
Consumo mais cauteloso redefine estratégias do varejo supermercadista para 2026, aponta NIQ

A volatilidade econômica deixou de ser conjuntural e passou a influenciar estruturalmente as decisões de compra dos consumidores — com impactos diretos sobre as estratégias do varejo supermercadista e de seus fornecedores. Essa é a principal leitura do Consumer Outlook: Guide to 2026, relatório global da NIQ que combina dados de comportamento e de compra para apoiar decisões estratégicas no ambiente B2B.
De acordo com o estudo, o consumo evoluiu de um padrão cauteloso para um modelo intencional, no qual cada item precisa justificar seu espaço na cesta. Para o varejo supermercadista, esse movimento exige maior precisão em sortimento, preço, comunicação e uso de dados ao longo de toda a cadeia.
“A cautela pode ser o novo normal, mas ela não significa retração automática. Para o varejo supermercadista, trata-se de entender como transformar esse comportamento em decisões mais inteligentes de portfólio, experiência e execução”, afirma Marta Cyhan-Bowles, diretora de Comunicações e chefe do COE de Marketing Global da NIQ.
Confiança do consumidor exige leitura estratégica dos dados
Um dos principais alertas do relatório é o descompasso entre percepção e realidade financeira. Os consumidores se sentem mais preparados para lidar com a volatilidade, mas continuam pressionados por inflação, custos de crédito e despesas essenciais.
Para supermercadistas e indústrias, isso reforça a importância de planejamento orientado por dados, com decisões que considerem elasticidade de preço, comportamento por missão de compra e regionalização do consumo. “Os compradores se adaptaram à instabilidade, mas isso não reduziu a pressão sobre o orçamento. A volatilidade se tornou uma condição permanente, e os líderes do varejo precisam planejar seus negócios a partir dessa premissa”, destaca Marta.
Cada item precisa provar seu valor na gôndola
O relatório aponta que os gastos passaram a ser altamente seletivos. No ambiente do varejo supermercadista, isso se traduz em maior disputa por espaço na gôndola e na cesta do consumidor. Marcas e varejistas que oferecem conveniência, personalização e confiança tendem a capturar maior share.
Nesse cenário, o estudo indica que estratégias baseadas exclusivamente em reajustes de preço perderam eficácia. “O consumidor está esgotado de aumentos. O crescimento passa por sortimentos mais assertivos, inovação relevante e marcas próprias bem posicionadas, capazes de ampliar o valor percebido sem pressionar o orçamento”, explica a executiva da NIQ.
Marcas próprias ganham protagonismo estratégico
O avanço das marcas próprias é outro ponto central do Consumer Outlook. Longe de serem apenas uma alternativa econômica, elas se consolidam como ferramenta de fidelização, margem e diferenciação competitiva no varejo supermercadista.
Esse movimento também pressiona marcas nacionais a revisarem suas propostas de valor, inovação e comunicação para permanecerem relevantes na cesta do shopper.
Varejistas como plataformas de mídia e dados
O relatório destaca ainda a ascensão das redes de mídia de varejo (RMNs) como um novo pilar estratégico B2B. Ao integrar dados de compra, publicidade e jornada omnichannel, o varejo supermercadista assume um papel central na conexão entre marcas e consumidores. “As RMNs estão remodelando a forma como fabricantes e varejistas colaboram. Para o consumidor, os benefícios são claros; para o ecossistema B2B, trata-se de repensar escala, monetização e parceria baseada em dados”, afirma Marta Cyhan-Bowles.
Inovação orientada por custo e eficiência
A volatilidade das commodities vem impulsionando a inovação focada em eficiência e acessibilidade. Reformulações, alternativas de ingredientes e ajustes de portfólio surgem como respostas estratégicas para preservar margem, competitividade e confiança do consumidor.
Para o varejo supermercadista, o desafio é equilibrar custo, disponibilidade e valor percebido — mantendo a operação resiliente em um ambiente de pressão constante.
Comércio ininterrupto eleva o padrão operacional
Por fim, o Consumer Outlook: Guide to 2026 aponta a convergência entre comércio social, quick commerce e RMNs, criando um ecossistema de comércio ininterrupto, que exige execução integrada entre indústria, varejo e tecnologia. “Os consumidores esperam experiências de compra contínuas, personalizadas e sem fricção. Para o varejo supermercadista e seus parceiros, isso eleva o nível de exigência operacional e estratégica”, conclui Marta.
O relatório reforça que, em um cenário de cautela estrutural, o crescimento no varejo supermercadista será resultado direto de decisões mais precisas, colaboração B2B e uso inteligente de dados — fatores que definirão os vencedores de 2026 e além.
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