roubo supermercado

Perdas no varejo supermercadista: 80% dos furtos acontecem antes do caixa

30/12/2025

Atualidades
roubo supermercado

Um novo estudo baseado em inteligência artificial revela uma mudança relevante no comportamento do furto no varejo supermercadista: 80% dos itens mais roubados são escondidos ainda na área de vendas, antes mesmo de chegarem ao caixa. O dado reforça um alerta para gestores sobre a limitação dos modelos tradicionais de prevenção de perdas, hoje fortemente concentrados no ponto de pagamento.

O furto em lojas já representa um dos maiores desafios operacionais do setor, gerando prejuízos superiores a US$ 100 bilhões por ano em escala global. Para compreender melhor como essas perdas acontecem, a Trigo — plataforma especializada em IA de visão computacional — analisou mais de 1.000 ocorrências de furto confirmadas, em parceria com grandes redes varejistas ao redor do mundo.

O levantamento oferece uma visão aprofundada sobre em que momento da jornada do cliente as perdas ocorrem, trazendo implicações diretas para a gestão de risco, eficiência operacional e retorno sobre investimento em segurança.

Principais insights para o varejo supermercadista

  • Categorias mais impactadas: bebidas (22%), produtos frescos (19%) e padaria (10%) — áreas estratégicas em tráfego e margem.

  • Ocultação é regra, não exceção: apenas 20% dos itens furtados chegam visíveis ao caixa, o que reduz significativamente a eficácia de controles focados apenas na etapa final da compra.

  • Fraudes no autoatendimento: quando os itens chegam ao caixa, as táticas mais comuns incluem “leituras falsas” (27,3%), deixar produtos no carrinho sem escanear (31,7%) ou simplesmente ignorar o leitor (14,1%).

  • Horários de maior risco: as perdas se concentram nas tardes (46,6%) e noites (30,4%) dos dias úteis, com destaque para as tardes de quinta-feira (18,4%). Já os sábados registram menor incidência (4,6%), possivelmente pela maior presença de equipes e segurança.

A análise da Trigo, que rastreia produtos desde a gôndola até a saída da loja, identificou um esquema sistemático de ocultação em escala inédita, evidenciando que a maior parte das perdas ocorre muito antes do caixa. Isso expõe um desalinhamento entre o comportamento real do furto e os sistemas convencionais de prevenção, que atuam de forma reativa, geralmente após a quebra de estoque.

“Hoje, a maioria dos varejistas só descobre o que foi roubado depois do fato consumado, por meio de auditorias, ou, no melhor cenário, identifica o problema no caixa”, afirma Daniel Gabay, CEO da Trigo.

Diante da sofisticação crescente das táticas — que evoluíram da simples evasão de scanners para o ocultamento estruturado — o estudo levanta uma questão estratégica para o setor: a infraestrutura tradicional de prevenção de perdas é suficiente ou será necessário avançar para modelos baseados em rastreamento inteligente de ponta a ponta?

Segundo a Trigo, o uso de IA de visão computacional integrada às câmeras de CFTV já existentes permite acompanhar produtos em tempo real, da prateleira à saída, ampliando a visibilidade sobre toda a operação. Essa abordagem possibilita detectar tanto o ocultamento quanto falhas intencionais no autoatendimento, criando um novo patamar de controle e eficiência.

Para o varejo supermercadista, o estudo sinaliza que o futuro da prevenção de perdas passa menos pelo caixa e mais pela jornada completa do produto dentro da loja, com impacto direto em margens, produtividade e sustentabilidade do negócio.