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Comportamento & tendência
FLV em números: os 97% que sustentam o setor e os 57% que acendem o alerta
O setor de frutas, legumes e verduras (FLV) vem consolidando seu papel como um dos principais motores de atração e rentabilidade no varejo supermercadista. Mais do que uma área operacional, o espaço tem sido tratado como uma verdadeira ferramenta estratégica para aumentar o fluxo de clientes, elevar o ticket médio e fortalecer a percepção de valor dentro das lojas. Para o especialista em varejo Dimas Dantas, o ponto de partida está na forma como o setor é apresentado ao consumidor. “A primeira função do FLV é atrair o cliente. A segunda é fazer ele comprar mais”, afirma. Segundo ele, a execução faz toda a diferença: “E nada cumpre melhor esse papel do que um FLV montado no formato de banca de feira: exposição aberta, volume alto, cor, iluminação forte e produto fácil de pegar.” A lógica por trás desse modelo é direta. “O cliente compra FLV pelo olho. Quando ele enxerga abundância, ele entende duas coisas imediatamente: frescor e qualidade, além da percepção de preço baixo”, explica Dimas. De acordo com o especialista, essas percepções combinadas aumentam o tempo de permanência no setor e estimulam a compra de mais itens, inclusive aqueles com maior margem. “É assim que você usa o FLV como gerador de tráfego e de margem ao mesmo tempo: atrai pelo volume e vende pelo layout.” Essa abordagem reforça a importância de uma execução cuidadosa. Quando o setor apresenta baixa volumetria, iluminação inadequada ou organização pouco atrativa, o impacto negativo nas vendas pode ser significativo, ainda que nem sempre perceptível no dia a dia. “FLV não é apenas exposição de frutas; é uma estratégia comercial para fazer o cliente comprar mais, aumentar o ticket médio e fazer o setor cumprir o papel dele dentro do supermercado”, complementa. Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico começa a redesenhar a gestão da categoria. Para Marco Perlman, cofundador e CEO da Aravita, o setor já atingiu maturidade operacional, mas ainda há espaço para evolução na gestão. “O varejo brasileiro já domina a operação de FLV. O próximo passo é ampliar a qualidade da gestão com ferramentas capazes de acompanhar um ambiente cada vez mais dinâmico”, afirma. Ele destaca o papel da inteligência artificial como diferencial competitivo. “Ao adotar a inteligência artificial como aliada estratégica, o supermercadista fortalece sua competitividade, suas margens e cria bases mais sólidas para crescer com eficiência, previsibilidade e responsabilidade.” No ponto de venda, a demanda do consumidor também vem evoluindo. Segundo Marcílio Santos, a busca por praticidade já impacta diretamente o sortimento e a forma de exposição. “O consumidor quer além de um FLV fresco e bonito, deseja praticidade. Na nossa loja, temos uma área que, por exemplo, em que as frutas já estão cortadas”, relata. Os dados de mercado confirmam a relevância e os desafios do segmento. De acordo com a Food Industry Association, 57% dos consumidores compram produtos frescos em grandes varejistas e hipermercados. Apesar de os supermercados ainda liderarem a preferência, formatos com posicionamento de preços baixos vêm ganhando espaço, impulsionados pela redução do poder de compra. O estudo “Power of Produce” aponta ainda que o consumo de FLV é cada vez mais fragmentado: os consumidores compram, em média, em dois a três canais diferentes. Esse comportamento reforça a necessidade de diferenciação no ponto físico, especialmente considerando que mais de 97% das vendas de produtos frescos ainda ocorrem nas lojas. Outro dado relevante é a retração das compras online na categoria. A participação caiu para 37% em 2024, após atingir 64% em 2020. Ainda assim, o canal digital mantém um público fiel, especialmente entre consumidores de maior renda, que apresentam maior frequência de consumo de produtos frescos.
22/04/2026
Conecta
Omnichannel impulsiona consumo: 69% das vendas já sofrem influência digital
Segundo estudo da Grocery Doppio, a jornada de compra do consumidor mudou. Impulsionado pela digitalização acelerada nos últimos anos, o varejo supermercadista entrou definitivamente na era omnichannel, na qual o cliente transita entre o físico e o digital com naturalidade e expectativas cada vez mais altas. A conclusão é de um levantamento realizado com mais de 5 mil consumidores e mais de 200 executivos do setor em todo o mundo, que mostra que essa transformação não apenas se consolidou, como passou a ditar o ritmo do mercado. De acordo com dados do estudo, atualmente, 69% de todas as vendas são influenciadas por interações digitais, mesmo quando a compra acontece dentro da loja. E, mais do que isso, 73% dos consumidores já compraram online, reforçando que o digital deixou de ser complementar e passou a ocupar um papel central na jornada. Ainda segundo o estudo, se antes o foco estava no crescimento do e-commerce, agora o desafio é outro: integrar canais. O consumidor atual não enxerga mais barreiras entre online e offline e espera fluidez em toda a sua experiência. "Na prática, isso significa pesquisar produtos no celular antes de sair de casa, consultar preços e promoções dentro da loja e decidir, de forma dinâmica, se vai comprar online, retirar ou levar na hora. Esse comportamento híbrido reflete uma lógica simples: utilizar o melhor de cada canal de acordo com a necessidade, o momento e o tipo de compra", ressalta Diogo Augusto, coordenador de marketing do Rede Market. O estudo da Grocery Doppio aponta que a loja física continua desempenhando um papel decisivo, especialmente em categorias mais sensíveis. Produtos frescos, como frutas, carnes e peixes, ainda são majoritariamente escolhidos presencialmente, já que a experiência sensorial e a percepção de qualidade seguem sendo fatores determinantes. Por outro lado, itens mais padronizados, como produtos de mercearia, limpeza e higiene, avançam no ambiente digital, impulsionados pela praticidade. "Essa divisão evidencia que o futuro do varejo supermercadista não está na substituição de canais, mas na integração eficiente entre eles", destaca Diogo Augusto. Entre as principais conclusões do estudo, está o impacto direto do omnichannel sobre o faturamento. Consumidores que utilizam múltiplos canais gastam, em média, 1,5 vez mais do que aqueles que compram em apenas um canal, além de apresentarem maior engajamento e recorrência. "Isso mostra que integrar canais deixou de ser apenas uma estratégia voltada à experiência do cliente e passou a ser uma alavanca concreta de rentabilidade para o varejo supermercadista", afirma o levantamento. O estudo também revela que a fidelidade do consumidor está mais frágil e exigente. Se por um lado o digital amplia as oportunidades de relacionamento e venda, por outro aumenta o risco de perda de clientes. A fidelidade está mais volátil, já que o consumidor pode trocar de marca ou de varejista com poucos cliques. "No ambiente online, essa tolerância é ainda menor: consumidores exclusivamente digitais abandonam uma marca após apenas uma ou duas experiências negativas. Entre os principais pontos de fricção estão a falta de produtos em estoque, falhas no checkout, problemas na retirada de pedidos e substituições inadequadas. Não por acaso, 32% dos consumidores afirmam ter reduzido ou deixado de comprar de suas marcas preferidas", afirma o levantamento. Diante desse cenário, o estudo indica que o desafio do varejo supermercadista é claro: reduzir atritos e garantir consistência em toda a jornada de compra. Isso envolve melhorar a acuracidade de estoque, integrar sistemas e canais, otimizar processos de retirada e entrega e fortalecer o uso de aplicativos e programas de fidelidade. "Mais do que nunca, a experiência do consumidor precisa ser contínua e eficiente, do primeiro contato digital até o momento da compra, seja ela online ou na loja física." Por fim, o estudo reforça que o omnichannel já não pode mais ser tratado como tendência, mas sim como o padrão atual do consumo. Com consumidores mais informados, conectados e exigentes, o varejo supermercadista precisa evoluir rapidamente para acompanhar esse novo comportamento. "Nesse contexto, as empresas que conseguirem unir conveniência digital, eficiência operacional e uma experiência consistente em loja terão uma vantagem competitiva relevante. Afinal, não se trata mais de vender em múltiplos canais, mas de oferecer uma jornada única, integrada e sem fricções", aponta a Grocery Doppio.
22/04/2026
Por dentro da asserj
Shakira no Rio, impacto nos supermercados de Copacabana e Leme!
Como o varejo supermercadista de Copacabana e Leme deve performar com a realização do show da Shakira? A resposta está na pesquisa da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (ASSERJ). O levantamento revela um cenário de crescimento nas vendas ao longo da semana do evento, nas regiões de Copacabana e Leme, onde acontece o evento, de até 30% no faturamento, reforçando a importância da realização grandes eventos para o consumo local. De acordo com o estudo, a categoria de bebidas deve concentrar a maior parte desse avanço, impulsionada pela busca por praticidade e economia. A estratégia do consumidor é clara: comprar itens no varejo supermercadista antes de seguir para o show, evitando preços mais elevados e filas durante o evento. A pesquisa ganhou destaque na coluna da jornalista Miriam Leitão, publicada no jornal O Globo. Ela mostra que a expectativa é especialmente positiva no Supermarket, onde o gerente Enderson Nascimento projeta crescimento de até 30% no setor de líquidos, com destaque para refrigerantes e energéticos. “Eventos desse porte mudam nossa rotina. Reforçamos o estoque e, em alguns casos, ampliamos o horário de funcionamento. Também damos atenção ao bazar, com cadeiras de praia, isopores e copos plásticos para facilitar a experiência do consumidor”, explica. Vale ressaltar que, no show da Madonna, o aumento foi de 15%, índice que dobrou para 30% na apresentação de Lady Gaga, e a expectativa agora é manter esse patamar de crescimento. No Pão de Açúcar, o foco também está na conveniência. O gerente Marcílio Santos destaca a maior procura por energéticos, refrigerantes, sucos e snacks, além de produtos prontos para consumo, como sanduíches e frutas cortadas. “Acredito em um aumento de 10%, porque as pessoas buscam rapidez. Elas compram, colocam no isopor e já seguem para o show”, afirma. Pedro Tavares, gerente do Redeconomia da Avenida Princesa Isabel, também observa tendência de alta nas vendas de bebidas. Segundo ele, itens como isotônicos, energéticos e água devem crescer mais de 3%, com base no desempenho do show do ano passado, da Lady Gaga. O número que pode ser superado diante da ampliação da loja. Já no Supermercados Mundial, a demanda também deve se concentrar em categorias como cerveja, refrigerante e energéticos, de acordo com o subgerente João Carlos. Do lado dos consumidores, o comportamento reforça as projeções do setor. Morador de Copacabana, Bruno Almeida, de 43 anos, afirma que vai ao show com as duas filhas e pretende comprar bebidas nos supermercados da região para economizar. Patrícia Silva, de 28 anos, também moradora do bairro, diz que prefere se antecipar e fazer as compras no dia anterior, garantindo principalmente energéticos. Já Nathan Cruz, de 19 anos, que não mora na região, planeja recorrer aos supermercados locais para adquirir bebidas e aproveitar o espetáculo. Boas vendas aos supermercadistas!
20/04/2026
Atualidades
Feriadão no Rio: como blindar o açougue contra perdas e furtos
Com a chegada dos feriados de Tiradentes (21) e São Jorge (23), o setor de carnes no varejo supermercadista fluminense entra em estado de alerta. Se, por um lado, o consumo de itens para churrasco dispara, por outro, o açougue se torna o principal foco de perdas, que podem crescer até 33% nesse período. Para evitar que o aumento nas vendas seja comprometido por prejuízos, William Lodrão, diretor de Prevenção e Perdas do Supermercados Princesa, alerta que a carne passou a funcionar como uma espécie de “moeda paralela”, exigindo estratégias mais rigorosas de proteção de estoque. Segundo ele, o risco não cresce apenas pelo maior fluxo de clientes, mas também pelas fragilidades operacionais típicas dos feriados prolongados, como equipes reduzidas e maior desgaste dos colaboradores. “A carne sempre foi um dos produtos de maior visibilidade e, em feriados, o risco aumenta significativamente. Não é apenas pelo feriado em si, mas pela combinação de fluxo intenso e equipes operando sob desgaste. Cortes nobres, como picanha e filé mignon, possuem alto valor agregado e fácil revenda, o que atrai desde oportunistas até ações organizadas”, explica Lodrão. Pilares para proteger o açougue no feriado Para mitigar esses riscos, o especialista defende uma abordagem proativa, baseada em comportamento e operação. A primeira estratégia é a exposição controlada com reposição fracionada. A recomendação é evitar grandes volumes de carnes nobres expostos simultaneamente. “Quanto maior a exposição, maior a vulnerabilidade. O ideal é trabalhar com reposição constante, em pequenas quantidades, evitando deixar cortes caros ‘esquecidos’ no autoatendimento”, orienta. Outro ponto fundamental é o posicionamento estratégico da equipe. “O infrator busca padrões e pontos cegos. É essencial manter um colaborador fixo no setor de carnes e garantir que fiscais circulem ativamente, eliminando áreas sem supervisão, especialmente em freezers abertos”, afirma. A leitura comportamental também ganha destaque como ferramenta de prevenção. De acordo com Lodrão, essa prática pode evitar até 80% das perdas. “O fiscal deve estar atento a sinais como clientes que permanecem tempo excessivo na área de carnes, uso de mochilas ou movimentações incomuns, como carrinhos vazios que rapidamente passam a conter grandes volumes de produtos”, alerta. Abordagem preventiva e monitoramento A abordagem ao cliente é outro recurso eficaz, desde que feita de forma preventiva e sem confronto. O objetivo é inibir a ação antes que ela aconteça. “Ao identificar um comportamento suspeito, a orientação é oferecer ajuda de forma natural, com frases como ‘Posso te ajudar com algum corte?’ ou ‘Prefere que eu leve esse item até o balcão?’. Isso costuma desarmar a intenção sem gerar constrangimento”, explica. Além disso, o monitoramento de horários críticos é indispensável. As perdas tendem a se concentrar nos períodos de maior movimento e nas trocas de turno. Os momentos de maior atenção, de acordo com Lodrão, são entre 11h e 14h e das 17h às 20h, quando a correria operacional pode facilitar a ocultação de produtos.
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