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Anvisa interdita lote de leite condensado La Vaquita por risco sanitário

04/02/2026

Indústria em cena
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a interdição cautelar do leite condensado semidesnatado da marca La Vaquita após a reprovação de um lote em análise microbiológica. O teste identificou níveis acima do permitido da bactéria Staphylococcus aureus no lote 183/3 B.

A medida tem validade em todo o território nacional e foi oficializada por meio de publicação no Diário Oficial da União. Segundo a Anvisa, a interdição possui caráter preventivo e tem como objetivo impedir que produtos potencialmente contaminados cheguem ao consumidor enquanto as apurações seguem em andamento.

A análise que embasou a decisão foi realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen-RJ). O resultado foi considerado insatisfatório por ultrapassar os limites microbiológicos estabelecidos pela legislação sanitária vigente para produtos lácteos, indicando possíveis falhas em alguma etapa do processo produtivo.

Detalhes da resolução

A interdição está prevista na Resolução-RE nº 405, de 30 de janeiro de 2026, que estabelece um prazo inicial de 90 dias. Durante esse período, a empresa responsável deverá providenciar o recolhimento do lote do mercado e apresentar contraprova para nova avaliação.

De acordo com a Anvisa, o produto descumpre os critérios definidos na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 724/2022, que fixa os padrões microbiológicos para alimentos no Brasil.

Sobre a bactéria identificada

A Staphylococcus aureus é uma bactéria comumente encontrada na pele, nas mucosas nasais e na garganta de pessoas saudáveis ou doentes, além de poder ter origem no leite de vacas infectadas.

Segundo o consultor técnico de Segurança Alimentar da ASSERJ, Flávio Graça, a presença do microrganismo em alimentos lácteos está diretamente associada a falhas no controle sanitário.

“Em alimentos lácteos, sua detecção acima dos limites permitidos geralmente indica falhas em alguma etapa da produção, seja na ordenha, no processamento, na manipulação ou na higiene dos equipamentos”, explica.

O especialista alerta ainda que o risco não está apenas na bactéria em si, mas nas toxinas que ela pode produzir.

“Algumas cepas produzem toxinas resistentes ao calor. Isso significa que, mesmo após processos térmicos, o alimento pode continuar impróprio para consumo, representando risco à saúde pública. O produto deve ser retirado imediatamente dos pontos de venda, com registro da medida preventiva, para proteger o consumidor e resguardar o estabelecimento”, acrescenta.

Riscos à saúde

A ingestão de alimentos contaminados com toxinas produzidas pela Staphylococcus aureus pode causar intoxicação alimentar de início rápido, geralmente entre uma e seis horas após o consumo. Os sintomas mais comuns incluem náuseas, vômitos intensos, cólicas abdominais e diarreia. Em alguns casos, podem ocorrer dores de cabeça, dores musculares e alterações na pressão arterial, sendo a febre incomum.

Embora a recuperação costume ocorrer em um a três dias, a intensidade dos sintomas pode levar à desidratação, exigindo atendimento médico. Crianças, idosos e pessoas imunocomprometidas estão mais suscetíveis a complicações.

"Manipuladores de alimentos que apresentem infecções respiratórias, com sinais de tosse, coriza e espirros, devem comunicar seus superiores para que sejam imediatamente afastados das atividades operacionais", ressalta Graça.

A Anvisa orienta que qualquer pessoa que apresente sintomas após consumir o produto do lote afetado procure imediatamente um serviço de saúde para avaliação e tratamento adequados.

Procurada pela ASSERJ, a La Vaquita não retornou até o fechamento desta matéria.