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Comportamento & tendência
O que muda nos setores de laticínios, frios e panificação em 2026
Em 2026, o desafio do varejo supermercadista e de seus fornecedores seguirá sendo o mesmo — porém em um cenário ainda mais complexo: antecipar o comportamento do consumidor e responder rapidamente às mudanças de hábito, sem comprometer margens, operação e abastecimento. Para os departamentos de laticínios, delicatessen e panificação, essa equação exige olhar além das gôndolas e compreender as atitudes que influenciam as decisões de compra. Foi com esse objetivo que revelamos a análise estratégica da vice-presidente de Relações com a Indústria e Educação da International Dairy Deli Bakery Association (IDDBA), Heather Prach, sobre as tendências que devem moldar o consumo em 2026 no setor. A especialista destacou três atitudes centrais do consumidor: simplificação da decisão de compra, busca por conforto e confiança nos produtos escolhidos. Para o supermercadista fluminense, essas atitudes representam oportunidades claras de diferenciação, tanto na indústria quanto no ponto de venda. Atitudes duradouras geram impactos de longo prazo Embora o início do ano costume estimular mudanças temporárias de comportamento, como foco em saúde e bem-estar, Heather Prach ressalta que as atitudes mais relevantes para o varejo são aquelas que permanecem estáveis ao longo do tempo. Entre elas, estão a necessidade de praticidade, segurança e conforto emocional. O consumidor atual vive sob pressão de agendas cheias, custos elevados e excesso de informação. Nesse contexto, o alimento deixa de ser apenas funcional e passa a desempenhar um papel emocional. “As pessoas estão exaustas de pensar todos os dias no que vão comer. Elas querem reduzir esse desgaste mental”, afirma Prach. Para varejistas e fornecedores, isso reforça a importância de soluções que unam conveniência, clareza e valor percebido, sem elevar a complexidade operacional. Simplificar a decisão é gerar valor no ponto de venda A fadiga de escolha é um fator cada vez mais presente no comportamento do shopper. Quanto mais simples for a decisão, maior a chance de conversão. Kits de refeição, produtos prontos para consumo, combos inteligentes e sortimentos bem curados ganham protagonismo. “Quando tudo já vem organizado e pensado, o consumidor deixa de começar do zero”, explica Prach. Para o varejo supermercadista, isso significa investir em merchandising funcional, sinalização clara e sortimento estratégico, reduzindo o excesso de opções e aumentando a rotatividade. Conforto emocional impulsiona categorias tradicionais Laticínios, frios e panificação sempre tiveram forte apelo emocional. Em 2026, esse atributo segue relevante, mas com uma atualização importante: o consumidor busca conforto sem abrir mão de qualidade, identidade e personalização. A nostalgia continua sendo um ativo poderoso, mas agora acompanhada de inovação moderada. “As pessoas querem se orgulhar do que servem. Querem sentir que participaram da criação”, destaca Prach. Para o varejo supermercadista, isso se traduz em oportunidades para linhas artesanais, edições especiais, produtos com storytelling e experiências de compra mais humanas, especialmente nos setores de produção própria e serviços de balcão. Confiança deixou de ser diferencial e virou pré-requisito Outro ponto central para 2026 é a confiança. O consumidor está mais atento à composição dos produtos, à procedência dos ingredientes e à transparência das informações. Rótulos claros, ingredientes reconhecíveis e processos menos industrializados deixaram de ser tendência e passaram a ser exigência. “Produto limpo hoje é o mínimo. É uma expectativa básica”, afirma Prach. No varejo supermercadista, isso reforça a necessidade de alinhamento entre indústria e varejo, garantindo comunicação clara, padronização de informações e sinalização eficiente no ponto de venda, fatores que impactam diretamente a decisão de compra e a fidelização. Estratégia integrada para departamentos periféricos Quando analisadas em conjunto, as atitudes de simplificação, conforto e confiança oferecem um guia estratégico para os departamentos de laticínios, delicatessen e panificação. O varejo supermercadista que souber traduzir essas demandas em sortimento, exposição e serviços estará melhor preparado para um consumidor mais exigente — e menos disposto a perder tempo. Como resume Heather Prach: “Os consumidores querem honestidade, praticidade, funcionalidade e diversão, com um toque de sofisticação acessível, conforto e conveniência”. Para varejistas e fornecedores, alinhar-se a essas expectativas não é apenas acompanhar tendências — é construir relevância e competitividade em um mercado cada vez mais dinâmico.
06/01/2026
Atualidades
Anvisa suspende lote de chá de camomila por contaminação com larvas e insetos
A Anvisa determinou o recolhimento do lote 6802956 do Chá de Camomila Lavi Tea após identificar larvas, fragmentos de insetos e outras matérias estranhas acima dos limites permitidos, reforçando o alerta ao varejo supermercadista sobre a importância do controle rigoroso da qualidade dos alimentos em toda a cadeia. De acordo com a Anvisa, análises laboratoriais apontaram a presença de 14 larvas inteiras e 224 fragmentos de insetos em apenas 25 gramas do produto — quando o limite aceitável é de até 90 fragmentos para a mesma quantidade. Além disso, o ensaio de identificação histológica revelou talos, ramos e sementes incompatíveis com o padrão esperado para o chá de camomila, evidenciando falhas relevantes nas boas práticas de fabricação. Para o consultor técnico de Segurança Alimentar da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (ASSERJ), Flávio Graça, o caso reforça o papel estratégico da microscopia de alimentos como ferramenta de gestão preventiva no varejo. “O exame microscópico é fundamental para identificar contaminantes físicos e biológicos que não são visíveis a olho nu, como fragmentos de insetos, larvas, pelos de roedores ou partículas estranhas. Esses achados indicam falhas em etapas críticas, como produção, armazenamento ou transporte”, explica Graça. Segundo o especialista, embora a responsabilidade primária pela fabricação seja da indústria, o varejo supermercadista também precisa estar atento aos seus processos internos, especialmente no recebimento, armazenamento e rastreabilidade dos produtos. “Quando um problema desse tipo vem à tona, o impacto não é apenas sanitário, mas também operacional e reputacional. Retiradas emergenciais de produtos, comunicação com consumidores e possíveis sanções regulatórias geram custos e desgastes que poderiam ser minimizados com controles mais rigorosos e fornecedores bem avaliados”, destaca. Graça ressalta ainda que a avaliação microscópica contribui diretamente para a proteção da saúde do consumidor e para a conformidade com a legislação sanitária. “A microscopia não é apenas um ensaio técnico, mas um instrumento de segurança alimentar. Ela ajuda a garantir que o alimento chegue ao consumidor dentro dos padrões aceitáveis e protege o varejo de riscos legais e de imagem”, afirma. O episódio envolvendo o chá de camomila reforça a necessidade de o varejo supermercadista investir continuamente em boas práticas, qualificação das equipes, auditorias internas e relacionamento próximo com fornecedores. Em um cenário de consumidores cada vez mais atentos à segurança dos alimentos, a prevenção se consolida como um diferencial competitivo — e não apenas como uma exigência regulatória.
06/01/2026
Por dentro da asserj
A 1ª Revista Super Negócios de 2026 está no ar!
Já está disponível a edição de janeiro da Revista Super Negócios, publicação da ASSERJ que abre o ano trazendo análises, tendências e cases essenciais para quem atua no varejo supermercadista. Com uma curadoria de temas atuais e olhar prático para a gestão, a revista reforça seu papel como leitura estratégica para empresários, executivos e gestores do setor. A matéria de capa, “Conquistar é o novo vender”, aponta como o relacionamento, a experiência do cliente e a fidelização assumem protagonismo em um mercado cada vez mais competitivo. O conteúdo dialoga diretamente com o momento do setor, que exige mais inteligência comercial e conexão com o consumidor. Para o presidente da ASSERJ, Fábio Queiróz, a edição de janeiro chega em um momento decisivo. “A Super Negócios abre o ano trazendo reflexões fundamentais para o varejo supermercadista. É uma leitura que ajuda o empresário a enxergar além da operação diária e a tomar decisões mais estratégicas”, afirma. Entre os destaques editoriais, a seção Indústria em Cena apresenta a trajetória da Sloop e mostra como uma marca familiar se consolidou como líder no segmento de sorvetes no Rio de Janeiro. Já o Super Papo traz uma entrevista com Ulisses Merat, gerente regional da MBRF Global Foods, ampliando o debate sobre indústria e varejo. A editoria Gestão Eficiente, Lucro Certo aborda o papel da liderança e mostra como o gerente pode ser um verdadeiro motor de resultados. Em Associado em Foco, ações de redes como Supermarket, Prezunic e Redeconomia reforçam boas práticas e iniciativas de sucesso no estado. O Caderno Especial desta edição analisa a aceleração da demanda por bebidas zero, enquanto o Conecta Varejo discute como o ERP especializado deixa de ser apenas uma ferramenta operacional para se tornar um ativo estratégico. O Espaço Trade revela como marcas como Jim Beam, Coca-Cola, Heineken e Bauducco estão ativando o ponto de venda nos supermercados. A revista também traz conteúdos institucionais em Por Dentro da ASSERJ, com destaque para o recorde de embalagens recolhidas pelas Retorna Machines e para a pesquisa da entidade que ganhou repercussão em O Globo. Há ainda espaço para histórias inspiradoras, como a trajetória de Ailton Coquito, presidente do Redeconomia Alfa e Ômega, na editoria Eu no Varejo. Completam a edição pautas práticas e de planejamento, como Cheguei na Gôndola, Boas Vendas, que coloca a Páscoa no radar desde já, além de Vem Aí, com novidades sobre a SRE Super Rio Expofood 2026, e o tradicional Papo de Adega, que analisa as categorias de vinhos com melhor desempenho no calor. “É uma edição pensada para informar, provocar reflexão e apoiar o crescimento do setor. Por isso, consideramos uma leitura obrigatória para quem quer começar o ano bem informado e preparado”, destaca Fábio Queiróz. CLIQUE AQUI e confira a Revista Super Negócios de janeiro
05/01/2026
Economia
Dólar em 2026: o que esperar e como o câmbio pode impactar o varejo supermercadista
Depois de surpreender positivamente em 2025, com queda superior a 10% — o melhor desempenho do real desde 2016 —, o dólar entra em 2026 cercado de expectativas mais moderadas. Para o varejo supermercadista, que convive diariamente com impactos do câmbio sobre preços, margens e custos logísticos, o tema segue no centro das decisões estratégicas. Projeções de oito grandes instituições financeiras indicam que a moeda norte-americana deve oscilar entre R$ 5,20 e R$ 5,90 ao longo de 2026, refletindo um cenário externo mais favorável, mas ainda marcado por incertezas internas, especialmente no campo político. Juros elevados favorecem o real no curto prazo Um dos principais fatores de sustentação do real no início do ano é o chamado carry trade. Com a taxa Selic ainda elevada — atualmente em 15% —, investidores seguem atraídos pelo diferencial de juros entre Brasil e economias desenvolvidas. A expectativa é que o Banco Central só comece a reduzir a Selic a partir de março de 2026, mantendo o Brasil competitivo no curto prazo para entrada de capital estrangeiro. Para o varejo supermercadista, esse movimento tende a aliviar pressões sobre produtos importados, insumos dolarizados, embalagens, fertilizantes e commodities precificadas em dólar, contribuindo para maior previsibilidade na formação de preços. Política monetária dos EUA pressiona o dólar globalmente No cenário internacional, o Federal Reserve deve dar continuidade ao ciclo de cortes de juros iniciado em 2025. Segundo analistas, essa estratégia tende a enfraquecer o dólar frente a outras moedas. Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o mercado já precifica novos cortes. “A curva de juros embute ao menos duas reduções adicionais em 2026, o que gera pressão negativa sobre a moeda americana”, afirma. Esse contexto pode beneficiar países exportadores de commodities, como o Brasil, favorecendo o equilíbrio cambial e reduzindo volatilidades nos custos da cadeia de abastecimento. Eleições no Brasil trazem cautela ao mercado Apesar do ambiente externo mais benigno, o fator eleitoral no Brasil surge como ponto de atenção. A proximidade das eleições tende a aumentar a volatilidade do câmbio, impactando diretamente o planejamento financeiro das empresas do setor. Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o diferencial de juros pode perder força ao longo do ano. “O cenário eleitoral é binário e carrega elevado grau de incerteza, o que costuma se refletir no câmbio”, avalia. Na prática, isso significa que movimentos mais fortes de valorização do real devem ser limitados, exigindo do varejo supermercadista estratégias de proteção cambial, renegociação com fornecedores e maior rigor na gestão de custos. Tendência global ainda favorece dólar mais fraco Relatórios da Ágora apontam que a diversificação das reservas globais, o fortalecimento de moedas ligadas a commodities e a busca por maior autonomia financeira em diferentes regiões seguem contribuindo para um dólar estruturalmente mais fraco. Para o varejo supermercadista, o cenário reforça a importância de acompanhar de perto o câmbio em 2026, já que suas oscilações continuarão impactando desde o custo de produtos importados até a dinâmica de preços ao consumidor final.
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