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Tecnologia, dados e estratégia: o caminho para vender mais e melhor
O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) teve continuidade com a palestra “Somos todos vendedores: dados que movem o lucro”, ministrada por Priscila Ariani, da diretora de Marketing da Scanntech. A apresentação trouxe uma reflexão central: no varejo supermercadista, todas as áreas da empresa impactam diretamente as vendas e os dados são o elo que conecta estratégia, operação e resultado. Logo no início, a executiva destacou que o conceito de vendas vai além do setor comercial. “Toda a empresa está voltada para o mesmo núcleo, que começa com vendas. Não é apenas vender mais por vender, mas vender melhor, fidelizar o consumidor e aumentar a margem”, afirmou. Cultura orientada por dados A Scanntech, segundo Priscila, atua conectando-se via API aos sistemas dos varejistas, capturando informações de vendas diretamente dos caixas. Com isso, a empresa analisa dados “ticket a ticket”, formando uma base robusta de inteligência de mercado. Atualmente, a companhia lê cerca de R$ 1,1 trilhão em vendas por ano — o equivalente a aproximadamente 9% do PIB brasileiro, sendo R$ 971 bilhões concentrados no varejo supermercadista. “É uma base extremamente representativa, que permite entender o comportamento do shopper e transformar isso em eficiência operacional e aumento de margem”, explicou. A executiva reforçou que empresas orientadas por dados apresentam desempenho superior. Segundo ela, supermercadistas que utilizam a plataforma crescem, em média, até 9 pontos percentuais a mais do que aqueles que ainda tomam decisões baseadas apenas na intuição. Precificação estratégica: equilíbrio entre margem e competitividade Um dos exemplos práticos apresentados foi o impacto da precificação. Priscila destacou que o preço é um dos principais fatores para equilibrar competitividade e rentabilidade. A estratégia passa pela classificação de produtos em curvas A, B e C: Curva A: itens de alto giro e formadores de imagem de preço (cerca de 50% do faturamento); Curva B: produtos intermediários; Curva C: itens com menor impacto na percepção de preço. A partir dessa segmentação, um varejista pode definir estratégias específicas, como manter preços competitivos na curva A e trabalhar margens maiores nas demais. Com o uso de dados de mercado, é possível ajustar esses posicionamentos com precisão. “Sem tecnologia, é inviável monitorar milhares de itens e concorrentes. Com dados, o varejista deixa de ‘achar’ e passa a decidir com segurança”, destacou. Gestão de sortimento e impacto direto no resultado Outro case apresentado mostrou como a análise de dados pode melhorar o sortimento. Ao identificar produtos relevantes no mercado que não estavam presentes nas lojas, uma rede conseguiu otimizar categorias e aumentar a eficiência. O resultado foi um crescimento de 1% no faturamento, além de ganho adicional de 0,2 ponto percentual na margem. “Não se trata de ter tudo, mas de saber exatamente o que faz sentido ter e por quê”, explicou Priscila. Ruptura: o inimigo invisível das vendas A palestra também abordou o impacto da ruptura — quando o produto não está disponível na gôndola. Em um dos exemplos, uma rede apresentava índice de ruptura de 13%, quase o dobro da média de mercado, de 6,8%. O problema, muitas vezes, não era falta de produto, mas falhas operacionais, como estoque virtual ou itens fora da gôndola. “Cada ruptura representa venda perdida, cliente insatisfeito e perda de lealdade”, ressaltou. Com o uso de dados, a empresa conseguiu identificar falhas, corrigir processos de abastecimento e negociar melhorias com a indústria. O resultado foi a redução da ruptura para níveis abaixo da média do mercado e a reversão de queda nas vendas para crescimento acima do setor. Integração entre áreas impulsiona resultados A principal mensagem da palestra foi a necessidade de integração entre áreas como pricing, gestão de categorias e abastecimento. “Mesmo quem não está diretamente em vendas é responsável pelo resultado. Somos todos vendedores”, reforçou. Ao combinar apenas três frentes — precificação, sortimento e abastecimento —, o case apresentado mostrou crescimento de 2% no faturamento e aumento de 1 ponto percentual no lucro. Transformação cultural como diferencial competitivo Para Priscila, o maior desafio não é tecnológico, mas cultural. A adoção de uma mentalidade orientada por dados precisa partir da liderança e se espalhar por toda a organização. “Quando o varejista deixa a transformação por dados para depois, está deixando dinheiro na mesa. E o pior: outros não estão”, alertou. A executiva encerrou destacando que a tecnologia já está disponível — e que a diferença competitiva está na capacidade de utilizá-la de forma estratégica.
19 de March, 2026
Por dentro da ASSERJ
NR-1 coloca saúde mental no centro e acende alerta jurídico no varejo supermercadista
O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) teve continuidade com a palestra “Da Norma à Cultura: O Desafio da NR-1 nas Operações de Varejo”, ministrada pela advogada trabalhista Dra. Bárbara Ferrari. A especialista trouxe um panorama prático sobre as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e alertou: a fiscalização mais efetiva começa a partir de 26 de maio. Segundo ela, a atualização da NR-1, que historicamente tratava de riscos físicos, químicos e biológicos, passou a incorporar os riscos psicossociais como elemento central das relações de trabalho. “Não é uma norma que surgiu do nada. Ela responde a um aumento consistente de adoecimentos mentais ligados ao trabalho ao longo dos últimos anos”, destacou. Dados apresentados pela especialista mostram a dimensão do problema. Em 2012, cerca de 213 mil afastamentos estavam relacionados a doenças mentais. Após a pandemia de Covid-19, os números cresceram significativamente, chegando a mais de 470 mil casos em 2024 e ultrapassando 520 mil afastamentos em 2025. Transtornos de ansiedade (65%), depressão (58%) e burnout (35%) lideram as ocorrências. Além disso, mais de 12 milhões de dias de trabalho foram perdidos em 2022 por questões ligadas à saúde mental, evidenciando o impacto direto tanto para empresas quanto para o sistema previdenciário. Da obrigação legal à mudança cultural Bárbara Ferrari reforçou que o principal erro das empresas ao lidarem com a nova NR-1 é tratá-la apenas como uma exigência documental. “Não basta incluir o risco psicossocial no PGR. O Ministério do Trabalho exige ação: identificar, monitorar e, principalmente, mitigar esses riscos”, afirmou. Nesse contexto, a implementação da norma exige integração entre diferentes áreas, como Recursos Humanos, jurídico e operações. Para a especialista, o RH assume papel estratégico: “Hoje, o RH é parte da gestão do negócio. Sem ele, não há mudança de cultura — e sem cultura, a NR-1 não funciona”. Impactos jurídicos e financeiros O descumprimento da norma pode gerar consequências relevantes. Embora multas administrativas possam partir de cerca de R$ 20 mil, o maior risco está nas ações coletivas e individuais. “Indenizações por danos morais, pensões vitalícias e ações civis públicas podem alcançar valores milionários”, alertou. Outro ponto crítico é o impacto no Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que pode elevar a carga tributária das empresas conforme o número de afastamentos registrados. Além disso, a reputação corporativa também entra em jogo, dificultando a atração e retenção de talentos. O que são os riscos psicossociais Entre os principais riscos psicossociais no ambiente de trabalho, a especialista destacou: Assédio moral, sexual e político Relações interpessoais deterioradas Falta de clareza nas funções Lideranças despreparadas Jornadas excessivas e metas abusivas Eventos traumáticos no ambiente de trabalho No varejo supermercadista, fatores como contato direto com o público, tarefas repetitivas, falhas na gestão de escalas e deficiência na comunicação agravam esse cenário. Caminhos para a implementação Para atender às exigências da NR-1, Ferrari sugere um conjunto de ações práticas: Diagnóstico do ambiente organizacional Aplicação de questionários anônimos validados Realização de grupos focais com մասնissionais especializados Monitoramento de indicadores como absenteísmo Criação de políticas institucionais claras Implantação de canais seguros de denúncia Treinamento contínuo de lideranças “Sem treinamento de liderança, não existe NR-1 efetiva. A comunicação dentro das empresas precisa ser clara, respeitosa e alinhada à cultura organizacional”, enfatizou. Mais do que norma, estratégia de negócio Encerrando a apresentação, a especialista destacou que a NR-1 deve ser vista como uma oportunidade estratégica. “Não se trata apenas de cumprir uma obrigação legal. É sobre garantir a saúde do trabalhador e, consequentemente, a sustentabilidade do negócio”, concluiu. A palestra reforçou que, em um cenário de crescente atenção à saúde mental, o varejo supermercadista precisará ir além do cumprimento formal da legislação e investir, de fato, em ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.
19 de March, 2026
Por dentro da ASSERJ
Como FIDCs ganham espaço e transformam área financeira em motor de lucro no varejo
O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) trouxe à tona um tema estratégico para o futuro das empresas: a gestão financeira como alavanca de competitividade. Em palestra com o tema “Estrutura Financeira Importa: o papel do braço financeiro e dos FIDCs proprietários na sustentabilidade e competitividade das empresas”, Tiago Martinelli, coordenador de Novos Negócios da Catálise, apresentou como grandes grupos têm transformado a área financeira em um verdadeiro motor de geração de valor. Segundo o especialista, empresas que estruturam um braço financeiro próprio conseguem capturar margens que, tradicionalmente, seriam destinadas a bancos e instituições financeiras. “Quando uma empresa vende a prazo ou negocia com fornecedores, ela já está realizando uma atividade financeira. O que muda agora é que, com estruturas como os FIDCs proprietários, ela passa a internalizar esses ganhos”, explicou. Martinelli destacou que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) têm ganhado espaço no Brasil por permitirem que empresas financiem suas próprias operações com mais eficiência e menor custo. “Hoje, as empresas não precisam mais montar um banco ou uma financeira. Com fundos estruturados, é possível criar uma operação robusta, com gestão especializada e maior competitividade”, afirmou. O executivo também ressaltou o impacto direto na saúde financeira das companhias, especialmente aquelas enquadradas no regime de lucro real. Ao transformar parte das receitas em despesas financeiras — por meio da antecipação de recebíveis dentro do próprio grupo — as empresas conseguem reduzir a base de tributação. “Não se trata apenas de economia fiscal, mas de inteligência financeira. É uma forma de preservar caixa, aumentar a rentabilidade e reinvestir no negócio”, pontuou Tiago Martinelli. Outro ponto abordado foi o potencial dos FIDCs para financiar toda a cadeia produtiva, desde clientes até fornecedores e colaboradores. “A empresa passa a ter autonomia para gerir crédito, antecipar pagamentos, financiar estoques e até oferecer crédito consignado aos funcionários. É uma mudança de mentalidade: o negócio deixa de depender exclusivamente dos bancos e assume o controle da sua própria estrutura financeira”, disse o especialista. De acordo com Martinelli, o avanço desse modelo já é visível no mercado. Grandes empresas brasileiras e multinacionais têm adotado estruturas semelhantes para otimizar resultados e ganhar escala. “Estamos falando de uma indústria que já se aproxima de R$ 1 trilhão no Brasil. É uma transformação silenciosa, mas extremamente relevante para a competitividade das empresas”, destacou. Por fim, o especialista reforçou que a implementação desse tipo de estrutura exige governança, tecnologia e integração de sistemas, mas pode ser decisiva para o crescimento sustentável das companhias. “As empresas que entenderem o papel estratégico da área financeira sairão na frente. Não é mais só sobre vender mais, mas sobre ganhar melhor”, concluiu Tiago Martinelli.
19 de March, 2026
Por dentro da ASSERJ
Rodada de Negociação do Prezunic movimenta terceiro dia da SRE; veja os principais momentos
O terceiro dia da SRE Super Rio Expofood 2026 começou em ritmo acelerado com a realização da Rodada de Negociação do Prezunic, reunindo colaboradores da rede e parceiros da indústria em um ambiente marcado por integração e novidades para o ano, apresentadas pelo diretor geral do Prezunic e SPID, Gerson Estevam, e pela diretora comercial, Patrícia Rotelli. Na ocasião, eles destacaram o compromisso da empresa com inovação, crescimento sustentável e fortalecimento das relações com a indústria. O evento tem como objetivo fortalecer o relacionamento com os parceiros e abrir espaço para oportunidades de negócios. Durante o encontro, o presidente da ASSERJ e da ALAS, Fábio Queiróz, reforçou a importância da colaboração entre varejo supermercadista e indústria, destacando o papel estratégico do uso de dados e da confiança mútua. Segundo ele, o futuro do setor passa por um CRM integrado e pelo compartilhamento responsável de informações. “A confiança recíproca é uma das chaves para ganhar esse jogo”, afirmou, ao alertar também para a importância da proteção de dados e do uso consciente da LGPD. Queiróz ainda chamou atenção para as mudanças no comportamento do consumidor, impulsionadas pelo avanço do digital e por fatores sazonais, como eventos e calendário comercial. Ele destacou que a loja física precisa evoluir para se tornar um espaço de experiência, onde o cliente escolha estar, e não apenas vá por necessidade. Dados apresentados durante o encontro apontam que 42% da nova geração já realiza compras online no setor de forma geral, o que reforça a necessidade de adaptação do varejo, com lojas mais estratégicas e integradas a novas dinâmicas de consumo. Outro ponto enfatizado por Fábio foi a importância de práticas mais estruturadas na relação entre indústria e varejo, como o fortalecimento de JBP (Joint Business Plan) e JVC (Joint Value Creation), com foco em geração de valor e não apenas em preço. “O preço é indissociável do varejo, mas é o valor que cada vez mais ganha esse jogo”, destacou o executivo. A Rodada de Negócios também contou com a premiação de indústrias parceiras, reconhecendo empresas que se destacaram na construção de resultados junto à rede. Representantes do setor reforçaram a relevância do Prezunic como parceiro estratégico no mercado do Rio de Janeiro. Pedro Henrique Cerqueira, gerente de vendas da Nestlé, destacou o papel da rede como uma bandeira inovadora. “Saímos daqui com a cota fechada e com a certeza de bons negócios”, afirmou. Já Claudinei Lopes, da Marquespan, ressaltou a relação histórica com o Prezunic, que acompanha a trajetória da empresa no estado há mais de uma década. “É uma parceria consolidada e de grande importância para o nosso crescimento”, disse. Para Florivaldo Júnior, diretor comercial da BRF, a parceria com o Prezunic fortalece a presença das marcas no mercado fluminense. “Associar marcas como Sadia, Perdigão e Qualy a parceiros fortes como o Prezunic é fundamental para o nosso desempenho na região”, destacou. Outro parceriro presente foi Henrique Macedo, supervisor de Marketing da Coca-Cola Andina. Segundo ele, a parceria com o Prezunic se consolida pela forma estruturada e integrada de atuação entre as áreas de mídia e comercial, o que potencializa os resultados. “A nossa experiência tem sido muito positiva. É uma relação que vem impulsionando não só os resultados da nossa indústria, mas de toda a categoria de bebidas”, afirmou. A abertura do terceiro dia da SRE com a Rodada de Negócios do Prezunic reforça o papel do evento como um ambiente estratégico para geração de oportunidades, fortalecimento de relações comerciais e construção conjunta de soluções para os desafios do varejo supermercadista.
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