Dimas Dantas

Gestão de pricing exige foco no lucro bruto e não apenas na margem, afirma Dimas Dantas

17/03/2026

Por dentro da ASSERJ
Dimas Dantas

No palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE), o especialista em gestão e pricing no varejo, Dimas Dantas, fez um alerta direto ao varejo supermercadista: precificar não é simplesmente aumentar preços, mas encontrar o equilíbrio entre margem, volume de vendas e geração de caixa.

Logo no início da apresentação, ele destacou um dos erros mais comuns do setor: analisar a margem de forma isolada. Segundo Dantas, não adianta vender muito com margem baixa, nem trabalhar com margem alta e baixo volume. Pior ainda, segundo ele, é quando a operação apresenta lucro no papel, mas não gera caixa suficiente para sustentar o negócio. “Essa é uma matemática simples, mas que muitas vezes é esquecida no dia a dia”, afirmou.

Ao longo da palestra, o especialista reforçou que o verdadeiro foco da precificação deve ser o lucro bruto. Em um cenário em que o consumidor está cada vez mais sensível a preço, tentar sustentar margens elevadas por meio de aumentos pode comprometer o giro. A alternativa, segundo ele, está em reduzir preços de forma estratégica para estimular o volume de compras. “Às vezes, abaixar o preço faz o cliente comprar mais e, no final, o lucro cresce”, explicou.

Outro ponto importante abordado foi a dependência do varejo em relação à concorrência, especialmente na definição de preços promocionais. Dantas chamou atenção para o fato de que o preço em oferta é, na maioria das vezes, determinado pelo mercado, enquanto o preço fora da promoção é uma decisão interna da loja. Como a maior parte das vendas acontece fora das ofertas, ele questiona por que ainda há tanto foco apenas nas ações promocionais.

Essa lógica, segundo ele, pode levar a um problema ainda maior: educar o consumidor a comprar somente em promoções. Quando há uma diferença muito grande entre o preço promocional e o preço regular, o cliente passa a evitar compras fora da oferta, prejudicando tanto a rentabilidade quanto a percepção de preço da loja. “O consumidor aprende que só vale a pena comprar na promoção, e isso destrói a estratégia de longo prazo”, alertou.

Dantas também destacou a importância de mudar o olhar do item para o carrinho completo. Para ele, o varejo precisa sair da análise isolada de produtos e passar a entender o comportamento de compra do cliente, especialmente o impacto no ticket médio. “Não importa quanto você ganha em um item específico, o que importa é o resultado final da compra”, disse.

Dentro dessa lógica, ele quebrou outro paradigma ao afirmar que, em determinadas situações, é possível vender produtos abaixo do custo de compra. O ponto de atenção, segundo ele, não está no custo do item, mas na capacidade da venda total de cobrir as despesas operacionais e gerar resultado. A estratégia consiste em utilizar produtos de alto apelo para atrair o cliente e estimular compras complementares.

A percepção de preço do consumidor também foi apontada como um fator decisivo. De acordo com o especialista, apenas uma pequena parte do sortimento é realmente sensível a preço, enquanto a maioria dos itens não entra diretamente na comparação com a concorrência. Isso abre espaço para trabalhar margens de forma mais estratégica, focando menos na “guerra de preços” e mais na construção de valor.

Além da precificação, a execução na loja também foi destaque. Dantas ressaltou que problemas como ruptura de produtos podem comprometer significativamente o faturamento, chegando a perdas relevantes. Para ele, não basta atrair o cliente: é preciso resolver sua necessidade. “Atendimento não é só tratar bem, é garantir que o cliente encontre o que veio buscar”, afirmou.

O especialista também enfatizou a importância de gestão por categorias, com metas bem definidas que orientem a operação. Segundo ele, os produtos que mais vendem são aqueles mais promovidos, o que reforça a necessidade de direcionar os esforços para itens com melhor potencial de margem e giro.

Encerrando a apresentação, Dantas reforçou um conceito que resume sua visão sobre o tema: “Venda é vaidade, margem é sanidade e caixa é realidade”. Ele explicou que muitos supermercadistas enfrentam dificuldades financeiras mesmo apresentando lucro, justamente porque esse resultado está imobilizado em estoque ou perdido em ineficiências operacionais.

Para ele, o segredo do pricing no varejo está em encontrar o preço certo, aquele que permite vender no ritmo adequado, gerar margem suficiente e garantir caixa antes do vencimento das contas. “No fim, não é sobre vender mais caro ou mais barato. É sobre vender certo”, concluiu.