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Impacto das canetas emagrecedoras: uso de GLP-1 impulsiona cesta de beleza e cuidados pessoais

Levantamento da Scanntech revela alta no consumo de shampoos medicamentosos e dermocosméticos em meio à crescente no uso de remédios à base de GLP-1

07/10/2026

Mercado e tendências
Scanntech revela que cesta de beleza e cuidados pessoais apresentou aumento com crescimento do uso de canetas emagrecedoras

Scanntech revela que cesta de beleza e cuidados pessoais apresentou aumento com crescimento do uso de canetas emagrecedoras

O aumento no consumo de canetas emagrecedoras está reconfigurando diretamente o comportamento de compra nos supermercados. Segundo um levantamento da Scanntech, o Brasil acumula uma alta expressiva de 244% no uso de medicamentos à base de GLP-1 no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa aceleração ganhou ainda mais força no segundo trimestre do ano, quando a queda da patente e a chegada de novos medicamentos genéricos mais acessíveis ampliaram o acesso da população. Assim, entre o segundo e o primeiro trimestre de 2026, a adesão ao tratamento saltou 35%.

O impacto imediato da medicação na redução do apetite altera, inevitavelmente, o carrinho de compras de alimentos: reduz-se o consumo de itens indulgentes e cresce a busca por produtos saudáveis. No entanto, as transformações vão muito além do setor de alimentação. A categoria de beleza e cuidados pessoais também está sendo impactada por essa mudança comportamental.

Segundo a Scanntech, o consumidor brasileiro está diversificando sua cesta de cosméticos em busca de soluções direcionadas, ativos especializados e benefícios específicos. Esse comportamento, cada vez mais influenciado pela saudabilidade e pelos reflexos no corpo de tratamentos como o GLP-1, pode ser percebido em números.

O impacto na categoria de shampoos

Uma pesquisa da Scanntech realizada com 2 mil participantes aponta que 19% dos usuários de GLP-1 declaram ter aumentado a compra de produtos de saúde e bem-estar ao longo do tratamento. Um comportamento curioso é que os consumidores estão apresentando maior interesse em produtos especializados para cuidados com a pele e os cabelos.

Segundo o levantamento, houve um crescimento de 29,4% nas vendas em unidades de shampoos medicamentosos nos últimos doze meses. Por outro lado, os shampoos comuns apresentaram retração de 4,3% em unidades vendidas, enquanto os condicionadores apresentaram queda de 10,3%. O movimento reforça que produtos de maior especialização vem ganhando força entre os consumidores.

"A transformação no setor de cosméticos caminha lado a lado com a popularização dos tratamentos para emagrecimento. Por isso, nós avaliamos que a expansão do uso desses medicamentos está associada ao surgimento de novas necessidades de cuidado com a pele e os cabelos, justificando o dinamismo de categorias ligadas a tratamentos e ativos funcionais", explica Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech.

Vale ressaltar que um dos efeitos colaterais no uso de medicamentos à base de GLP-1 é a queda de cabelo, o que ajuda a explicar o maior interesse por shampoos medicamentosos. Além disso, o preço médio desses produtos caiu 8,9% no mesmo período, o que pode ser um fator de estímulo à maior procura.

O impacto na categoria de dermocosméticos

Além dos shampoos especializados, os produtos para pele (rosto e corpo) também receberam forte impacto. Segundo a Scanntech, os dermocosméticos - aqueles com ativos terapêuticos e promovem um tratamento mais profundo - obtiveram aumento de 8,2% em faturamento e 5,8% em unidades nos últimos 12 meses. Os principais destaques foram os produtos para tratamento corporal, com +8,8%, e para tratamento facial, +6,8%.

Seguindo a mesma tendência dos shampoos, a Scanntech notou que houve um aumento na busca por atributos mais clínicos e específicos. Por um lado, o creme para olhos cresce +25%, o sérum registra +12,7% e o tônico facial apresenta +6,2% em unidades. Já o hidratante corporal clássico obteve uma queda de 1%.

Como o supermercado pode usar esses dados a seu favor?

Afinal, como esses números impactam os supermercadistas? A Scanntech observou que a tendência de crescimento dos produtos de beleza especializados e a retração dos itens mais básicos é uma realidade tanto em farmácias quanto em supermercados ou atacarejos. Porém, existe uma diferença importante.

Enquanto na farmácia a força motriz são os produtos de maior especialização clínica (como shampoos medicamentosos, dermocosméticos, séruns e cremes para os olhos), no varejo supermercadista a expansão se concentra em itens complementares de higiene e cuidado pessoal.

Segundo Priscila Ariani, os principais destaques são: óleo corporal (+16,0% em unidades), desodorante em creme (+5,9%), sabonete líquido (+3,7%) e kits de shampoo (+3,2%).

Isso significa que os supermercados podem dar mais destaque na exposição dos itens acima, facilitando a jornada do cliente que prefere resolver essas necessidades no mesmo lugar onde faz a compra do mês. Outra dica é posicionar o setor de óleos corporais e shampoos fortalecedores perto da seção de produtos saudáveis, hortifrúti ou suplementos. Afinal, o público que busca saudabilidade e faz uso do GLP-1 circula por ali com maior frequência.

O cliente precisa saber que pode encontrar esses itens de beleza e cuidados pessoais no supermercado. Então, é importante trabalhar a sinalização clara no ponto físico e a comunicação no digital. Por fim, com o aumento na busca por produtos especializados, vale a pena colocar avisos nas gôndolas destacando os benefícios do produto (como "Ação Fortalecedora", "Firmador" ou "Hidratação Profunda"). Isso ajuda o cliente a entender qual produto é o melhor para a sua necessidade e estimula o giro.