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Estudo aponta o sentimento do consumidor brasileiro em 2025. ASSERJ explica
O consumidor brasileiro tem enfrentado diversos desafios no campo econômico, como a inflação persistente e a alta taxa de juros, porém, apesar desse cenário, apresenta sinais de adaptação em seus hábitos de consumo na chegada do último quadrimestre do ano. Segundo o relatório "ConsumerWise", da McKinsey, divulgado no último mês de agosto, o sentimento líquido (diferença entre consumidores otimistas e pessimistas) registra recuperação gradual, mas segue abaixo dos níveis de 2024. Em novembro de 2024, por exemplo, 40% dos consumidores se declaravam otimistas e 20% pessimistas, resultando em um sentimento líquido de 20%. Em maio de 2025, o otimismo caiu para 32%, enquanto o pessimismo subiu para 22%, reduzindo o sentimento líquido para 10%, uma queda de 50% em relação a novembro de 2024. Mas em agosto de 2025, o otimismo subiu para 36% e o pessimismo para 23%, elevando o sentimento líquido para 13%, uma recuperação de cerca de 30% em relação a maio. Esses dados indicam que a confiança do consumidor está em um patamar cauteloso, o que reflete em gastos mais conscientes, porém com sinais de resiliência e adaptabilidade. Tendências de consumo: ajustes relevantes para supermercados O levantamento também analisa os comportamentos de consumo, com destaque para a prioridade ainda mais acentuada de produtos essenciais e indulgentes. Apesar da maioria dos entrevistados apontar que deve seguir gastando os mesmos valores com a maioria dos itens, pode-se pontuar a redução significativa de gastos com bebidas alcóolicas (38% afirma que pretende gastar menos), bebidas não alcóolicas (27%), mercearia de longa duração (26%) e carne e laticínios (16%). Apesar disso, do outro lado, tiveram aumento da expectativa de gastos os produtos frescos (34% diz que pretende gastar mais) e carne e laticínios (26%), mesmo com a queda apontada. Outro dado a se destacar, é a expectativa de alta de 23% dos entrevistados em gastos com serviços de fitness e bem-estar, o que pode apresentar uma oportunidade de crescimento de consumo em categorias vinculadas à saudabilidade. Outra pesquisa que confirma um comportamento mais cauteloso dos consumidores é o Radar Scanntech do último mês de agosto. Segundo o estudo, 30,3% das missões de compra no Rio de Janeiro são de reposição, superando as de abastecimento (29,6%). Express também somam total relevante, de 24,2%. Ou seja, os clientes estão realizando mais visitas às lojas e optando por compras menores, muito provavelmente influenciados por uma análise mais criteriosa da variação de preços de produtos. Comportamento por geração Baby Boomers: apresentaram a maior queda, com 13 pontos percentuais a menos de entrevistados optando por redução de preço; Geração X: também apresenta redução, mas inferior aos Baby Boomers; Millennials: única faixa a apresentar aumento na busca por alternativas mais econômicas (3%), refletindo mais cautela nos gastos; Geração Z: redução semelhante à Geração X. Dentre os comportamentos de compra mais representativos quando analisamos a opção por compras mais baratas, destacam-se: Mudar de varejista para obter preço mais baixo ou desconto (58%); Ajustar quantidade ou tamanho da embalagem (44%); Mudar a marca para uma de preço mais baixo ou marca própria (30%). Sinais apresentados aos supermercadistas O levantamento, apesar dos pontos de cautela, apresenta também janelas de oportunidades para supermercadistas que saibam se adaptar às tendências de comportamento de consumidores mais seletivos e atentos. Adaptação do sortimento: ajustar o mix de produtos, priorizando itens essenciais e indulgentes, com embalagens e pacotes que atendam às exigências do cliente; Precificação estratégica: considerar elasticidade de preços e impacto da inflação nos diferentes segmentos de consumidores; Promoções segmentadas por geração: Millennials, por exemplo, devem ter como foco promoções de embalagens menores, enquanto Baby Boomers podem escolher gastar mais; Explorar categorias: produtos frescos, carnes e laticínios foram apontados como segmentos com intenção de aumento de gastos e podem ser bem aproveitados em promoções; Alinhamento de eficiência operacional: um consumidor extremamente seletivo será ainda mais impactado por um atendimento de qualidade. Portanto, integrar logística, mix e personalização são trunfos para fidelização. Atenção ao consumidor: ontem, hoje e sempre O comparativo entre os últimos 10 meses mostra que, embora o sentimento do consumidor ainda esteja abaixo dos níveis de 2024, há sinais claros de uma recuperação gradual. Para o varejo supermercadista, compreender o comportamento de seus clientes, categorias em foco e disposição por geração, explorando oportunidades em segmentos estratégicos, é essencial para garantir competitividade, resiliência e o crescimento que tem sido a máxima do nosso setor neste ano, mesmo em um cenário econômico desafiador.
15/09/2025
Retail Media: "tiro curto não gera receita!". Aprenda como o varejo precisa trabalhar com a indústria
O crescimento das vendas digitais de alimentos é uma realidade não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) mostram que, em 2024, o setor de alimentos e bebidas cresceu 18,4% no varejo online brasileiro, chegando aos R$ 16 bilhões. "Se fosse uma única empresa, o e-commerce de alimentos seria a sétima maior rede supermercadista do país", destaca Marcelo Pimentel, CEO do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e membro do Conselho de Administração do GPA. Um case de sucesso para reforçar essa conclusão é do próprio GPA. A rede, que tem mais de 700 lojas físicas e um dos maiores e-commerces do varejo supermercadista do Brasil, viu a participação do digital nas vendas de alimentos atingir 12,2%, totalizando R$ 2,2 bilhões em 2024 (outro detalhe expressivo: perecíveis representaram 35% das vendas). "Quem souber entregar experiências relevantes terá sucesso no engajamento e retenção de clientes", afirma Marcelo Pimentel. Apesar do crescimento do e-commerce, o presidente do GPA reforça que a loja física não perde sua relevância, permanecendo como um elemento estratégico da cadeia de consumo: "Olhar para o momento atual é importante, mas entender como o presente molda o futuro é ainda mais relevante. Pensar a loja física como um ponto que gera encantamento, fortalece a marca e aumenta a aderência do cliente será cada vez mais importante. É nela que mostramos proposta, propósito e posicionamento". A reinvenção das lojas físicas tem um objetivo primordial: transformar cada jornada de compra em uma experiência única. Mais uma vez, o Pão de Açúcar surge como exemplo. O novo conceito de loja Premium da rede, que conta com 12 unidades, exemplifica esse modelo, oferecendo sortimento ampliado de produtos premium, especialistas em perecíveis, vinhos e queijos, e soluções para o dia a dia e ocasiões especiais, como explica Pimentel: "Depois de consolidarmos a volta do Pão de Açúcar, estruturamos a reinvenção do que significa uma loja física em um mundo cada vez mais digital. Isso passa por serviço humanizado e próximo dos consumidores. Trazer emoção, sensações e contato humano é essencial, pois o e-commerce não oferece isso". O CEO do GPA reforça também que apenas quem conhece profundamente hábitos e necessidades dos consumidores terá sucesso nesse modelo: "A reinvenção das lojas físicas com foco em experiências aprimoradas é um caminho de diferenciação. Uma jornada que nasce no consumidor e retorna a ele como oportunidade de ser relevante no seu dia a dia, gerar engajamento e conquistar tempo e atenção. Entregar experiências, engajar e oferecer motivos para que o cliente continue voltando às nossas lojas é o que garante relevância e sucesso no varejo do futuro". Essa estratégia de experiência nas lojas físicas complementa diretamente as iniciativas digitais, reforçando a importância da omnicanalidade na jornada do consumidor, como analisa Marcelo Pimentel: "Para os consumidores, não existe separação de canais. Cada ponto de contato deve contribuir para uma experiência omnicanal integrada". A afirmação é ratificada por um estudo da WD Partners nos Estados Unidos, que apontou que 63% dos consumidores preferem comprar online, mas vão às lojas para atendimento pessoal, experimentação, devoluções e retirada de pedidos online. "Essa é uma clara oportunidade a ser explorada. Com a digitalização, os clientes escolhem ir até o ponto de venda. Quem desenvolve lojas com alto nível de experiência se sobressai e gera resultados superiores", comenta o CEO do GPA. Conecta Varejo: nosso palco já abordou o tema em várias frentes Durante o Conecta Varejo deste ano, nosso palco no Rio Innovation Week, esse tema foi amplamente debatido. "Se o cliente estiver na frente da loja, talvez ele prefira entrar na loja. Se ele estiver em casa sentado no sofá, talvez prefira comprar online", destacou o especialista em varejo Paulo Drago. Ciro Bottini, lendário vendedor do varejo, também afirmou: "Se o cliente é multicanal, o vendedor tem que ser multicanal. No digital, offline, TV, loja, live, tudo se complementa. O importante é falar com o cliente e encantá-lo, agradá-lo, seja qual for o ponto de contato". Já Fábio Amorim, CEO da Pixel Retail, comentou: "Entender quem é o seu cliente e trazer os dados da campanha para a indústria é muito importante. A indústria vê valor nisso, e automaticamente volta para fazer mais campanhas, novas ações. Não é aquele tiro curto, em que você pega a grana e fala: 'legal, já tenho uma nova linha de receita no retail media, e vamos ver como segue'. Isso é um erro. Com esse tiro curto, você vai ter receita uma vez e depois acabou, porque não trabalhou a mídia da forma correta. Não entendeu o público-alvo, não distribuiu a campanha da maneira certa. A indústria olha e pensa: 'não teve um bom resultado, não gerou confiança, o ROI foi baixo'. Resultado? Tiro curto. Por isso é importante entender os dados, trabalhar de forma inteligente, personalizada, segmentada, entender qual é a audiência para distribuir a campanha da maneira correta. É muito legal ver essa diferença de postura, entre a preocupação em 'amarrar o sell-in' e o VIL (Varejo Inteligente Localizado, por exemplo), que traz uma preocupação muito maior, com plano de mix estruturado, com ações que realmente vão melhorar a performance de sell-out daquele produto. A ideia é ter uma campanha de sucesso no final do dia. É uma grande mudança de postura em relação ao modelo tradicional". Vitor Hugo Monteiro, head de digital dos Supermercados Zona Sul, reforçou a importância dos dados na jornada omnicanal: "O ponto chave são os dados. A Amazon é a número 1 mundial por conta disso. Ela trabalha muito bem com os dados que consegue minerar. Então, o nosso site faz um pouquinho disso. Esse é um grande salto, que mostra para a indústria que vale a pena investir. Saímos daquela visão de 'vou colocar um pouco de visibilidade, um banner na home do site e pronto'. Eu sei que se colocar um banner na home do site, vai gerar X milhões de impressões etc. Mas será que é a melhor mídia? Será que é a mídia mais adequada para divulgar aquela campanha? É muito comum, acho que todo mundo aqui já passou por isso, entrar em uma loja para comprar alguma coisa, puxar o celular, fazer uma pesquisa rápida de preço e pensar: 'Não, vou comprar porque o preço está bom, vai ser uma boa compra'. Então, isso também acontece na nossa loja. Na verdade, nós, através da nossa proposta de valor, incentivamos o cliente a acessar o nosso aplicativo dentro da loja, para que ele consiga ativar ofertas e promoções. Isso é um tipo de comunicação com o cliente via mídia. Ali, temos uma oportunidade: dentro da loja física, o cliente está passando com o smartphone em mãos, acessando o aplicativo da rede. Ele pode receber um preço personalizado. Além disso, existem outros pontos de contato com o cliente dentro da loja física, como a exposição em painéis de LED, como os que temos com a Pulse, por exemplo. Então, o cliente, em sua jornada de compra, já entra com intenção de comprar. Olha que interessante: o cliente já está propenso à compra. É muito mais fácil gerar conversão quando você fala com esse cliente no momento certo. Hoje, realmente, cerca de 90% da nossa renda vem do físico, mas o online é uma ferramenta superpoderosa para trabalhar essa conversão. Ou seja, conseguimos trabalhar o funil completo. Então é preciso trabalhar a omnicanalidade. O varejo supermercadista é um espaço democrático. Então, não tem como não olhar para isso e pensar: eu tenho a população brasileira inteira no mercado em algum momento. Então, eu tenho que potencializar isso. Como fazer o supermercado virar, de fato, um foco de mídia, de conversão? É totalmente possível. Temos que ter investimento em tecnologia, para trabalharmos mais rápido na distribuição das campanhas nos pontos de visibilidade. Mudar a cultura do varejista, para entender que isso sim é uma coisa muito importante, que tem que ser vista. Quem não trabalhar com isso, fecha a porta". Case prático supermercadista-indústria: Frango Orgânico Seara e o e-commerce do Zona Sul Um exemplo prático de omnicanalidade é o case Frango Orgânico Seara no e-commerce do Zona Sul, desenvolvido para introduzir a linha de produtos orgânicos com plano de comunicação completo, incluindo banners na home e na busca, notificações via push, e-mail marketing promocional e brindes exclusivos. Desde o início da ação, houve crescimento médio de 42% no volume comercializado, abrindo caminho para a expansão da linha também nas lojas físicas, como explica Juliana Hisae, gerente nacional de Trade Marketing da Seara: "Nós tínhamos o desafio de alavancar a nossa linha de frango orgânico. E, nesse caso, não tinha um plano 360. Então precisávamos mesmo fazer toda a comunicação dentro do varejo. Dentro desse contexto, contamos com um super parceiro, o Zona Sul, para explorar todos os pontos de contato no e-commerce. Porque, qual era o nosso desafio que traçamos junto com o time do Zona Sul? Vamos primeiro começar pelo e-commerce, e depois, com base nos resultados, distribuir para as lojas físicas. Só que, para distribuir para as lojas físicas, precisávamos estabelecer um target de sell-out. Com isso, construímos todo um plano de comunicação. O que inovava nesse plano de comunicação? Bom, claro que tinha o banner na home, mas além disso, usamos banner de busca, frete grátis, e também fizemos CRM com base segmentada. Ou seja, fomos diretamente aos consumidores que realmente consomem a linha de frango orgânico. Óbvio, começamos com uma comunicação institucional, depois trabalhamos com algum percentual de desconto, e também fizemos brindes promocionais". Vitor Hugo complementou: "Foi isso que fizemos nessa campanha e é o que sempre fazemos com as indústrias. A gente entende o propósito do produto, quem é o público-alvo. Temos uma base de dados muito bem identificada. Conseguimos entender o perfil de consumo e trabalhar esse público de forma direcionada. Não vamos falar, por exemplo, com um cliente vegano oferecendo promoção de carne. Entender quem é o seu cliente e levar os dados da campanha para a indústria é fundamental. A indústria vê valor nisso, e automaticamente volta para fazer mais campanhas. Não pode ser aquele tiro curto em que você pensa: 'Legal, vou pegar essa verba aqui, já tenho uma nova linha de receita no retail media, e vamos ver no que dá'. Porque, nesse modelo, você vai ter aquela receita só uma vez, e depois... acabou. Por quê? Porque não trabalhou a mídia da forma correta. Não entendeu o público-alvo. Não distribuiu a campanha do jeito certo. A indústria, então, olha e diz: 'Cara, não teve um bom resultado, o ROI foi baixo, não deu confiança...'. E aí vira um tiro curto. Por isso é importante entender os dados, trabalhar de forma inteligente, personalizada, segmentada. Entender qual é a audiência, para distribuir a campanha da maneira correta. Como eu disse antes: o dado é o ouro da felicidade no varejo moderno". Juliana Hisae prosseguiu: "Quando olhamos a curva de desempenho desde o início do projeto, vemos claramente o ponto em que atingimos o nosso target para abrir as lojas físicas, que foi entre abril e maio. Esse crescimento foi praticamente o dobro do volume de consumidores. Esse é o resultado de quando fazemos ações casadas, quando fechamos um plano completo de comunicação e ativamos o consumidor 'na veia', vamos dizer assim. Sempre tivemos apoio com relação aos dados, o reporte de dados sempre esteve presente. Fazíamos reuniões justamente para identificar oportunidades. Isso é muito interessante porque o grande desafio da indústria é justamente conseguir mostrar valor e fugir dos planos 'automáticos'. O que falta para a indústria é mais proximidade, mais contato com os dados que o varejista enxerga dentro da base de consumidores dele. Porque, quando eu falo da minha linha de frango orgânico, estou falando de um público muito específico. São consumidores que já vêm pautados, já sabem que querem aquele tipo de produto. Quando colocamos essa linha em um 'mar' de produtos in natura, ou até dentro da própria categoria de frangos, o frango orgânico acaba ficando muito pequeno, se perdendo. Mas, a partir do momento em que temos dados para entender, conseguimos ampliar bastante o investimento da indústria junto ao varejo. Muitos dos consumidores vão no varejo para buscar informação, porque não é sempre que a gente consegue fazer o aporte de mídia para todas as linhas. Então é dentro do varejo que o shopper vai entender o produto". "Essa ação foi um marco importante para a consolidação da nossa linha. Como marca número um em Frangos Orgânicos e referência em inovação e qualidade no setor alimentício, buscamos constantemente parcerias estratégicas que ampliem o acesso a produtos mais sustentáveis. Quando indústria e varejo atuam de forma integrada, com objetivos alinhados e execução consistente, os resultados aparecem. Conseguimos não só impulsionar as vendas no e-commerce, como também ampliar nossa presença nas lojas físicas, reforçando nosso compromisso com a excelência e com o consumidor", concluiu a gerente nacional de Trade Marketing da Seara. Retail media: usando dados na omnicanalidade Estudos mostram que a probabilidade de compra aumenta à medida que o consumidor é impactado por mais canais de venda. Um levantamento da Impulso, braço de retail media da RD Saúde, revelou que a taxa de conversão é 15 vezes maior entre consumidores impactados por cinco ou mais canais em relação a apenas um. Audiências impactadas por três canais aumentam a conversão em quatro vezes, e estratégias full funnel podem ampliar em até 36% a conquista de novos clientes. A CEO da Impulso, Fabiana Manfredi, enfatiza: "Compreender o comportamento da audiência em múltiplos canais de venda é essencial para oferecer experiências mais relevantes. O modelo full funnel permite uma atuação integrada e personalizada, especialmente no ponto de venda, local estratégico para a taxa de conversão". João Appolinário, fundador da Polishop, resumiu bem a questão em sua palestra na Plenária do Rio Innovation Week deste ano: "Multicanal é vender em vários canais. Ominichannel é a mesma coisa, porém, ele tem que ter sempre os mesmos produtos, os mesmos preços, um alinhamento, porque aí você não cria correntes entre seu próprio negócio. Se você tiver um preço diferente, que é muito comum, diferente no e-commerce, na loja física, e então você tem uma concorrência com você mesmo. O Omnichannel, o verdadeiro, é quando você tem um alinhamento dos preços, produtos e ofertas. Ou seja, tudo tem que ser o mesmo, porque seu cliente estará tomando apenas a decisão de qual canal ele quer comprar, do que é mais confortável naquele momento. O cliente que vai resolver e não vai ser prejudicado pagando um pouco mais caro porque ele foi em um determinado canal. Isso não faz sentido. O consumidor não vê sentido nisso. Se coloque no papel do seu consumidor, porque você também é". O cenário atual do varejo supermercadista mostra que investir em experiência, dados e integração de canais não é apenas uma vantagem competitiva, mas uma exigência para se manter relevante e engajar clientes no futuro. Porém, para estratégias assertivas e com real impacto em vendas é fundamental andar de braços dados com a indústria parceira.
15/09/2025
O que o Futebol Americano tem a ver com o seu supermercado?
O futebol americano vem conquistando cada vez mais espaço no Brasil, especialmente após a emocionante partida entre o Kansas City Chiefs e o Los Angeles Chargers, realizada em São Paulo, no início de setembro. Mas você sabia que o Brasil é considerado pela National Football League (NFL) um dos principais mercados para captação de novos fãs e geração de receitas? E essa tendência não é só esportiva: ela representa oportunidades reais para o varejo supermercadista. Promoções temáticas, kits especiais, experiências de consumo durante os jogos e ações de marketing alinhadas ao campeonato podem atrair novos clientes, aumentar o ticket médio e fortalecer a relação com o público. Ou seja, o futebol americano não está apenas nos campos — ele também pode entrar nas gôndolas do seu supermercado. Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM, explica que o crescimento do futebol americano no Brasil abre oportunidades únicas para redes supermercadistas. "A NFL não é apenas um espetáculo esportivo, mas também uma plataforma para engajar consumidores, criar promoções temáticas e aumentar o ticket médio com experiências alinhadas aos grandes jogos", explica. De olho nesse nicho, a patrocinadora oficial da NFL, Perdigão Na Brasa, criou para os fãs da liga uma edição limitada de embalagens. A iniciativa apresenta embalagens comemorativas de produtos com a identidade de times da liga, visando uma conexão maior com os torcedores e destacando a sinergia de seus produtos com ocasiões de torcida. São 8 embalagens especiais para a linha, disponíveis a partir de setembro nos principais pontos de venda do país. Para o lançamento, a marca realizou a seleção a partir de um cruzamento entre a base de fãs da NFL no Brasil e a popularidade das franquias, chegando aos oito times com as maiores torcidas no país: Buffalo Bills, Dallas Cowboys, Green Bay Packers, Kansas City Chiefs, Philadelphia Eagles, Pittsburgh Steelers, San Francisco 49ers e Seattle Seahawks. “O Brasil hoje representa a segunda maior base internacional de fãs da NFL, com mais de 40 milhões de brasileiros apaixonados pelo esporte. Entre eles, 67% têm uma percepção mais positiva das marcas que investem nesse universo e 64% demonstram maior disposição para consumir produtos e serviços de patrocinadores. É nesse cenário estratégico que lançamos as novas embalagens de Perdigão Na Brasa em parceria com a NFL no Brasil, uma iniciativa que nasce da escuta ativa do público e apresenta uma curadoria de produtos com identidade renovada, promovendo uma conexão genuína com os consumidores”, afirma Marina Secaf, gerente executiva de Marketing da Perdigão. NFL em São Paulo domina redes sociais - Dados do Comscore Social revelam que o evento gerou 78 milhões de visualizações de vídeos e 6,1 milhões de ações (reações, comentários, compartilhamentos e curtidas) nas plataformas Facebook, Instagram, X e TikTok. O TikTok foi a plataforma que mais concentrou interações, respondendo por 52% do total, seguido pelo Instagram, com 45%. Facebook e X tiveram participação minoritária. Perfis brasileiros foram os grandes protagonistas: 6 dos 10 posts mais engajados foram em português. O canal CazéTV liderou a audiência no YouTube, com 9,5 milhões de visualizações na transmissão do jogo completo. "Os números reforçam o crescimento do interesse pelo futebol americano no Brasil e o poder de influência de criadores de conteúdo locais para impulsionar o engajamento de grandes eventos esportivos", analisa Rafael Goes, especialista de marketing da Comscore.
15/09/2025
Do café da manhã ao jantar: como ampliar as ocasiões de consumo do panetone?
A categoria de biscoitos, massas, pães industrializados e bolos, avançou no primeiro semestre deste ano. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados (Abimapi), com informações fornecidas pela NielsenIQ, o setor apresentou crescimento de 3,9% na comparação com o mesmo período de 2024, somando um faturamento de R$ 33,8 bilhões. Dentre inúmeros fatores responsáveis pela alta, a diversificação de opções no sortimento chama a atenção, como explica Claudio Zanão, presidente executivo da Abimapi: “Outro fator interessante é que as marcas menores e com preços mais competitivos ganharam espaço e giro em todas as categorias, apesar das líderes se manterem no topo”. Bolo: principal destaque De acordo com os dados, a categoria de bolos foi a principal responsável por puxar o crescimento da cesta, com alta de 8,3% em volume vendido (32,6 mil toneladas comercializadas), totalizando R$ 1,4 bilhão em faturamento. Pães industrializados: alta reforça preferência pelo consumo em domicílio A subida de 3,5% em volume (com 400 mil toneladas negociadas) e de 7,8% em faturamento (somando R$ 8,3 bilhões) na categoria de pães industrializados não demonstra apenas a elevação do setor, mas também a ratificação de um comportamento do consumidor já apontado pela ASSERJ: a preferência pelo consumo em domicílio (CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS). Essa constatação se confirma, por exemplo, com os aumentos do volume de vendas de pães de hambúrguer (1,3%) e hot dog (0,4%), como salienta Zanão: “Os dados refletem o comportamento dos consumidores que preferem fazer as refeições em casa a preços mais acessíveis”. "O desempenho positivo no primeiro semestre mostra a força do consumo dentro do lar. Esse movimento, refletido no crescimento de categorias como pães, bolos e massas, reforça a importância do supermercadista se preparar para atender um consumidor cada vez mais atento a preço, variedade e conveniência", ratifica Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ. Massas alimentícias: confirmação do “estilo caseiro” A conclusão da preferência na busca pelo consumo no lar é reforçada também pelo avanço de 4,2% das massas alimentícias, responsáveis por movimentar R$ 7,7 bilhões (654,2 mil toneladas consumidas). Biscoitos: opção ao chocolate A categoria de biscoitos teve alta de 1,1% em faturamento (R$ 16,4 bilhões vendidos, com 728,5 mil toneladas consumidas). Esse movimento, está relacionado à subida da categoria de chocolates, fazendo com que o consumidor procure alternativas para lidar com os preços, como analisa Claudio Fernando Czarnobai, chefe de Pequenas e Médias Empresas para a América Latina da NielsenIQ: “Cobertos e cookies cresceram, mostrando que o consumidor busca prazer e qualidade a um preço mais acessível. É possível relacionar que um dos fatores que impulsionaram a venda de biscoitos foi o aumento do preço dos chocolates nas gôndolas. O consumidor age racionalmente e encontra nos biscoitos uma possibilidade de substituição”. Mas o que esses dados representam para o Natal? O crescimento da categoria de biscoitos, massas, pães industrializados e bolos no primeiro semestre de 2025 aponta um horizonte de expectativas positivas para o Natal. Por quê? Com o início das vendas de produtos voltados para a festividade, chega às gôndolas um item da cesta com alto potencial: os panetones. Uma pesquisa da ASSERJ sobre o tema, inclusive, foi destaque no RJTV (CLIQUE E CONFIRA). Segundo a Abimapi, os panetones registraram 62,9% de penetração nos lares brasileiros entre novembro de 2024 e janeiro de 2025. No último Natal, eles foram responsáveis por movimentar cerca de R$ 1,2 bilhão (com 49,7 mil toneladas, uma alta 7,3% em volume vendido na comparação com 2023). Dados do Radar Scanntech, confirmam a relevância do produto junto ao consumidor e a importância para o varejo supermercadista. Segundo o levantamento, o panetone teve aumento de 637,8% no faturamento, contribuindo para a alta de 22% na cesta de perecíveis na reta final de 2024. Fábio Queiróz pontua: "O panetone se consolidou como um dos protagonistas do Natal brasileiro. Mais do que um presente, passou a fazer parte da rotina de consumo das famílias, seja no café da manhã, no lanche da tarde ou como sobremesa. Esse comportamento cria novas ocasiões de compra e reforça a necessidade de planejamento do varejo supermercadista”. Consumo próprio: o foco das vendas de panetones Segundo dados do Worldpanel by Numerator, em 2024, o panetone também apresentou mudança no perfil de consumo. O produto deixou de ser um presente de Natal e se converteu em item de consumo próprio, principalmente para consumidores de até 29 anos e da classe C, reforçando sua aderência aos mais variados grupos, como confirma o dado de que 88% do crescimento de novas ocasiões de consumo foi em família ou entre amigos. “Dezembro ainda concentra a maior parte do consumo, mas percebemos uma desconcentração crescente. O panetone vem ganhando força no pré-Natal e permanece até março na mesa dos brasileiros. Essa expansão é resultado da reinvenção das marcas, da inovação e da democratização do acesso, com maior presença nas classes C e D”, explica Claudio Zanão, presidente executivo da Abimapi. David Fiss, diretor Comercial de Novos Negócios da Worldpanel by Numerator, analisa: “O mercado de panetones está cada vez mais presente nos lares brasileiros e ganha relevância de consumo em todas as gerações e classes sociais. Com um sortimento diverso e inovador desde embalagens e sabores. Os dados levaram em conta indicadores como penetração, volume de compras, frequência de consumo, canais de compra e perfil socioeconômico. Consumo variado por gerações e ocasiões Como mencionado nos dados sobre o crescimento do panetone, a diversificação de público e formas de consumo também chama a atenção. De acordo com as informações do levantamento da Numerator, cada geração adota um momento diferente para o produto. Gerações Alpha e Z: lanche; Millennials: geração que mais consome panetones e em qualquer ocasião; Baby Boomers e mais velhos: sobremesa no jantar. Dentre as ocasiões, uma, em especial, se destaca: o café da manhã. O consumo nesse momento saltou 200% em 2024. Apesar disso, representa apenas 2% das ocasiões nessa refeição, evidenciando um amplo potencial de crescimento. Dos mais variados tipos, o tradicional segue forte Mesmo com toda a variação de sabores oferecida pelas indústrias, o tradicional panetone de frutas segue resiliente na liderança das vendas do segmento, sendo responsável por 44% do total. Panetones de gotas de chocolate aparecem posteriormente com 42,6%, seguidos pelos recheados (10,1%) e outros tipos (3,3%). Produto alheio à sazonalidade Outro ponto de extrema relevância apontado pelos dados é que o panetone representa ótimos números muito além do período específico das festividades do Natal, com aumento fora da sazonalidade. Já as ocasiões de consumo, variam: Pré-Natal (outubro e novembro): alta de 17% nas ocasiões de consumo, puxada pelas classes A e B; Natal: 74% das ocasiões de consumo no café da manhã, principalmente entre os Millennials e a classe C; Pós-Natal (janeiro a março): subida de 90%, com presença forte nas classes D e E e em integrantes da Geração Z. "Com base nos dados do primeiro semestre e no desempenho da categoria no último Natal, nossa expectativa é de que os panetones voltem a ser um dos grandes motores de vendas do período. O cenário é promissor, mas exige do supermercadista atenção à gestão de estoque, mix de produtos e comunicação com o consumidor", frisa o presidente da ASSERJ. Projeção otimista: indústria aposta em novidades Com base no desempenho positivo da categoria de biscoitos, massas, pães industrializados e bolos no primeiro semestre e do histórico de alta dos panetones, o prognóstico é de um Natal de subida nas vendas. Para impulsionar os resultados, a indústria aposta em lançamentos, aliando tradição e inovação, com foco na pluralidade dos consumidores. Durante o 4º Salão do Panetone, realizado em São Paulo no dia 11 de setembro, diversas marcas apresentaram suas novidades, dos clássicos de frutas cristalizadas às versões recheadas e gourmet. As empresas também destacaram estratégias para ampliar o consumo fora do período do Natal. Bauducco (com a collab com a Fini e o novo sabor pistache), Arcor (com o novo sabor beijinho), Festtone (sabores chocolate com laranja e chocolate belga) e Panco (Doce de Leite e Castanha do Pará), são apenas alguns dos exemplos de indústrias que apostam em produtos inéditos e em itens já consagrados para diversificar o mix e atrair a atenção do consumidor. "A campanha de Natal da Panco deste ano é muito mais do que uma vitrine de produtos, é o reflexo do trabalho coletivo que começa meses antes, com planejamento disciplinado, decisões estratégicas e, principalmente, com pessoas comprometidas em fazer dar certo. Do desenvolvimento à execução, cada etapa foi cuidadosamente pensada para entregar não apenas sabor, mas experiência e emoção na mesa de milhões de famílias brasileiras. Resultado é consequência, mas cultura forte é escolha e, por trás de cada fatia de pão ou panetone, tem gente, gente boa, comprometida, que acredita e faz a diferença. O sabor do nosso Natal é feito de pessoas. Do pão ao panetone", destaca Marta Santos, diretora Comercial e de Marketing da Panco. Atenção, supermercadista! Chegou a hora de vender Todos os dados, e os movimentos da indústria, apontam para uma sentença óbvia para os supermercadistas: é preciso seguir a tendência de aumento da categoria de biscoitos, massas, pães industrializados e bolos e preparar estratégias eficazes de venda para os panetones, tais como: Crie pontos extras: espaços em áreas de alto fluxo podem instigar as compras por impulso; Cross-sell: o café da manhã e momentos de lanche são ocasiões de oportunidade. Realizar ações de cross, oferecendo combos com produtos para este momento, como café ou leite, podem gerar alta em outras categorias; Destaque os tradicionais, mas ressalte as novidades: panetones dos sabores tradicionais concentram a maioria das vendas, porém, com o aumento da atenção das gerações mais jovens, outras opções devem ganhar mais relevância neste ano; Comunicação variada: o produto passou por uma transição, deixando de ser apenas um presente e se tornando item de consumo próprio. É preciso dialogar com esse novo perfil; Degustações e versatilidade: promova momentos de experiência em loja com o produto, destacando as formas possíveis de consumo, como o panetone quente ou mesclado em receitas de sobremesa; Campanhas digitais: destaque o consumo fora do período do Natal, aproveitando o interesse fora da sazonalidade; Atenção ao estoque: os panetones se tornaram itens de alto giro, então é preciso muita atenção ao estoque para evitar ruptura e prejuízo à experiência do consumidor.
15/09/2025
Eles compram mais, mas voltam menos: o que o varejo precisa entender agora
A nova edição da pesquisa Brand Footprint Brasil, realizada pela Worldpanel by Numerator, revela um consumidor mais racional e estratégico em suas compras. O levantamento, que acompanhou mais de 11 mil lares em sete regiões do país ao longo de 2024, mostra que, apesar da melhora de indicadores como PIB, renda e desemprego, o consumo ainda é marcado pela cautela. Com inflação persistente, juros elevados e dólar instável, os brasileiros reduziram as idas aos pontos de venda em 0,4%, mas aumentaram em 1,8% o número médio de unidades compradas por visita e elevaram o tíquete médio em 4,3%. “O consumidor está comprando de maneira mais planejada. Ele vai menos vezes ao varejo supermercadista, mas aproveita cada visita para abastecer a despensa com mais itens por ocasião”, explica Marcela Botana, growth & commercial excellence director da Worldpanel by Numerator no Brasil. Esse comportamento dá origem a um novo perfil, o consumidor “Net Zero”, que busca equilibrar desejo, conveniência e racionalidade. “Ele não deixa de consumir, mas avalia cada escolha com muito mais cuidado, reduzindo compras por impulso e priorizando marcas que entregam valor percebido”, acrescenta Botana. Elen Wedemann, CEO da Worldpanel by Numerator no Brasil, descreve o cliente "Net Zero", como um consumidor mais seletivo, de consumo estável, com gasto médio equilibrado e procura por embalagens menores e alta frequência de compra. Mais marcas no carrinho, menos fidelidade O brasileiro diversificou o portfólio de marcas, mas sem aumentar a presença das empresas em sua rotina. Em 2024, cada lar comprou em média 97 marcas, duas a mais que em 2023. No entanto, apenas 167 empresas ampliaram sua penetração, contra 219 no ano anterior. “Estar na prateleira não basta. É preciso ser escolhido com frequência. O crescimento depende de ampliar a base de compradores e manter a recorrência”, destaca a executiva. A métrica Consumer Reach Points (CRP) comprova: 48% das marcas que cresceram em 2024 o fizeram com aumento simultâneo de penetração e frequência, enquanto aquelas que avançaram apenas em frequência caíram de 23% em 2023 para 10% em 2024. Diferenças entre classes sociais O estudo também aponta contrastes importantes. As classes AB adicionaram, em média, três novas marcas ao carrinho, enquanto a classe C incorporou apenas uma. Já a classe DE excluiu duas marcas, reflexo direto das restrições orçamentárias. “As classes mais altas aproveitam a estabilidade relativa da renda para experimentar. Já as classes mais baixas continuam sob pressão, o que limita a diversidade de marcas”, analisa Botana. Para os supermercadistas, a mensagem é clara: o desafio não é apenas atrair o consumidor, mas garantir recorrência e valor percebido em cada compra. “O varejo precisa investir em estratégias de fidelização e em sortimento inteligente, entendendo que o consumidor está disposto a escolher, mas apenas quando percebe real vantagem”, conclui Marcela Botana.
15/09/2025
Dia do Sorvete: como converter a data em mais vendas?
O Dia do Sorvete, comemorado em 23 de setembro, se consolida como uma data estratégica para o varejo supermercadista, que encontra no produto uma oportunidade de aumentar as vendas e fidelizar clientes em plena chegada da primavera. Mais do que uma sobremesa refrescante, o sorvete é associado a prazer, memória afetiva e bem-estar, características que favorecem as compras por impulso e reforçam a presença do item no carrinho de compras. De acordo com a Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete), saborear o doce com moderação estimula a liberação de serotonina e dopamina, hormônios ligados à felicidade, e pode ser um grande atrativo para o varejo. Para 2025, a entidade lança a campanha nacional “Felicidade Congelada”, que incentiva o consumo equilibrado e ressalta a importância do setor. “O sorvete não é um vilão, mas um alimento que traz alegria e pode ser um grande gerador de tráfego e vendas para o varejo”, afirma Martin Eckhardt, presidente da Abrasorvete. O mercado segue em crescimento e inovação. Na alta temporada 2024/2025, o faturamento do setor avançou 8,5%, superando as expectativas, enquanto o consumo médio nacional é de 7,7 litros por pessoa ao ano. A campanha “50 em 10”, criada pela Abrasorvete, pretende aumentar esse índice em 50% até 2033, além de buscar a redução da carga tributária que incide sobre a categoria. Para os supermercadistas, o portfólio de produtos está cada vez mais diversificado, com opções que vão de sorbets sem laticínios e linhas veganas a versões diet/sem açúcar e sorvetes proteicos enriquecidos com ingredientes como spirulina, que atendem ao público fitness. Essas inovações elevam o ticket médio e favorecem a criação de espaços diferenciados de exposição, como ilhas e freezers verticais, estimulando a compra por impulso. Comportamento do consumidor As preferências do consumidor também ajudam a guiar o sortimento. Dados da Abrasorvete e do Google Trends indicam que o sorvete de massa lidera com 73,47% da preferência, seguido pelo picolé (13,20%) e pelo soft (10,93%). O sabor de chocolate domina em 24 dos 27 estados. “Mapear o gosto do cliente por região é um diferencial competitivo. O supermercadista que ajusta o sortimento com base nesses dados ganha relevância e aumenta as vendas”, destaca Eckhardt. Hoje, 56% dos consumidores de sorvete têm renda de até dois salários mínimos, demonstrando que o item é amplamente aceito em diferentes perfis de público. Como driblar a sazonalidade e vender sorvete o ano todo? Mesmo que o inverno brasileiro não seja rigoroso, as vendas de sorvete em supermercados costumam cair nos dias mais frios. Muitos gestores acreditam que é preciso vender muito no verão para compensar a baixa no inverno, mas, segundo Michel Jasper, especialista em negócios do setor, “o grande desafio não está nas baixas temperaturas, mas sim na falta de planejamento e inovação. Quem consegue se antecipar mantém as vendas mesmo nos meses mais frios”. Para driblar a sazonalidade, Jasper recomenda investir em sabores mais cremosos e sofisticados, que combinam melhor com o clima frio, e criar combinações de quente e frio. “Produtos que podem ser consumidos com sobremesas quentes, como brownies ou petit gâteau, e bebidas como chocolate ou café, ajudam a manter o consumidor no ponto de venda e incentivam o consumo de sorvete mesmo no inverno”, explica. Além disso, promoções e programas de fidelidade são essenciais para movimentar as vendas. Jasper recomenda que as novidades para o outono e inverno sejam divulgadas ainda no final do verão, aproveitando campanhas em redes sociais e materiais de ponto de venda, gerando expectativa e atraindo clientes. Com essas estratégias, os supermercados conseguem manter o sorvete como um item atrativo durante todo o ano, provando que a sazonalidade pode ser administrada com criatividade e planejamento. Sorvete segue em alta no varejo supermercadista, mas logística ainda é desafio Mesmo no inverno, o sorvete continuou garantindo boa rentabilidade para o varejo supermercadista. A avaliação é de Andenilson Vidal, diretor comercial Supermercados Unidos, que acompanha de perto o desempenho da categoria e destaca que, embora o consumo seja naturalmente maior no verão, a sazonalidade já não é um obstáculo tão grande para as vendas. “Coletivamente, vamos destacar a data nas mídias sociais e nos encartes semanais. Mas isoladamente as grandes empresas de sorvete, como a Froneri e a Slup, com as quais mantemos relações comerciais, estão preparando ações nas lojas e destacando alguns preços mais competitivos”, explica Vidal. Segundo Vidal, a logística é hoje o maior gargalo. “Algumas lojas sofrem rupturas não mais por falta de produção, mas por questões logísticas. A área de armazenamento nem sempre é adequada para o período de maior demanda. Algumas unidades já começam a se preparar para o inverno ampliando a área de estoque, criando mais câmaras de congelados e até adquirindo, em comodato, equipamentos das indústrias para melhorar o armazenamento.” A categoria, porém, mantém boa performance. “É um produto com rentabilidade legal. Não fazemos promoções agressivas, mas ofertamos de forma razoável, dentro da margem. Promoções mais fortes ficam para épocas especiais, como os encartes”, reforça. Apesar de a venda em volume permanecer estável, o crescimento em valor tem sido consistente. “O faturamento do sorvete cresce, em média, 10%”, conclui o Vidal.
15/09/2025
EXCLUSIVO ASSERJ! Conheça bastidores da operação da rede russa, Vantajoso.
Um novo player internacional se prepara para entrar no mercado supermercadista brasileiro e mira o Rio de Janeiro. O grupo russo Svetofor, conhecido pelo modelo de Hard Discount (SAIBA MAIS SOBRE ESSE SEGMENTO AQUI), tem planos de abrir diversas lojas pelo país, com a bandeira da rede "Vantajoso", conforme já divulgado pela ASSERJ (CLIQUE PARA CONFERIR). A informação movimentou o setor, e o noticiário fluminense, mas diversas dúvidas surgiram. E para tentar clarear o tema, a equipe de jornalismo da ASSERJ apurou informações exclusivas sobre os bastidores da operação russa em território nacional. Segundo fontes da ASSERJ, o grupo estruturou equipes de compras em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, divididas por categorias, em que cada gestor está em contato direto com fornecedores para apresentar o projeto. A estratégia, no entanto, é baseada em uma política de extrema rigidez e radicalmente diferente da prática tradicional aplicada no Brasil. De acordo com a apuração, o modelo de fornecimento será no formato consignado, com pagamento conforme a venda semanal e devolução, obrigatória em contrato, após 90 dias. Ou seja, se apura o volume vendido, realiza a quitação de débitos apenas sobre esse total e, caso o produto não gire, o fornecedor deve reaver os itens não comercializados. A rigidez adotada pelo Vantajoso impacta negociações com grandes indústrias e marcas líderes, que não pretendem negociar pautadas por esse modelo de contrato. Essa questão porém, ainda baseado no que revelaram nossas fontes, não incomoda o grupo, já que a intenção não é, necessariamente, ter grandes nomes à disposição dos consumidores. A prioridade é apenas que haja um item da categoria, independentemente da marca, desde que dentro da sua política de preço. Outro ponto apurado pela ASSERJ é a política comercial, também bastante rígida. A rede pretende adotar uma margem fixa de aproximadamente 20% em tudo o que for oferecido, sem flutuações de preço, sem promoções ou verbas de trade. É um preço único, em cima do custo da nota e condicionado ao consignado. Segundo nossas informações, a ideia inicial da rede, de vender até 20% abaixo dos concorrentes para liberar cadastros, tem se apresentado um grande desafio, principalmente em regiões com forte presença de atacarejos. Ainda, segundo nossas fontes, apesar dos obstáculos, o Vantajoso não parece estar aberto, até o momento, a se adaptar, mas sim a reproduzir o modelo que opera na Rússia, no Brasil. Em relação à operação das lojas, o investimento será baixo, aponta a apuração da ASSERJ. As unidades contarão com poucos caixas (cerca de 2 ou 3), com pouca quantidade de pessoal, em espaços sem gôndolas, com paletes expostos e sem estoque, com todo sortimento acessível no ponto de venda. O mix será simplificado: 80% alimentos e 20% itens de primeira necessidade. Por fim, as fontes da ASSERJ afirmam que as inaugurações já acabaram adiadas em algumas oportunidades. A nova previsão seria para janeiro de 2026, provavelmente influenciada pela dificuldade em cadastrar fornecedores e produtos. Impactos no setor Para fornecedores regionais e de menor porte, o formato pode representar uma oportunidade de acesso a um novo canal de vendas, desde que aceitem as regras rígidas de consignado. Já para redes estabelecidas, a chegada de mais um player internacional pressiona a competitividade e reforça a necessidade de inovação. No Rio, a entrada da rede pode gerar impacto principalmente em nichos de consumo mais sensíveis a preço, mas ainda há dúvidas sobre a capacidade de adaptação da Vantajoso ao mercado brasileiro. Até agora, o grupo segue inflexível: vai aplicar, no Brasil, o mesmo modelo de operação da Rússia. A ASSERJ seguirá atenta para antecipar qualquer novidade aos nossos associados.
12/09/2025
Preço do azeite: panorama X visão de negociação de supermercadistas
Após três meses de queda acumulada superior a 25%, os preços em origem voltaram a subir, interrompendo a tendência de baixa e trazendo incertezas para importadores e compradores das grandes redes. Por enquanto, analistas apontam estabilidade no curto prazo. De acordo com fontes ligadas à ASSERJ, já foram aplicados pequenos reajustes nas negociações com o varejo supermercadista, entre 1% e 2%, em razão do fim dos estoques da safra anterior. Esses ajustes, porém, não configuram tendência nem permitem prever alta ou queda expressiva nos preços. A nova colheita está apenas começando e deve trazer um panorama mais definido nos próximos meses. Safra 2025-2026 sob observação A nova safra, que vai de 1º de outubro deste ano a 30 de setembro de 2026, dependerá das chuvas e temperaturas de setembro e outubro. O Ministério da Agricultura da Espanha projeta para 2024-2025 uma produção de 1,29 milhão de toneladas, 50% acima da safra anterior (855,6 mil toneladas) e bem superior ao volume de 2022-2023 (666 mil toneladas). Entretanto, o otimismo inicial foi afetado por um verão de calor extremo. A Agência Estatal de Meteorologia (Aemet), do governo espanhol, registrou a onda de calor mais intensa já medida em agosto, provocando estresse hídrico nos olivais e redução da floração. Risco de perda na colheita Juan Luis Ávila, gerente de olival do Comitê de Agricultura da Espanha (COAG), alertou em comunicado que “as oliveiras suportam bem o calor, mas 25 dias acima de 40 °C podem provocar uma produção até 30% menor” em regiões como Jaén, Córdoba e Granada. Ele estima perdas de 10% a 20% no restante do país e torce por “uma mudança imediata no clima, que traga chuvas e temperaturas mais amenas, para garantir uma colheita razoável e preços acessíveis ao consumidor”. Para Luis Carelos Varela, gerente de azeite da Asaja, em entrevista ao site espanhol La Información Económica, ainda é cedo para projeções. “Com um outono normal, a azeitona amadurece bem e a colheita pode ser semelhante à de 2024-2025, ligeiramente superior, pois os reservatórios estão cheios”, afirmou. Ele calcula que os estoques de azeite extravirgem variam entre 270 mil e 300 mil toneladas, suficientes para abastecer o mercado até setembro. Preços em alta De acordo com o sistema Infaoliva, o azeite extravirgem voltou a superar a barreira de 4 euros/kg na origem, patamar não registrado desde fevereiro: Extravirgem: 4,30 €/kg Virgem: 3,58 €/kg Lampante: 3,45 €/kg Vale destacar, contudo, que durante o verão, o extravirgem chegou a cair para 3,20 €/kg, mas a tendência agora é de alta. Estoques e produção A Espanha produziu 1,41 milhão de toneladas nesta safra. Os estoques atuais somam 412.612 toneladas, após a comercialização de 93% do volume, segundo a Agência de Informação e Controle Alimentar (AICA). O nível ainda reflete o déficit acumulado das safras anteriores. Olhar do supermercadista brasileiro Para o diretor comercial da Redeconomia Thiago Cunha, o movimento recente reforça a necessidade de cautela: “O azeite teve uma queda grande nos últimos três meses, mais de 25%, mas agora está estável. O mercado acelerou muito as vendas nos últimos seis meses por conta da oferta grande que tivemos. A colheita de outubro é para venda após o Natal. O que já foi esmagado lá é para vender no Natal. Acredito que os preços se mantenham por enquanto. Ainda existe um déficit de produção devido às perdas dos anos anteriores; a azeitona subiu e não baixou porque a safra e os estoques reguladores ainda não se equalizaram.” Segundo Cunha, cada rede de varejo adota sua própria estratégia de negociação. “É difícil falar em prazo exato. O lead time de entrega do produto da Europa para o Brasil é de 30 a 60 dias e, no momento, não há movimento forte de negociação antecipada, já que a nova colheita está apenas começando”, completa. O diretor comercial dos Supermercados Unidos, Andenilson Vidal, acrescenta que algumas marcas tentam aproveitar a retração internacional para reposicionar preços: “Algumas marcas estão buscando aproveitar a queda de preços internacionais e fazer um reposicionamento, ajustando-se à nova realidade. Essa movimentação dos supermercados também ajuda a manter os preços mais competitivos, mas esbarramos na queda de margem de um produto que agrega valor. Mas isso faz parte do mercado, que está afoito e agressivo para conquistar clientes, principalmente aqueles que aumentam o ticket médio”, diz Vidal. De modo geral, segundo ele, a rede tem encontrado mais abertura dos fornecedores para bons negócios, especialmente quando o volume é a peça fundamental da negociação. "Nas redes associativas, buscamos unificar as compras para ganhar escala e facilitar as negociações com os fornecedores. Esperamos mais ações e uma estabilidade de preços a partir de novembro, quando as festas de fim de ano aquecem itens sazonais — e, neste caso específico, o azeite, nosso de cada dia”, ressalta Vidal. O que diz a indústria? Segundo Cristiane Souza, presidente da Gallo no Brasil, “os preços não devem voltar ao patamar de 20 reais, mas podemos esperar estabilizarem entre 30 e 35 reais. Como inclusive já começamos a ver chegar nas prateleiras dos supermercados." Ela destaca que esse cenário deve impulsionar um crescimento de 20% no volume de vendas da Gallo em 2025. “O azeite precisa sair das manchetes pelo preço e voltar a ser protagonista pelo sabor e pelos benefícios à saúde.”
12/09/2025
Atualidades
Branding Moderno: ir além do "ser lembrado". Seu supermercado é imprescindível para o seu consumidor?
O mundo do branding vive um momento de transformação profunda. O simples objetivo de "ser conhecido" já não é suficiente, e as métricas tradicionais de preferência não capturam mais o que realmente sustenta o valor das marcas. Nesse contexto, o pensador David Aaker, um dos maiores especialistas em estratégia de marcas, apresentou, em artigo recente na Management and Business Review, um novo modelo. A bússola da relevância agora são os "5 B's" do branding moderno, que se conecta diretamente à mudança de foco de atuação, como explica Tatiana Fanti, relações públicas e fundadora da Prima Donna: "Neste modelo novo apresentado, saímos do conceito de brand preference e entramos no brand relevance. Para o varejo, isso significa que não basta o consumidor reconhecer a marca, ele precisa sentir que ela é indispensável na sua rotina. É a diferença entre 'lembrar de um supermercado' e 'não imaginar o dia a dia sem ele'". A proposta de Aaker sugere uma ida além da notoriedade ou de atributos funcionais. Ela se baseia em uma estrutura estratégica de construção de marcas fortes, ágeis e indispensáveis em um ambiente digital cada vez mais competitivo e imprevisível. É deixar para trás a premissa de que sua marca já está entre as opções comparadas e substituí-la pela ideia de ocupar um espaço tão vital na vida do público que sua ausência seja sentida imediatamente. "Dentro dos 5Bs, as métricas olham para Brand Equity E Brand Relevance. Isso inclui medir nível de relevância percebida na vida do cliente (brand relevance index), valor emocional associado à marca (share of heart) e índices de lealdade (como recompra e engajamento contínuo). Essas métricas vão além de 'ser lembrado' e captam se a marca realmente tem espaço e preferência na vida do consumidor", expõe Tatiana Fanti. Os "5 B's" do Branding Moderno Segundo Aaker, muitos ainda se prendem à métricas superficiais como fama e benefícios funcionais, deixando de lado atributos como lealdade e relevância. Além disso, a pressão por resultados de curto prazo muitas vezes enfraquece a construção de valor de longo prazo, frisa Tatiana Fanti: "A conexão entre consumidor e marca em uma espera mais profunda e que não se constrói apenas com atributos funcionais, mas com propósito, valores e experiências memoráveis. Para o supermercado, é estar do lado do cliente em escolhas saudáveis, sustentáveis e convenientes". Para enfrentar esses desafios, o pensador propõe os seguintes "B's": Valor da Marca (Brand Equity) No centro dos "5 B's" está o Brand Equity. Ele é o patrimônio estratégico que da marca. Quando bem trabalhado, cresce com o uso, fortalecido por ações que ampliem imagem, lealdade e relevância. Para isso é preciso reconhecer o papel programado, quebrar as barreiras entre marketing, produto, vendas e financeiro e defender o valor de longo prazo, mesmo com a pressão por resultados imediatos. "O Brand Equity é fortalecido quando a promessa da marca se traduz em valor genuinamente percebido, pois o que é construído (ou montado apenas como estratégia) é percebido pelo público como inverdade. Isso tudo pede coerência entre discurso e prática, investimento em inovação de serviços e marcas próprias (como algumas marcas já têm), experiências consistentes em todos os canais. No varejo, o equity não vem só de preço, mas da soma entre conveniência, confiança e impacto positivo", analisa a fundadora da Prima Donna. Relevância (Brand Relevance) Nesse tópico está a batalha pela mente do consumidor. Essa vitória, porém, precisa ser conquista no momento certo. Relevância significa ser presente e crível no contexto de uma necessidade real. Não é mais suficiente apenas dizer "sou melhor", mas é preciso conquistar esse espaço no imaginário do cliente no momento da decisão de compra. Sucesso significa se tornar sinônimo de solução. Tatiana Fanti destaca: "O Brand Relevance se conquista resolvendo problemas reais. É quando o consumidor entende que aquele supermercado simplifica sua vida, seja pela variedade de produtos, pela praticidade do e-commerce ou pelo posicionamento alinhado aos seus valores. O desafio é estar presente não apenas na lembrança, mas na decisão de compra diária". Imagem (Brand Image) Aqui reside a conexão emocional e o quão forte ela consegue se tornar. A imagem passa a ser o conjunto de atributos que diferenciem a marca: de design a propósitos e qualidade. Ela só se fortalece, porém, com clareza e pilares de visão consistentes, que geram relevância e diferenciação. "É aí que entra a autenticidade da Brand Resonance. A imagem deve refletir práticas reais: sustentabilidade que se vê na gôndola, apoio à comunidade local que aparece nos fornecedores escolhidos, inclusão que se percebe na comunicação são alguns bons exemplos", pontua a relações públicas. Lealdade (Brand Loyalty) A lealdade é a nova "corrida do ouro". Ela representa a continuidade do valor construído, representando nos clientes recorrentes. As consequências diretas da "vitória" nesse quesito impactam em custos, previsibilidade de receita e resistência frente à concorrência. Mais do que programas de fidelidade, a lealdade nasce do relacionamento real criado com o consumidor. A fundadora da Prima Donna salienta: "O Brand Loyalty hoje é menos sobre acumular pontos e mais sobre criar vínculos. Para supermercados, isso significa programas de relacionamento personalizados, benefícios emocionais além de descontos e experiências exclusivas que façam o cliente se sentir parte de uma comunidade". Portfólio de Marcas (Brand Portfolio) Por último, mas não menos importante, o portfólio. Esse tópico se refere a uma estrutura bem traçada, funcionando como um time, onde cada marca ou submarca cumpre um papel estratégico, desde a Marca-Mãe às submarcas e marcas colaborativas, com atenção especial às marcas próprias. "Elas (marcas próprias) fortalecem o Brand Equity e o Brand Relevance do supermercado. As marcas próprias, quando bem construídas, traduzem os valores e diferenciais da rede: qualidade acessível, inovação em categorias estratégicas e conexão com o estilo de vida do cliente. Não são mais apenas alternativas baratas, mas ativos estratégicos para fidelização", reforça Tatiana Fanti. A grande força do Branding Moderno está na sinergia dos fatores. Quando um "B" é fortalecido, outros são impulsionados. Quando um fraqueja, todo o ecossistema cede. Se antes a disputa pelo imaginário do consumidor era pelo convencimento de escolher uma marca e não a outra, por diferenciação de atributo, hoje é preciso se tornar indispensável. Em resumo: preferência é algo que pode ser comparado, a relevância não, ela é inevitável. Pontos de atenção à mudança Concorrência ampliada: a disputa não está mais apenas entre marcas do setor, mas com qualquer solução que atenda à mesma necessidade do consumidor; Influência sociocultural: para ser relevante é preciso conexão com causas e discussões maiores, importantes para a sociedade; Parcerias colaborativas: formar relações com marcas que agreguem valor gera a ideia de pertencimento; Agilidade estratégica: monitorar e antecipar mudanças de comportamento, tecnologia e semiótica. Para adaptar-se à nova realidade é preciso muita atenção ao uso de dados e ao social listening. Além disso, campanhas institucionais precisam de aplicação visível no dia a dia do negócio, com experiências imersiva, criando valor além de produtos e serviços. Também é necessário estar conectado com a linguagem dos consumidores, porém, mantendo a autenticidade da marca. No jogo da preferência, a disputa era pela opção do consumidor. No jogo da relevância, é preciso garantir espaço permanente na vida dele. Os 5 B's oferecem justamente uma estrutura sólida para trilhar essa jornada. Em tempos de concorrência altamente acirrada, apenas marcas com estratégia de gestão, relevância cultural e conexão emocional crescerão ao ponto de subirem ao nível de indispensáveis. A grande pergunta que reside ao fim é: sua marca será imprescindível na vida do consumidor amanhã?
12/09/2025
Indústria em cena
Vapza e Knorr: parceria inédita para entrar em um novo segmento! Sua gôndola está pronta?
Buscando ampliar sua presença em diversas ocasiões de consumo do brasileiro, a Knorr, marca da Unilever Alimentos, se uniu à Vapza para entrar na categoria de refeições prontas, segmento que tem registrado crescimento nos últimos anos no país. Com a parceria, foi lançada a linha de refeições prontas e práticas: a Mini Meals. A iniciativa tenta alcançar a atenção do consumidor moderno, que procura soluções práticas, saborosas e nutritivas, adequadas a sua conveniência, mas sem abrir mão da qualidade. A novidade representa a estreia da Knorr no segmento de refeições prontas na América Latina, em um claro movimento de estudo e análise do comportamento e das mudanças de hábitos alimentares dos clientes. "A entrada de Knorr no mercado de refeições prontas traz uma experiência que combina sabor, praticidade e o conforto de uma comida caseira. Com a tecnologia exclusiva da Vapza, conseguimos oferecer uma refeição completa com ingredientes de verdade, sem conservantes ou necessidade de refrigeração. A praticidade faz parte da proposta do produto, mas o grande diferencial dessa linha está na qualidade e na forma inovadora de levar uma refeição saborosa e pronta para o dia a dia dos consumidores, fatores que acreditamos ter alto potencial de performance no varejo", declara Marina Ballini, líder de Marketing de Culinários da Unilever Alimentos no Brasil. Proposta alinhada às demandas de consumo modernas A linha Mini Meals estreia com duas opções: Picadinho de Carne (carne bovina com cenoura, arroz branco e feijão carioca) e Frango Oriental (peito de frango com pimentões, molho shoyu, arroz e batata em cubos). As refeições, prontas em apenas dois minutos no micro-ondas, não necessitam de refrigeração, são livres de conservantes e feitas com ingredientes naturais. Cada porção é organizada em três embalagens inteligentes que separam proteína, acompanhamento e vegetais, garantindo também praticidade ao consumidor. "Quando propósito e inovação se encontram, o resultado transforma. Com muito orgulho, anunciamos o lançamento da linha Mini Meals, uma cocriação entre duas marcas que compartilham valores e visão de futuro: Vapza + Knorr. Unimos o sabor e a tradição da Knorr com a praticidade e tecnologia da Vapza para criar refeições completas, rápidas e nutritivas, perfeitas para quem busca conveniência sem abrir mão do prazer de comer bem", destaca Enrico Milani, CEO da Vapza. O lançamento da linha Mini Meals é reflexo direto do acompanhamento das adaptações do comportamento dos consumidores, especialmente os mais jovens, que tentam aliar uma alimentação saudável e balanceada com praticidade e acessibilidade. Quem descreve esse movimento é o CEO da Vapza: "Essa parceria vai além de um produto: é um marco no jeito de se alimentar bem. É sobre escutar o consumidor, entregar soluções reais para o dia a dia e mostrar que comida de verdade pode ser simples, gostosa e acessível. Seguimos com entusiasmo, oferecendo saúde e sabor com um tempero ainda mais especial: o da colaboração". "Estamos atentos às mudanças de comportamento, especialmente entre as pessoas que vivem no corre e querem comer bem sem perder tempo. A parceria combina nossa expertise em levar sabor de comida caseira com a tecnologia de embalagem a vácuo e cocção a vapor da Vapza, o que garante refeições completas e que entregam, ao mesmo tempo, conveniência e qualidade superior, características ainda pouco exploradas em soluções prontas", também pontua Maria Eugênia, diretora de Novos Negócios da Unilever Alimentos LATAM. Integração de tecnologias Se a Knorr entra na parceria com a expertise do lado alimentar, a Vapza soma a iniciativa com a tecnologia de cocção a vapor e embalagem a vácuo, fornecendo uma solução completa para os consumidores que desejam refeições equilibradas e rápidas. "Essa parceria chega para transformar a experiência do consumidor, combinando praticidade, sabor e qualidade em um só produto. Um verdadeiro marco para o nosso segmento, que reforça o poder da inovação e da colaboração estratégica", explica Oseias Andrade, diretor comercial da Vapza. Oportunidade para o varejo supermercadista O lançamento apresenta uma nova possibilidade do varejo supermercadista ampliar seu mix de produtos com itens que dialoguem com consumidores mais atentos a alimentação saudável, mas que precisam de opções e praticidade para aliar essa demanda ao seu dia a dia. Estar preparado pode reforçar, no ideal do cliente, a ideia de que nosso setor é, verdadeiramente, uma opção nessa busca, além de um elo entre as inovações da indústria e as necessidade da experiência do consumidor. Suas gôndolas já estão preparadas?
12/09/2025
Indústria em cena
Campanha inovadora e agressiva: Yoki repagina linha de snacks com promoção nacional
Em uma categoria que cresce entre os clientes do varejo supermercadista e com relevância em diferentes ocasiões de consumo, a Yoki, da General Mills, apostou em uma ação agressiva em todo o território nacional. A marca reformulou completamente as embalagens de sua linha de snacks, que inclui pipocas de micro-ondas, amendoins e salgadinhos Yokitos. O movimento é uma tentativa de reforçar a presença da marca no segmento. Mas a estratégia não para por aí. Nova identidade visual Na linha Yokitos, o design das embalagens e o mascote Jacaroki foram repaginados, na tentativa de reforçar a conexão com o público infantil. Já na linha de batatas, a proposta visual é mais neutra, direcionada ao consumidor que busca praticidade. Os amendoins, por sua vez, agora carregam o selo "Amendoim Selecionado", com o objetivo de destacar qualidade e cuidado na seleção do grão como fator de diferenciação da concorrência. Já as pipocas para micro-ondas ostentam o selo "Grão Premium", instruções de preparo mais claras e coberturas doces reformuladas, inclusive com a novidade Chocolate com Avelã. "Experimente grátis": promoção agressiva Para impulsionar a experimentação e iniciar a criação de novos laços com consumidores, a Yoki lançou uma promoção firme: a "Experimente grátis", válida em todo o território nacional até o final de outubro. Na compra de até R$ 20,00 em produtos participantes (incluindo um item Yokitos), o consumidor tem a possibilidade de cadastrar o cupom no site oficial e receber cashback via Pix, após validação. Cada CPF pode obter até R$ 60,00 em reembolsos (ou até três cupons). "Agora os consumidores podem experimentar de graça nossos salgadinhos Yokitos, inovações de pipoca micro-ondas e amendoins. A Yoki tem uma linha completa de snacks salgados deliciosos para acompanhar a série favorita, o jogo de futebol, a resenha da moçada", destaca Fabiola Menezes de Paula, CMO da General Mills Brasil. Oportunidade para o varejo supermercadista Algumas ações práticas podem ser adotadas para potencializar os resultados com a campanha da Yoki, tais como: Pontos extras e "ilhas de experimentação": criar espaços atrativos e destacar a mecânica do cashback, facilitando a compreensão da promoção, pode fortalecer as compras por impulso; Degustações em horários específicos: ações nos horários da tarde/noite e aos fins de semana podem ser mais assertivas, visto que a categoria de snacks também está muito aliada à conveniência para um lanche da tarde ou para a merenda escolar preparada pelos pais; Cross-sell: ativações combinadas com bebidas e molhos, focadas em "momento de lazer", podem gerar bons resultados; CRM: divulgar em aplicativos, e-commerce e programas de fidelidade, com segmentação para consumidores com alta afinidade em snacks e produtos de consumo fora de casa. Gestão de sortimento e estoque: é preciso garantir que haja estoque para suportar o período promocional e assegurar a rápida reposição dos itens. Iniciativas como a campanha da Yoki mostram como inovação, conveniência e leitura de tendências podem acelerar giro e fortalecer o relacionamento, criando experiência que gerem percepção de valor junto aos clientes.
12/09/2025
Grupo Alvorada promove campanha de Setembro Amarelo com ações de acolhimento e conscientização para colaboradores
O Grupo Alvorada está realizando, durante todo o mês de setembro, uma campanha especial voltada à valorização da vida e à saúde mental de seus colaboradores. As iniciativas fazem parte das ações do Setembro Amarelo e incluem conteúdos informativos, dinâmicas internas e distribuição de materiais para todas as unidades, incluindo matriz, filiais, centro de distribuição e fábrica. Uma das principais atividades é a dinâmica da “urna de mensagens”, que estimula a troca de palavras de apoio entre os funcionários. “As equipes elaboraram urnas em cada loja e também na matriz. Os colaboradores escrevem mensagens anônimas de incentivo, dobram o papel e depositam dentro da urna. Por volta do dia 20, todas serão abertas para que cada pessoa possa retirar uma mensagem e ler”, explica Mylena Monteiro, analista de comunicação interna do Grupo Alvorada. Segundo ela, a ideia surgiu de uma prática cotidiana: “A inspiração veio do nosso dia a dia. Eu e outras pessoas temos um potinho de mensagens na mesa. Quando o dia está mais puxado, a gente tira um papel, lê e segue o trabalho. É um pequeno alívio. Pensamos: por que não ampliar isso para todos os colaboradores?”, destaca. Além da urna, kits de conscientização foram enviados a todas as unidades. Cada kit inclui lacinhos amarelos, informativos para mural, folhetos explicativos, balões e uma carta personalizada. “Os laços foram produzidos internamente pelo time de RH, com o apoio dos jovens aprendizes. Também distribuímos folhetos e lacinhos na estação de trabalho de cada colaborador da matriz”, conta Mylena. A campanha ainda aposta em conteúdo digital estratégico. Vídeos com orientações sobre saúde mental, serviços de ouvidoria e atendimento psicológico são publicados todas as quartas-feiras, no que o grupo apelidou de Quarta Amarelo. “Queríamos que fosse algo realmente útil, que ajudasse de fato quem assiste, seja colaborador ou não. Por isso, cada vídeo é acompanhado de um e-mail interno que aprofunda o tema”, explica. Para Mylena, a proposta vai além da conscientização: “Falar sobre saúde mental precisa deixar de ser um tabu. Nosso objetivo é oferecer suporte, mostrar os canais de atendimento disponíveis e incentivar o cuidado diário com o bem-estar”, conclui. "Com ações de acolhimento e comunicação integrada, o Grupo Alvorada reforça o compromisso de promover um ambiente de trabalho mais humano e atento à saúde emocional de seus profissionais", destaca a gerente de Gente e Gestão da ASSERJ, Michelle Rodrigues.
12/09/2025
Associados em foco
Uma aula de organização e planejamento para o varejo supermercadista: o 6º Encontro de Parceiros do Royal
O grupo Royal é uma rede consolidada no varejo supermercadista fluminense. São 13 unidades, marca própria com mais de 600 produtos (Casa de Mãe), mais de 2000 itens exclusivos importados de mais de 20 países diferentes, muita tecnologia em toda a sua operação e um conceito diferenciado de supermercado pelas regiões em que atua... essas são apenas algumas características muito específicas dos Supermercados Royal, mas, talvez, a principal delas, resida nos bastidores: organização. A excelência de planejamento do grupo é o que dá toda a robustez que cria uma confiança ímpar na relação com seus parceiros. E toda essa minuciosidade do planejamento da rede de origem japonesa, que cresce baseada em si mesma, sem nenhum investimento externo, foi apresentada nesta quinta-feira, 11 de setembro, no 6º Encontro de Parceiros do Royal, realizado no resort Portobelo, em Angra dos Reis, lotado de representantes das mais diversas marcas. "O Encontro de Parceiros tem como finalidade o marketing, que nós fazemos junto com nossos consumidores, para reforçar ainda mais o vínculo que temos com todos os fornecedores e indústrias. O Royal foi criado em 1º de abril de 1965. Parece mentira, mas estamos fazendo 60 anos. Nós buscamos o crescimento sólido. Nós não crescemos com financiamento; crescemos com capital próprio. Já temos três ou quatro novos endereços que serão construídos aos poucos. Temos Petrópolis, que será o nosso maior investimento, em torno de R$ 100 milhões. Depois temos Resende, um terreno que fica no centro da cidade, com 18 mil metros quadrados. Será também um ponto de encontro de todo resendense. Temos também Califórnia, em Volta Redonda, que será uma loja de grande porte. Todo o nosso crescimento é baseado em recurso próprio e prédios próprios, imóveis próprios. São poucos imóveis alugados e, quando é locação, é um contrato de 40 anos, para dar maior segurança ao empreendimento. E investimos pesado, mesmo sendo imóvel alugado. É assim que fazemos. Como diz nosso encontro: empreender e transformar. É o que tentamos fazer", destacou KeisabroChokyu, diretor presidente do Royal. Expansão planejada: a organização por trás do sucesso Leonardo Chokyu, diretor de operações da rede, apresentou diversos avanços conquistados pelo Royal ao longo deste ano, além dos planos para 2026. Dentre os mais expressivos estão a estruturação completa do Centro de Distribuição, a nova central administrativa, inaugurações para além das gôndolas e um case de sucesso. "Nosso Centro de Distribuição cresceu muito, e em organização também. O CD já está rodando 100% com câmaras frigoríficas. Estamos comprando mais caminhões frigoríficos para poder adiantar mais a carga de perecíveis. O CD nos possibilitou gerar uma operação que, antes, era 24 horas, para somente diurna. Com isso, reduzimos o estoque em nossas lojas, não tem mais explosão de entrega nelas. Hoje já estamos tentando controlar, junto com o comercial e com a equipe de suprimentos, o nível de abastecimento das nossas lojas", afirmou Leonardo. O diretor de operações também expôs: "Recentemente fizemos uma parceria com a Vestcasa. Abrimos, no mês passado, a primeira loja em parceria com eles, que é a Royal Boa Vista. No dia da inauguração, foi muita gente. E o mais interessante: trouxe um canal de clientes que nós não atendíamos. Temos a nossa parte de utilidades domésticas, mas nada parecido com o que a Vestcasa nos trouxe. É um parceiro excelente. Vamos inaugurar, na próxima quinta-feira, a loja de Três Rios e, até o final do ano, mais três lojas." "Inauguramos, semana passada, também, mais um restaurante no Royal da Vila. Com esse, são quatro restaurantes que temos nesta loja recém-inaugurada. E o interessante de falar sobre restaurantes é que isso reforça o que nós esperamos de um supermercado. Um supermercado que não entrega somente produtos, açougue, frios... não, agora estamos com restaurantes, nossa padaria, que já é referência onde operamos. Nós temos participação, dentro da empresa, só de padaria, em torno de 4% do faturamento da loja. No Brasil, eu acredito, deve estar em torno de 2,5%. Nossos produtos de padaria são diferenciados, muito bons, bonitos. E todas as nossas novas lojas estarão equipadas com restaurantes e padarias", finalizou Leonardo. Gerenciamento de categoria: a revolução do relacionamento com fornecedores Por motivos mais que compreensíveis, não podemos dar spoilers do que planeja o Royal para remodelar a forma de relacionamento com a indústria e fornecedores. O que podemos dizer é: preparem-se. O único insight que é possível mencionar é que o conceito de Fog of War não existirá mais no Royal. É planejamento, organização e muita informação. Além disso, o grupo aposta em uma escuta ativa das demandas de seus parceiros e propõe um incentivo constante de seus diretores na busca por soluções cada vez mais tecnológicas. "Temos uma ouvidoria interna, que é um canal direto com a Diretoria. Às vezes há um lançamento de produto e o departamento comercial deu negativa. É aí que entra a nossa escuta. Muitos produtos já passaram pelo nosso canal de oportunidades, reprovados pela área comercial; reavaliamos pelo canal de oportunidades e fizemos o cadastramento do produto. Toda a Diretoria recebe esse e-mail. E, bem, falando sobre empreender e transformar, temos que falar sobre IA. Recentemente fizemos uma imersão com todo o corpo executivo da empresa, dois dias de imersão, e cada executivo teria que trazer projetos de IA. No final, aprovamos 145 projetos de IA para serem implantados no Royal. Alguns já foram implantados, outros estão em andamento e ainda tem aqueles que estão programados para começarmos em 2026", frisou Egberto Tyotaro Chokyu, diretor comercial do Royal. O diretor de comercial ainda ratificou o serviço de promotores de loja compartilhados com a indústria, iniciativa que permite as empresas parceiras “alugar” profissionais para realizar suas ações, por meio da empresa “4P”: "Agora, falando um pouco sobre promotores compartilhados: é muito importante, porque serve para as nossas três categorias de fornecedores. Às vezes, o fornecedor não tem porte para ter cobertura de promotor. E aqui você pode contratar uma fração do promotor em todas as nossas lojas, uma hora por dia, a cada três dias. E isso consegue dar visibilidade aos produtos. Aquele fornecedor que tem cobertura parcial também pode utilizar. O que ele faz? Ele complementa nas lojas que não têm. E mesmo aquele que tem cobertura em todas as lojas, alguns fornecedores já estão fazendo complemento através da 4P. E também degustações. Estão lançando produtos? Precisam fazer a degustação? Procurem a 4P, que vocês também conseguem promover a experimentação dos produtos nas nossas lojas". Foco nas pessoas: a valorização do colaborador Leonardo Chokyu também pontuou ações específicas voltadas para os funcionários do Royal: "Temos vários canais para os colaboradores. Um canal de ética e um canal separado para as mulheres, com uma empresa profissional, onde conseguimos direcionar bem essa informação. E, recentemente, contratamos mais uma ferramenta de trabalho, que é a Pesquisa Fiter. Essa pesquisa é enviada todos os meses para todos os colaboradores da empresa. Eles recebem oito perguntas, que respondem no próprio celular. Levam, no máximo, uns dois minutos e ali eles se autoavaliam. Não avaliam o Royal: avaliam como eles estão em relação à empresa, se são felizes, se têm risco de turnover, se estão aderentes ao trabalho. E também há um campo para que deem sua opinião sobre a empresa. Todas essas informações, que são riscos para o trabalho, temos considerado e feito ajustes na nossa empresa." "É o DNA da nossa família: fazer tudo bem feito. Mas não conseguimos fazer as coisas bem feitas se não tivermos pessoas. Só conseguimos entregar o Royal que temos hoje por causa de nossos colaboradores. Preparados e treinados, para o melhor serviço", encerrou. Royal Talks Durante o encontro, a rede propôs um painel diferenciado para o evento. Quatro referências do varejo subiram ao palco para compartilhar experiências, aprendizados, e, principalmente, a resiliência necessária frente às dificuldades. Dentre os palestrantes, Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ e, claro, Karol Babadeira - Influencer de supermercados e conselheira do Grupo Royal. "Um grande desafio que eu tive é que, como eu vim de uma família muito forte, é muito difícil você conseguir um destaque. Então, quando eu comecei, não era muito a minha intenção me tornar uma personalidade do varejo; a coisa foi acontecendo muito naturalmente. Conseguir crescer e virar uma referência nacional não foi fácil. Hoje, como Karol Babadeira, eu rodo o Brasil fazendo palestras, criando conteúdo, mentorias, atendendo redes, com o trabalho que eu desenvolvi como referência. Eu sou muito grata, porque tive a oportunidade de crescer em uma família empresária. E, quando crescemos em uma família empresária, temos uma referência. Desde que eu comecei, quando eu tinha 15 anos, eu já estava em mesa de reunião. Eu ainda não era ativa, mas tinha uma escuta ativa muito boa", manifestou Karol Babdeira, influencer do varejo e conselheira do Grupo Royal. Outro a palestrar foi Leandro Pinto, presidente da Mantiqueira Brasil, que compartilhou sua trajetória muito inspiradora: "Em 1986, no Plano Cruzado, eu tinha quebrado com uma loja de máquinas. Em 1987, eu aluguei uma granja com 30 mil galinhas. O dono dela tinha tido um enfarte e me falou para comprar a granja dele. Como que eu ia comprar? Não tinha dinheiro. Então, ele sugeriu que eu comprasse as galinhas e alugasse a granja. Para minha surpresa, 60 dias depois de alugar a granja, as galinhas pararam de botar. Me lembro direito desse momento: meu sogro me chamou e me falou que era hora de acabar com tudo aquilo. Eu fui persistente, eu fiquei indignado. Eu chamei veterinários do Brasil inteiro, apesar da minha pequenez, mas eu queria entender o que estava acontecendo. E, durante quatro dias, eu não descansei enquanto as galinhas não voltaram a botar. Aquele dia foi marcante, porque, se eu tivesse, 60 dias depois de ter começado um novo negócio — sendo que eu já tinha tido insucesso em um empreendimento anterior — desanimado, com certeza eu não estaria aqui. Então, é isso: persistência. No dia em que as galinhas pararam de botar, eu tive persistência e coragem de enfrentar, porque o mais simples era ter acabado com tudo e jogado a culpa nos outros. Não joguei a culpa em ninguém, persisti, e estou aqui hoje para contar a história. Eu acho que o inconformismo é uma coisa que tem que estar na veia. E a escassez é o que faz pensar diferente, o que faz a vida diferente. Quando que eu imaginaria, há 38 anos, que nós pensaríamos que o ovo ia virar uma categoria. Que nós íamos ter uma gestão de categoria de um produto que representa, hoje, 1,5% da venda total do supermercado. É um produto que era vendido embaixo nas gôndolas, que ninguém dava valor. São desafios que te levam a acreditar que você pode ser diferente”. Na sequência, Day Titon, diretora comercial e de marketing da Baly, disse: "Meu pai teve um insucesso no passado, em uma empresa familiar. Então ele faliu e saiu sem recursos e começou a jornada da Baly, que na época nem era energético. Ele não podia começar com máquinas ou equipamentos, mas tinha credibilidade, tinha muita força de vontade, e isso me marcou muito, porque eu tinha mais ou menos 14 anos e, já desde o início, admirava aquela persistência de querer fazer acontecer de novo. Sofrer tanto com uma perda e ainda ter aquela vontade de vencer era admirável. Eu achava incrível vê-lo lutando. Esse caminho é o que nos leva para o outro patamar, para o próximo nível. Por falta de recursos, tivemos que produzir com o que tínhamos: uma garrafa PET, uma embalagem econômica, e lançamos com medo mesmo. Nós chamamos isso, na Baly hoje, de nossa essência da coragem: coragem para enfrentar o futuro. Esse foi o nosso caminho que nos trouxe até aqui. Eu aprendi muito com isso e, no meu dia a dia, incorporo essa lição à cultura do time. Sempre que olhamos para um obstáculo, seja no cliente, seja no dia a dia das negociações, nos perguntamos: por que paralisamos na hora de lutar? Por que deixamos algo de lado? Nós trazemos isso fortemente para a nossa cultura hoje. Nós somos inconformados também, sempre. Porque isso é o que nos faz seguir para o próximo dia". Destaque para a apresentação do presidente da ASSERJ, Fábio Queiróz: "Mais um ano estamos aqui juntos. Parabéns pelos planos e por toda a clareza com que o Royal se coloca no mercado. Isso é muito importante. Eu venho do setor supermercadista e sempre destaco como este encontro é essencial para aproximar supermercados e indústria. Nós, no dia a dia, negociamos de forma intensa. A disputa por centavos é saudável, mas também é desgastante. Quando o supermercado retribui à indústria com um momento como este, cria-se um elo diferente. Supermercados têm promovido encontros e celebrações, e o Royal sempre valorizou a indústria nesse tipo de interação. Por isso, Família Royal, parabenizo verdadeiramente por este evento. Na minha trajetória, o que me marcou foi a visão e uma coragem quase ingênua, mas fundamental. Eu me formei muito cedo em direito, aos 20 anos, em uma época em que a maioridade era aos 21. Fui emancipado pela colação de grau e entrei no mercado de trabalho com pouca experiência, mas com muita determinação. Desde os 15 anos já havia escolhido minha profissão e segui firme nessa escolha. Comecei a carreira no jurídico do Supermercado Mundial. Lá conheci grandes amigos do setor. Na sequência, recebi o convite para presidir a ASSERJ. Isso significava abrir mão da profissão que tanto me dediquei. Dois anos depois aceitei. Isso exigiu coragem, porque eu não havia estudado para ser executivo. Assumir essa posição significava deixar minha carreira anterior e assumir a liderança de uma organização inteira. Eu aceitei e segui. Minha maior insegurança eram os eventos. Como advogado, tinha facilidade em lidar com relações institucionais, mas a ASSERJ precisava também realizar grandes encontros e atrair recursos. Foi então que conheci, em uma feira em Nova York, o diretor global de varejo da IBM. Convidei-o para palestrar em um evento nosso. Ele aceitou. Só que não existia um evento ainda. Diante disso, nasceu a ideia do Conecta Varejo | Rio Innovation Week, que hoje é a maior feira de tecnologia e inovação do mundo, criada ao lado do meu sócio Jeronimo Vargas, da Base Eventos. Já trouxemos nomes como Sebastian Vettel, Spike Lee e Steve Wozniak, e lançamos, recentemente, o São Paulo Innovation Week. E a visão é clara: eu não vou ensinar o que é que dá pra comprar e vender. Eu preciso contribuir com o setor do supermercado. O retail media, por exemplo: pego a mão da indústria, pego a mão do mercado, e começamos a construir. O objetivo sempre foi aproximar indústria e varejo em torno da inovação. Mas precisa ter uma coragem meio inconsequente, porque talvez, se pararmos apenas para calcular riscos, deixamos de fazer, não adianta. Essa é a bandeira que eu tenho levantado, ideias e mentorias são importantes, mas a execução é o que realmente transforma. E executar é muito mais difícil. Eu gosto de dizer que erro há muito tempo, e quero errar todos os dias cada vez mais, porque é daí que sai esse empreendedorismo inconsequente e maravilhoso ao mesmo tempo. Eu me formei cedo, com responsabilidades desde muito jovem. Isso trouxe vantagens cognitivas, mas meu emocional nem sempre acompanhou. Só que eu segui naquela rotina: você vai, vai, vai. Foi necessário aprender a lidar com essas pressões. Claro que nessa trajetória cometi erros. E me arrependo amargamente. Estou falando aqui de coração aberto, porque são testemunhos fortes que ficam, que marcam. E eu só estou admitindo publicamente assim porque isso me fez crescer. Como eu aprendi, como eu me transformei, me modifiquei. E isso me mostrou duas coisas. Primeiro, não adianta você brilhar, você estar bem, se não estiver emocionalmente equilibrado. Também me ensinou uma coisa importante, que é: não se muda o sistema se você não está dentro dele. Não é reclamando de fora que você vai transformar, que você vai contribuir. Então eu me refiz... foi um aprendizado doloroso, mas que me transformou em um líder melhor. Hoje sou primeiro vice-presidente da ALAS e, agora, embarco para concorrer como presidente da Associação das Américas. Outra coisa marcante para mim, sem a menor sombra de dúvida, sem pensar, nem por meio milésimo de segundo: a pandemia. Veio a pandemia, e nós somos um setor essencial. Eu olhava para os noticiários: desabastecimento na Itália, desabastecimento no Canadá, países muito mais desenvolvidos do que o nosso, que tinham a tarefa de abastecer o povo. E olhava para as lojas: colaboradores morrendo, lojas lotadas, verdadeiros antros de proliferação de Covid. Eu, asmático, ou seja, do grupo de risco, tive que tomar duas decisões que jamais esquecerei na minha vida. A primeira era sair de casa e colocar a minha vida em risco em nome de um propósito, em nome de inúmeras pessoas que precisavam de um líder naquele momento. E a segunda era fazer alguma coisa para acalmar a população. Porque aquela corrida desenfreada às lojas nada mais era do que pânico. Nosso pioneirismo foi tamanho que o primeiro protocolo de segurança do Brasil foi feito pela ASSERJ. Todos os outros foram baseados no nosso. Mudamos todas as nossas lojas da noite para o dia. Também montei o Comitê de Crise da ASSERJ, multidisciplinar (tinha até nutricionista lá dentro), para entendermos o que, se faltasse, poderia ser substituído. E comecei a monitorar toda a cadeia de abastecimento: produtor rural, indústria, indústria de transformação, caminhoneiros — que eram o elo mais exposto da cadeia, porque, se não tivesse caminhão, não chegava produto na loja — e o poder público. Nesse momento, eu, literalmente, invadi o gabinete do governador Wilson Witzel e falei que garantia 15 dias de abastecimento, mas que se eu ligasse, ele precisaria me atender para ajudar. Era o tripé: saúde, segurança e supermercado que mantinha o afastamento social. Se faltasse qualquer uma dessas três coisas, era caos, era saque. Pois bem, qual foi a grande decisão? Quando vi que estava tudo monitorado, coloquei o meu rosto. Eu não tive opção. Meu rosto foi para três Jornais Nacionais seguidos, dizendo à população: 'calma, não vai faltar produto. Calma, eu garanto o abastecimento'. Vocês imaginam a responsabilidade? Se faltasse produto nas lojas, o culpado era eu. Nunca mais ia ter paz na vida. Mas lembrem que eu falei de coragem, você tem que ter coragem. Eu tenho muito orgulho de dizer a todos vocês: se não faltou comida na casa de ninguém é porque tinha um setor forte, trabalhando diurnamente, perdendo membros, mas aguerridamente abastecendo a nossa população. Nós encerramos o período da pandemia sem nenhum episódio de desabastecimento. Sem esses supermercadistas aqui, representados pelo Royal, majorarem preços ou se aproveitarem da situação, como vimos em várias partes do mundo. Eu tenho muito orgulho de tudo o que aconteceu. Não acredito até hoje, mas é verdade. E falando de sonhos e ações de longo prazo. Ser presidente da Associação das Américas, ser eleito. Embarco agora e vamos ver se nós trazemos uma vitória para o Brasil. Depois, o Rio Innovation Week, que já é o maior evento de tecnologia do mundo, e agora é consolidar o São Paulo Innovation Week e participar de toda a transformação tecnológica do varejo. Acho que iniciei isso, participei do início dessa revolução tecnológica e quero estar ali por algum tempo para que possamos ver lojas transformadas. Dessa forma, o consumidor terá uma experiência bastante diferenciada. Caixas automáticos, menos filas, gerenciamento de operação por aplicativo, tecnologia no estacionamento para saber se há vaga antes mesmo de sair de casa, pagamento por reconhecimento facial. Enfim, quero um supermercado totalmente tecnológico e diferente. Obrigado a todos". Uma lição de liderança com um nome de peso No final, mas não menos importante, o Supermercados Royal ofereceu a todos uma palestra inspiradora sobre liderança com Paulo Camargo, cuja bagagem inclui já ter sido CEO do McDonalds. “Seja transparente, justo e vulnerável, mas não seja complacente com baixa performance. As pessoas esperam da liderança justiça e atenção. O principal papel do líder é desenvolver novos líderes. Criar uma matriz viral positiva dentro da empresa, criando um sistema que todos vão querer ser líderes. Os números passam, mas as pessoas não. As pessoas não vão esquecer o modo como você fez sua equipe entregar resultados”, salientou Paulo Camargo. O palestrante encerrou com uma dica emocional valiosa: “Lidere o seu time como se seus pais estivessem olhando para você, para saber se valeu a pena”.
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