preço leite supermercado

Leite entra em 2026 com risco de recomposição de preços

29/12/2025 • Atualizado pela ultima vez 11 Dias

Atualidades
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Após um ano marcado por forte volatilidade, o mercado de leite inicia 2026 com sinais de maior estabilidade, mas ainda sob pressão. A queda acumulada de 18,1% nos preços pagos ao produtor em 12 meses até outubro tende a frear o ritmo de produção, o que pode alterar o equilíbrio entre oferta e demanda ao longo do próximo ano — movimento que merece atenção do varejo supermercadista.

Analistas avaliam que, apesar da demanda interna seguir relativamente firme, a redução dos preços ao produtor e o achatamento das margens devem levar os pecuaristas a conter investimentos, o que limita a expansão da produção. Esse cenário abre espaço para ajustes graduais nos preços ao longo da cadeia, com possíveis reflexos no custo de aquisição do leite e derivados para o varejo.

Segundo Natália Grigol, pesquisadora do Cepea, os valores pagos ao produtor estão nos níveis mais baixos desde 2021. “O setor deve iniciar o ano com mais cautela e margens limitadas, o que tende a desacelerar investimentos e reduzir o ritmo de crescimento da produção”, afirma.

Produção cresce menos e muda dinâmica de preços

A projeção do Cepea é que a captação industrial de leite cresça entre 2% e 2,5% em 2026, após um avanço próximo de 7% em 2025. Para o varejo supermercadista, essa desaceleração sinaliza um possível ponto de inflexão no comportamento dos preços, especialmente em um contexto de consumo interno mais moderado, influenciado pelo crescimento econômico estimado em torno de 2%.

Em 2025, a combinação de custos mais baixos — com destaque para o milho — estimulou investimentos em nutrição do rebanho e elevou a produção. Para 2026, o cenário é diferente. “O produtor começa o ano com preços mais baixos e margens comprimidas, o que naturalmente reduz o ritmo de expansão”, explica Juliana Pila, analista da Scot Consultoria.

Pressão na origem contrasta com excesso de oferta

Apesar da perda de rentabilidade no campo, especialistas evitam classificar o momento como crise. Para Valter Galan, sócio da Milkpoint, o principal desafio está no descompasso entre oferta e demanda. “A produção cresce cerca de 7%, enquanto a demanda avança perto de 2%. Isso gera excesso de leite e pressiona os preços ao longo da cadeia”, avalia.

Para o varejo supermercadista, esse desequilíbrio ajuda a explicar a manutenção de preços mais competitivos nas gôndolas em 2025, mas também indica que esse cenário pode não se sustentar no médio prazo caso a produção desacelere mais fortemente.

Importações seguem no radar do setor

O debate sobre importações de lácteos também segue relevante. Embora os volumes tenham recuado 13,2% em 12 meses até novembro, segundo a Embrapa, os produtos importados ainda representam cerca de 10% da produção nacional, o dobro do registrado há três anos. Medidas estaduais, como a restrição à reconstituição de leite em pó importado para venda como leite fluido, ajudam a reduzir a pressão sobre os preços, mas não resolvem o desequilíbrio estrutural.

O que o varejo deve observar em 2026

Para o setor supermercadista, o cenário exige atenção redobrada à gestão de preços, negociação com a indústria e planejamento de promoções. A tendência é de um primeiro semestre ainda marcado por preços pressionados, seguido por possível recomposição gradual, dependendo do comportamento da produção e do consumo.

Em um ambiente de margens apertadas para toda a cadeia, eficiência, previsibilidade e leitura de mercado serão fundamentais para preservar competitividade e rentabilidade no varejo supermercadista ao longo de 2026.