
Rio Innovation Week começou: palestra sobre mudanças na pirâmide etária abre palco Conecta Varejo

Profº Edson Machado Filho apresenta a palestra “Como a mudança na pirâmide etária está mudando os hábitos de consumo"
O Rio Innovation Week começou! Para abrir os trabalhos no Palco Conecta Varejo, localizado no Armazém 3 do Pier Mauá, o Profº Edson Machado Filho apresentou a palestra “Como a mudança na pirâmide etária está mudando os hábitos de consumo”.
O especialista abordou que, atualmente, há uma colisão de forças. Se por um lado temos um envelhecimento ativo da população, que gera uma multiplicidade de gerações consumindo em um mesmo mercado, por outro temos o crescente uso de inteligência artificial para transformar as decisões de consumo. “Estamos lançando uma nova faixa. Ao invés de ‘60+’, somos ‘Sub 100’”, brincou Edson Machado ao iniciar sua palestra.
Economia prateada
O Profº Edson Machado Filho abordou o conceito de Economia Prateada como motor do consumo global. Atualmente, a base da pirâmide etária está mais estreita e o topo expandiu, o que significa que o público 60+ se tornou um grande motor do consumo global.
Esse crescimento é ainda mais acelerado: três vezes maior que o das demais faixas etárias. “A SIlver Economy vai ser o maior motor da economia global até 2050”, destacou. A menor taxa de mortalidade e a maior expectativa de vida são alguns fatores que explicam o aumento da longevidade.
IA como divisor geracional
A presença da IA no varejo é realidade: ela já é responsável por 12% de taxa de conversão, sendo maior que o TikTok (11%). “Quanto mais a IA conhecer a gente, maior será a taxa de conversão”, explicou Edson em sua palestra.
O especialista explicou que a Inteligência Artificial vai ter um papel cada vez mais essencial em fazer as coisas por uma pessoa. “A IA vai ser nosso buscador. Vai buscar, comprar e comparar. A IA que é assistente também já ficou velha. Agora, vamos ter uma IA que vai se tornar não sua assistente, mas sua agente que vai fazer por você”, apontou Edson.
Para ele, a IA chega para devolver algo essencial ao homem: tempo. “Quando a gente olha para esse universo, é um universo que vamos ter que tomar decisões diferentes. Tudo isso vai mudar o jeito de ser humano, vamos ter mais tempo de conseguir fazer o que o humano foi feito pra fazer. [...] Ele foi feito para ser criativo e criar mudanças”, defendeu Edson.
Adaptação das novas tecnologias
Muitas pessoas acreditam que o público mais velho não se adapta bem ao uso de tecnologias, mas Edson Machado destacou que essa classificação da população 50+ como “tecnofóbica” é um erro estratégico fatal. Na verdade, o público sênior adota tecnologia em ritmo acelerado quando a interface entrega utilidade real e autonomia. Ou seja: elaborar estratégias que facilitem a experiência do usuário é o segredo para alcançar essa faixa que está crescendo cada vez mais - e é isso que pode fazer um negócio alavancar!
A grande divergência está no papel da IA em relação à privacidade e hiperpersonalização. Muitas pessoas ainda têm medo em relação à quantidade de informações que a inteligência artificial possui de um indivíduo. Além disso, alguns autores defendem que o fator humano no atendimento ganha mais peso conforme a pirâmide envelhece, enquanto outros apontam que agentes de IA autônomos desenvolverão uma linguagem tão empática que a maioria vai preferir resolver tudo por eles.
Implicações para as marcas
Edson explicou como as marcas devem se adaptar às mudanças na pirâmide etária. O autor começou fazendo uma crítica à separação entre os idosos e pessoas de outras faixas etárias. “Vamos parar de ter o design da longevidade. Se chama design universal. Não tem mais ‘aquela área é pra velhinho, tem que ter uma área especial’. Não tem. Não existe ele, existe nós. Todo mundo vai fazer parte de um grande movimento”.
Em seguida, ele explicou que teremos um agente que será responsável por tomar decisões pelas pessoas, facilitando a experiência. “Agora existe o GEO, que é um agente que vai através do seu conhecimento falar qual é o melhor produto para você.Se ele me conhecer bem, é menos uma atitude que eu tenho que tomar”, disse.
Edson contou que as marcas devem aprender como se conectar com esse agente para, assim, chegarem ao consumidor final. “Quando eu lançar um produto, vou mandar para o Edson ou para o agente dele? Para o agente dele”, explicou.
Impacto no varejo
E como o varejo fica nessa história? Edson apontou que o setor passará por uma reconfiguração completa da operação. Para começar, é importante entender a importância de transformar o ponto de venda em uma experiência, indo além da sua função tradicional.
“O PDV vai ser um ponto de encontro, vamos lá para conversar. Estamos vendo isso com grandes varejistas lá fora. As bibliotecas estão ressurgindo como ponto de encontro do pessoal do bairro”, exemplificou.
Em seguida, ele explicou que uma nova estratégia de vendas está surgindo. Nesta modalidade, o business conversa com a IA para, depois, chegar ao consumidor final.
“Vamos ter o commerce agêntico que vai recomendar. Por enquanto, porque depois ela vai comprar. [...] Agora vai ter um novo modelo que é o B2AI2C. Você vai convencer uma inteligência de que essa é a melhor compra para voce”, contou.
Edson pontuou exatamente o que o varejista precisa fazer com mais prioridade para atender à essa demanda de público que vem crescendo cada vez mais: otimizar o catálogo para IA, simplificar jornadas digitais e treinar equipes de loja para atendimento consultivo e empático no público 60+.
A importância de um design inclusivo
Edson explicou que é fundamental que desde uma criança até um idoso se sintam bem e incluídos dentro de um espaço físico. Alguns exemplos de como trabalhar o design inclusivo são ergonomia em gôndola, sinalização com maior contraste e iluminação adequada, que deixam de ser diferenciais e passam a ser pré-requisitos operacionais.
Outro ponto importante é entender que a inclusão não é necessariamente ensinar o idoso a mexer em uma nova tecnologia, mas adaptá-la às necessidades e gostos pessoais. “A nossa linguagem é falar. Então, quando começamos a entender que vamos traduzir a máquina para nossa necessidade e não ao contrário, tudo muda. O cara de 60 anos não quer aprender a digitar com os dez dedos, ele quer falar”, apontou Edson.
“Não tem mais área para criança ou velhinho. Tem área para gente. Acessibilidade não é nicho, é excelência do produto para todos [...] A inclusão vai ter que ser a palavra de ordem para todo mundo que estiver lá”, afirma.
Por fim, o especialista explicou que a ideia da inteligência artificial não é substituir o atendimento humano. O objetivo é realizar as funções mais operacionais para garantir que o lojista tenha mais tempo para acompanhar o cliente de maneira mais pessoal e humana. “A IA vai ajudar a gente em trabalho braçal e operacional [...] Nunca vai fazer o atendimento consultivo e empático. Isso é gente. O cara vai ter mais tempo para atender quem está ali”, contou.
"Tempo é a única coisa que temos e não dá pra perder ou gastar. Se você não gastou seu tempo hoje, não existe mais. Toda essa história para mim vai dar mais tempo de ser humano”, concluiu Edson.
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