uma rede neural, por exemplo, pra ficar estimando quais são os preços de todas as SKUs de determinada categoria de forma a otimizar para um objetivo, seja aumento de venda ou rentabilidade", afirma.

Estratégias de precificação

É importante destacar que, para ir além do preço do vizinho, o supermercado precisa fazer sua própria lição de casa. Paulo Garcia esclarece que o primeiro passo da implementação do software de precificação é o varejista definir com clareza quem ele é. "Precisa haver algumas definições primordiais. O cara precisa primeiro entender quem ele é, qual é o seu propósito como supermercadista, pois não são todos iguais, e uma definição de quem é a sua concorrência", afirma.

Outro ponto importante é prestar atenção na regionalidade. Grandes redes que possuem lojas em bairros diferentes precisam adaptar os preços para atender às demandas e necessidades do cliente local. Se esse cuidado não for tomado, há um grande risco do negócio não funcionar.

"Em qualquer lugar, um bairro é diferente do outro, cultamente falando ou capacidade financeira, vai operar de forma diferente. Então não faz sentido ter o mesmo mix ou estratégia de precificação. Tudo isso tem que ser entendido e ser aplicado de acordo", conclui.

Dessa forma, a regionalização e o autoconhecimento do negócio deixam de ser apenas diferenciais e passam a ser uma questão de sobrevivência. Ajustar o preço de acordo com a realidade de cada filial é o que garante que o supermercado não perca competitividade nas regiões mais disputadas e, ao mesmo tempo, não perca oportunidades onde há espaço para uma margem maior.

Vale super a pena assistir ao episódio completo, que rendeu um papo leve, descontraído e cheio de informações direto da fonte!