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Tempo e temperatura: a abordagem estratégica para ampliar a vida útil do hortifrúti

18/12/2025

Atualidades
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No varejo supermercadista, o risco de perdas ainda paira como um dos maiores desafios na operação de frutas, legumes e verduras. Mesmo com a evolução de tecnologias e métodos ao longo da cadeia de abastecimento, a preservação da qualidade dos produtos segue diretamente ligada à gestão rigorosa de tempo e temperatura — fatores decisivos para sustentar a vida útil e reduzir o desperdício nas lojas.

Especialistas apontam que, mais do que transportar produtos, o varejo precisa administrar tempo utilizável de prateleira. “Frutas e hortaliças não apenas se deslocam pela cadeia de suprimentos, elas se degradam ao longo dela. Cada minuto e cada variação de temperatura reduzem a vida útil disponível para venda”, afirma Peter Bolstorff, fundador e CEO da InspireSCE , consultoria especializada em supply chain. Segundo ele, operações eficientes são aquelas desenhadas para proteger tempo, temperatura e pontos de contato, do campo até a gôndola.

Esse cuidado é ainda mais crítico no hortifrúti, categoria com o menor ciclo de vida entre os alimentos frescos. Diferentemente de carnes e laticínios, que podem manter qualidade por semanas sob refrigeração adequada, muitos produtos hortifrutigranjeiros começam a perder valor comercial poucas horas após a colheita. Falhas no controle térmico — inclusive antes do transporte — têm impacto direto: atrasos no pré-resfriamento podem reduzir de dois a três dias da vida útil do produto, elevando significativamente o risco de perdas no varejo.

Cadeia fria, planejamento e execução no PDV

Outro ponto de atenção para o varejo supermercadista está na falsa premissa de que toda a cadeia possui a mesma capacidade de manutenção da cadeia fria. Tratar o hortifrúti como um item de centro de loja, planejar promoções sem alinhamento logístico ou desconsiderar a condição real do produto ao chegar à loja são erros comuns que ampliam o índice de quebra.

Bolstorff cita o caso de uma promoção de abacate que fracassou porque os produtos chegaram às lojas com apenas dois a três dias de vida útil restante. Após um trabalho conjunto entre varejistas e parceiros logísticos, com melhor planejamento e execução, as perdas promocionais caíram em dois dígitos percentuais.

A complexidade da categoria também impõe desafios adicionais: frutas e hortaliças respiram, amadurecem, sofrem danos físicos e são altamente sensíveis ao etileno e a variações térmicas. Monitoramentos com sensores em pallets de folhosos, por exemplo, revelaram oscilações de até 10 graus durante carga e descarga — o suficiente para reduzir pela metade o tempo de frescor percebido pelo consumidor.

Nesse cenário, práticas como o modelo FEFO (First Expired, First Out), aliado ao uso de inteligência artificial para otimizar rotas, tempos de colheita e transporte, vêm ganhando espaço no varejo supermercadista. Em um dos casos citados, a redução do tempo entre colheita e resfriamento de 90 para menos de 30 minutos resultou em uma queda de 40% nas reclamações relacionadas a folhosos.