
“Supermercado do futuro”: time de especialistas encerra Rio Innovation Week no palco Conecta Varejo

Palestra reúne especialistas do setor supermercadista ao Conecta Varejo
O Rio Innovation Week chega ao fim com sua última palestra no Conecta Varejo! Para fechar o evento com chave de ouro, o palco mais disputado pelos varejistas reuniu um time de peso com grandes nomes do setor para debater o tema: “Operação inteligente e o supermercado do futuro: como a IA está redefinindo o varejo supermercadista”.
André Portes (Diretor Administrativo/Financeiro/Marketing da Redeconomia de Supermercados), Genival Beserra (Fundador da Academia Brasileira de Supermercados e Presidente do Conselho da ASSERJ), Gerson Estevan da Cruz (Diretor Geral da Cencosud Brasil) e Antoane Hang Correa (Presidente do Armazém do Grão) se juntam ao mediador Estevão Daudt (Fundador do Instituto Daudt) para trazer os principais insights do momento.
Os líderes do varejo supermercadista compartilharam como a combinação entre inteligência humana e inteligência artificial impulsiona a inovação, preparando os supermercados para as novas expectativas do consumidor.
O maior ativo de um negócio não é a tecnologia
Para abrir o painel, Genival Beserra falou sobre o bem mais precioso de um negócio: as pessoas. “Vamos falar um pouco sobre o mercado do futuro, que passa por gente. Vamos falar de IA, tecnologia e um monte de coisas. Mas, se não falarmos sobre pessoas, perdemos nosso tempo aqui. São as pessoas que vão fazer essa tecnologia funcionar”, disse Genival Beserra ao abrir o painel”, disse.
Gerson Estevan contou com a torcida do seu time, que estava presente em peso no público do Conecta Varejo. Ele agradeceu a presença do seu time, celebrou o sucesso das reformulações de suas lojas neste ano e agradeceu: “É um prazer falar sobre esse varejo do futuro cheio de gente”, disse.
“O varejo tem o objetivo de resolver dores de todos os nossos stakeholders e o melhor lugar para fazer isso é aqui. Vamos falar sobre o que a tecnologia pode fazer para gerar produtividade para todo o nosso sistema”, afirmou Antoane Hang.
André Portes relembrou o início do Conecta Varejo, depois que incentivou Fábio Queiróz, presidente da ALAS e da ASSERJ, para visitar a NRF, grande feira de varejo. Ao voltar de lá, ele já estava com a ideia do evento - que depois deu origem ao Rio Innovation Week. “Daí nasceu toda essa estrutura. Estar aqui é uma alegria”, reforçou.
Inovações no varejo
Gerson explicou ao público que as inovações precisam estar alinhadas com a necessidade de diminuir as dores no setor. “Para o varejo, a inovação só é inovação se melhorar a vida do nosso cliente, se for para tirar atrito da nossa relação no dia a dia com o cliente e o colaborador”, disse. Para ele, seu maior sonho é que as inovações sejam uma forma de garantir que o time consiga trabalhar o atendimento de forma mais precisa e eficaz.
Complementando Gerson, Antoane apontou que a produtividade é um desejo de todos e destacou a importância da gamificação para trazer mais inovação. “Quando você usa o ecossistema como um canal único e integrado, vem a produtividade. Existe outra necessidade hoje de autorreconhecimento. Quando você traz isso para o seu depósito, todos se sentem bem porque se sentem produtivos”, comentou.
O medo da IA
Quando questionado sobre o medo da IA substituir os humanos, algo que afeta muitas pessoas, Genival reforçou sua crença de que “varejo é feito por gente”. Para ele, a inteligência artificial chegou como um aliado do funcionário, e não como um substituto.
“Eu acho que perde o emprego quem não faz o seu dever de casa. A IA veio para nos ajudar a ser mais eficientes e facilitar nossa vida. Reposição de mercadoria, olhar o estoque obsoleto [...] Isso passa pelo cuidar, treinar e preparar pessoas para assumir novas funções”, comentou.
Segundo ele, a inteligência artificial deve ser usada como uma forma de ajudar as pessoas a se desenvolverem e se destacarem. “A IA veio para isso, mas o ser humano vai estar sempre em primeiro lugar. Primeiro vem as pessoas e, depois, os processos”, afirmou.
O que é inteligência?
Complementando a discussão, André Portes trouxe uma provocação ao público: o que é inteligência? Muitas pessoas diriam que se trata da capacidade rápida de responder perguntas ou do entendimento de assuntos diversos. Pensando por esse ponto, a IA sairia na frente.
Porém, ele trouxe o exemplo de Isaac Newton que, ao fazer associações com ideias que poderiam parecer desconexas a princípio, conseguiu criar soluções e para resolver várias questões da humanidade, impactando até os dias de hoje. “Nós podemos resolver muito mais problemas do que imaginamos, mesmo que eles pareçam completamente diferentes”, esclareceu.
Antoane reforçou que, por mais que a IA seja um tema muito quente no momento, não é algo mágico ou uma descoberta recente, mas uma solução criada a partir de todos os dados que juntamos ao longo dos anos. A diferença é que isso não veio no formato de um robô humanoide, mas no campo virtual.
“O que deixo de constatação é que o robô virtual não veio para substituir, mas para agregar”. Sendo assim, a IA deve ser usada para facilitar sua rotina. “A conectividade é algo que vai gerar uma grande produtividade. O objetivo é colocar todo mundo na mesma régua, desde que você saiba montar o arcabouço.
Aplicação de IA na prática
Gerson explicou que falar de supermercado do futuro parece algo distante mas, na realidade, é algo que já está entre nós. “O supermercado do futuro que estamos falando é o que vamos entrar ao sair do evento. Nosso futuro é dois minutos”, pontuou.
O especialista abordou que o grande objetivo da IA é permitir que o funcionário tenha mais tempo para atender seus clientes. “Estamos trabalhando para que o time possa focar neste bem precioso, que é o cliente”, destacou. Uma forma de fazer isso na prática é usar tecnologia e IA aplicadas ao CRM. Com dados de quando, onde e o que comprar, dá para “antecipar uma necessidade do cliente, ajudando a melhorar sua experiência”.
“O nosso sonho não é atender milhares de clientes, mas atender cada cliente”, reforçou. Afinal, cada pessoa possui uma forma única de comprar.
Genival trouxe a discussão que é cada vez mais essencial que o atendimento ao cliente seja trabalhado, já que esse é um dos maiores diferenciais que uma empresa pode ter em meio à concorrência do mercado.
“Se eu abrir loja e não atender o consumidor, é claro que não vou ganhar dinheiro porque ele foge. As lojas têm que inaugurar todos os dias limpas, cheirosas e arrumadas, preparadas para receber o cliente”, afirmou. “As informações estão na palma da mão, ele vê quanto custa um quilo de alcatra em qualquer lugar. Então, ele vai comprar onde der mais serviço”.
Para Genival, é essencial usar tecnologia a seu favor para ajudar a mão de obra. “Se não fizer isso, ele sai da sua loja e vai pro vizinho. Porque você não prestou o serviço que se propôs. Quando você abre uma loja no varejo, é pra atender o consumidor”, disse.
André Portes trouxe a reflexão de que saber como fazer as perguntas certas é o segredo para que a aplicação da IA na prática se dê de forma positiva. “A IA democratizou as respostas. Todos nós temos acesso às respostas na palma da mão. O que ela não democratizou ainda é quem faz as perguntas. Que tipo de pergunta você fez essa semana que aumentou sua inteligência, a qualidade da sua vida na sua casa ou trabalhando como grande profissional?”, provocou.
Importância da capacitação profissional
Segundo Gerson, não adianta apenas entregar uma ferramenta tecnológica ao funcionário, se ele não for capacitado para isso. Por isso, destacou que essa é uma responsabilidade dos líderes.
“Tem empresa esperando para capacitar, e não podemos esperar. Nós, supermercadistas, temos que assumir a responsabilidade. Ter no nosso programa a capacitação. Não adianta entregar uma ferramenta maravilhosa e falar ‘se vira’”, disse. “Formar e capacitar continua sendo tão importante quando há dez anos”.
Antoane trouxe sua experiência com educação corporativa para deixar claro que o papel do varejo também é educar. “Tudo que pregamos aqui é melhoria, algo para alavancar e não diminuir. Quando falamos de IA, falamos de educação acelerada”, disse.
O especialista destacou que o mundo avança com rapidez e é papel do empresário estar atento para as mudanças e ser um “resolvedor de dores”. “Nós como varejistas e seres humanos temos que ter adaptabilidade ao mundo real de hoje [...] Eu tenho que me adaptar, ter dados para criar toda a cadeia e fazer ser sustentável” afirmou.
Genival explicou que, se a empresa não olhar para as pessoas que estão com ela no dia a dia, o próprio funcionário vai preferir a concorrência. “Temos que capacitar as pessoas para a vida. Não posso capacitar só para trabalhar para mim e para o meu negócio, mas para a vida. [...] Muitas vezes, ele não tem educação em casa, carinho ou cuidado. Tenho que cuidar, treinar e capacitar isso pra vida. Isso é barato. Cuidar custa muito pouco”, disse.
Gerson concordou com o fundador da ABS: “Nunca podemos permitir que a IA nos afaste do olho a olho com nossa equipe”, afirmou.
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