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Fé, propósito e impacto social marcam abertura do último dia da Convenção Américas na SRE Expo Food
A abertura do terceiro e último dia do palco Convenção Américas, na Super Rio Expofood (SRE), foi marcada por um encontro inspirador entre fé, empreendedorismo social e responsabilidade coletiva. O momento contou com a presença do Padre Omar e do David Hertz, fundador da Gastromotiva, em uma conversa mediada sobre o papel transformador do varejo supermercadista na sociedade. Supermercados como agentes de transformação social Durante o painel, foi destacado que os supermercados vão além de pontos de consumo e se consolidam como espaços de convivência e impacto social nas comunidades. Para David Hertz, o setor tem um papel estratégico na construção de uma sociedade mais justa. “Os supermercados têm uma função social e corporativa. Desde o colaborador no dia a dia até o processo de construção do alimento, há inúmeras possibilidades de gerar impacto positivo”, afirmou. O empreendedor também ressaltou a importância da articulação entre diferentes atores para viabilizar projetos de grande escala. Segundo ele, a falta de alinhamento político foi um dos fatores que dificultaram a continuidade de iniciativas da Gastromotiva em determinado momento. Fé e esperança como motores de transformação Em uma fala carregada de simbolismo, Padre Omar reforçou a importância da solidariedade e da ação prática diante das desigualdades sociais. “Tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber. A partir do Cristo, olhamos tudo com amor. Não desanime, precisamos alimentar a esperança”, declarou. O religioso também destacou a necessidade de ampliar oportunidades, especialmente para populações vulneráveis. “Em termos de serviço público, ainda carecemos de oportunidades. Iniciativas como programas de jovem aprendiz e ações voltadas à população em situação de rua são caminhos possíveis”, disse. A importância das políticas públicas e da ação coletiva Padre Omar trouxe ainda reflexões baseadas na doutrina social da Igreja, destacando três princípios fundamentais: solidariedade, bem comum e subsidiariedade. Segundo ele, a subsidiariedade, conceito que envolve a atuação conjunta de instituições, sociedade civil e terceiro setor, é essencial para suprir lacunas deixadas pelo poder público, sem eximir o Estado de sua responsabilidade. “Não há necessidade de existir fome em um país como o Brasil, com tanta riqueza e capacidade produtiva. Precisamos de políticas públicas consistentes, contínuas e bem estruturadas”, afirmou. Conexão humana no centro das soluções Em um dos momentos mais marcantes do encontro, David Hertz reforçou que o combate à fome vai além da distribuição de alimentos e passa pela reconexão entre as pessoas. “Não é a falta de alimento que nos limita, mas a incapacidade de nos reconhecermos no outro. O meu trabalho é alimentar a humanidade com humanidade”, destacou. O empreendedor também defendeu o fortalecimento do trabalho em rede como caminho para ampliar o impacto social. “Nosso papel não é apenas entregar soluções, mas construir governança para que mais pessoas possam fazer parte dessa transformação”, completou. Um chamado à ação Encerrando o encontro, os participantes reforçaram a importância da colaboração entre empresas, instituições e sociedade para enfrentar desafios estruturais como a fome e a desigualdade. A mensagem final foi clara: o varejo supermercadista, aliado a iniciativas sociais e à construção de políticas públicas eficazes, pode desempenhar um papel decisivo na promoção de um futuro mais justo e sustentável.
19/03/2026
Por dentro da asserj
Fabrício Carpinejar emociona público na SRE ao falar sobre conexão humana, propósito e relações em tempos digitais
Na Convenção das Américas, escritor relaciona excesso de tecnologia, cultura do descarte e falta de presença com desafios vividos por empresas do varejo e do food service
19/03/2026
Por dentro da asserj
Tecnologia, dados e estratégia: o caminho para vender mais e melhor
O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) teve continuidade com a palestra “Somos todos vendedores: dados que movem o lucro”, ministrada por Priscila Ariani, da diretora de Marketing da Scanntech. A apresentação trouxe uma reflexão central: no varejo supermercadista, todas as áreas da empresa impactam diretamente as vendas e os dados são o elo que conecta estratégia, operação e resultado. Logo no início, a executiva destacou que o conceito de vendas vai além do setor comercial. “Toda a empresa está voltada para o mesmo núcleo, que começa com vendas. Não é apenas vender mais por vender, mas vender melhor, fidelizar o consumidor e aumentar a margem”, afirmou. Cultura orientada por dados A Scanntech, segundo Priscila, atua conectando-se via API aos sistemas dos varejistas, capturando informações de vendas diretamente dos caixas. Com isso, a empresa analisa dados “ticket a ticket”, formando uma base robusta de inteligência de mercado. Atualmente, a companhia lê cerca de R$ 1,1 trilhão em vendas por ano — o equivalente a aproximadamente 9% do PIB brasileiro, sendo R$ 971 bilhões concentrados no varejo supermercadista. “É uma base extremamente representativa, que permite entender o comportamento do shopper e transformar isso em eficiência operacional e aumento de margem”, explicou. A executiva reforçou que empresas orientadas por dados apresentam desempenho superior. Segundo ela, supermercadistas que utilizam a plataforma crescem, em média, até 9 pontos percentuais a mais do que aqueles que ainda tomam decisões baseadas apenas na intuição. Precificação estratégica: equilíbrio entre margem e competitividade Um dos exemplos práticos apresentados foi o impacto da precificação. Priscila destacou que o preço é um dos principais fatores para equilibrar competitividade e rentabilidade. A estratégia passa pela classificação de produtos em curvas A, B e C: Curva A: itens de alto giro e formadores de imagem de preço (cerca de 50% do faturamento); Curva B: produtos intermediários; Curva C: itens com menor impacto na percepção de preço. A partir dessa segmentação, um varejista pode definir estratégias específicas, como manter preços competitivos na curva A e trabalhar margens maiores nas demais. Com o uso de dados de mercado, é possível ajustar esses posicionamentos com precisão. “Sem tecnologia, é inviável monitorar milhares de itens e concorrentes. Com dados, o varejista deixa de ‘achar’ e passa a decidir com segurança”, destacou. Gestão de sortimento e impacto direto no resultado Outro case apresentado mostrou como a análise de dados pode melhorar o sortimento. Ao identificar produtos relevantes no mercado que não estavam presentes nas lojas, uma rede conseguiu otimizar categorias e aumentar a eficiência. O resultado foi um crescimento de 1% no faturamento, além de ganho adicional de 0,2 ponto percentual na margem. “Não se trata de ter tudo, mas de saber exatamente o que faz sentido ter e por quê”, explicou Priscila. Ruptura: o inimigo invisível das vendas A palestra também abordou o impacto da ruptura — quando o produto não está disponível na gôndola. Em um dos exemplos, uma rede apresentava índice de ruptura de 13%, quase o dobro da média de mercado, de 6,8%. O problema, muitas vezes, não era falta de produto, mas falhas operacionais, como estoque virtual ou itens fora da gôndola. “Cada ruptura representa venda perdida, cliente insatisfeito e perda de lealdade”, ressaltou. Com o uso de dados, a empresa conseguiu identificar falhas, corrigir processos de abastecimento e negociar melhorias com a indústria. O resultado foi a redução da ruptura para níveis abaixo da média do mercado e a reversão de queda nas vendas para crescimento acima do setor. Integração entre áreas impulsiona resultados A principal mensagem da palestra foi a necessidade de integração entre áreas como pricing, gestão de categorias e abastecimento. “Mesmo quem não está diretamente em vendas é responsável pelo resultado. Somos todos vendedores”, reforçou. Ao combinar apenas três frentes — precificação, sortimento e abastecimento —, o case apresentado mostrou crescimento de 2% no faturamento e aumento de 1 ponto percentual no lucro. Transformação cultural como diferencial competitivo Para Priscila, o maior desafio não é tecnológico, mas cultural. A adoção de uma mentalidade orientada por dados precisa partir da liderança e se espalhar por toda a organização. “Quando o varejista deixa a transformação por dados para depois, está deixando dinheiro na mesa. E o pior: outros não estão”, alertou. A executiva encerrou destacando que a tecnologia já está disponível — e que a diferença competitiva está na capacidade de utilizá-la de forma estratégica.
19/03/2026
Por dentro da asserj
NR-1 coloca saúde mental no centro e acende alerta jurídico no varejo supermercadista
O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) teve continuidade com a palestra “Da Norma à Cultura: O Desafio da NR-1 nas Operações de Varejo”, ministrada pela advogada trabalhista Dra. Bárbara Ferrari. A especialista trouxe um panorama prático sobre as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e alertou: a fiscalização mais efetiva começa a partir de 26 de maio. Segundo ela, a atualização da NR-1, que historicamente tratava de riscos físicos, químicos e biológicos, passou a incorporar os riscos psicossociais como elemento central das relações de trabalho. “Não é uma norma que surgiu do nada. Ela responde a um aumento consistente de adoecimentos mentais ligados ao trabalho ao longo dos últimos anos”, destacou. Dados apresentados pela especialista mostram a dimensão do problema. Em 2012, cerca de 213 mil afastamentos estavam relacionados a doenças mentais. Após a pandemia de Covid-19, os números cresceram significativamente, chegando a mais de 470 mil casos em 2024 e ultrapassando 520 mil afastamentos em 2025. Transtornos de ansiedade (65%), depressão (58%) e burnout (35%) lideram as ocorrências. Além disso, mais de 12 milhões de dias de trabalho foram perdidos em 2022 por questões ligadas à saúde mental, evidenciando o impacto direto tanto para empresas quanto para o sistema previdenciário. Da obrigação legal à mudança cultural Bárbara Ferrari reforçou que o principal erro das empresas ao lidarem com a nova NR-1 é tratá-la apenas como uma exigência documental. “Não basta incluir o risco psicossocial no PGR. O Ministério do Trabalho exige ação: identificar, monitorar e, principalmente, mitigar esses riscos”, afirmou. Nesse contexto, a implementação da norma exige integração entre diferentes áreas, como Recursos Humanos, jurídico e operações. Para a especialista, o RH assume papel estratégico: “Hoje, o RH é parte da gestão do negócio. Sem ele, não há mudança de cultura — e sem cultura, a NR-1 não funciona”. Impactos jurídicos e financeiros O descumprimento da norma pode gerar consequências relevantes. Embora multas administrativas possam partir de cerca de R$ 20 mil, o maior risco está nas ações coletivas e individuais. “Indenizações por danos morais, pensões vitalícias e ações civis públicas podem alcançar valores milionários”, alertou. Outro ponto crítico é o impacto no Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que pode elevar a carga tributária das empresas conforme o número de afastamentos registrados. Além disso, a reputação corporativa também entra em jogo, dificultando a atração e retenção de talentos. O que são os riscos psicossociais Entre os principais riscos psicossociais no ambiente de trabalho, a especialista destacou: Assédio moral, sexual e político Relações interpessoais deterioradas Falta de clareza nas funções Lideranças despreparadas Jornadas excessivas e metas abusivas Eventos traumáticos no ambiente de trabalho No varejo supermercadista, fatores como contato direto com o público, tarefas repetitivas, falhas na gestão de escalas e deficiência na comunicação agravam esse cenário. Caminhos para a implementação Para atender às exigências da NR-1, Ferrari sugere um conjunto de ações práticas: Diagnóstico do ambiente organizacional Aplicação de questionários anônimos validados Realização de grupos focais com մասնissionais especializados Monitoramento de indicadores como absenteísmo Criação de políticas institucionais claras Implantação de canais seguros de denúncia Treinamento contínuo de lideranças “Sem treinamento de liderança, não existe NR-1 efetiva. A comunicação dentro das empresas precisa ser clara, respeitosa e alinhada à cultura organizacional”, enfatizou. Mais do que norma, estratégia de negócio Encerrando a apresentação, a especialista destacou que a NR-1 deve ser vista como uma oportunidade estratégica. “Não se trata apenas de cumprir uma obrigação legal. É sobre garantir a saúde do trabalhador e, consequentemente, a sustentabilidade do negócio”, concluiu. A palestra reforçou que, em um cenário de crescente atenção à saúde mental, o varejo supermercadista precisará ir além do cumprimento formal da legislação e investir, de fato, em ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.
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