
Fabrício Carpinejar emociona público na SRE ao falar sobre conexão humana, propósito e relações em tempos digitais

Vencedor do Prêmio Jabuti, o escritor e jornalista Fabrício Carpinejar emocionou o público da Convenção das Américas, realizada na 36ª edição da SRE – Super Rio Expofood, nesta quarta-feira (19), no Riocentro. Com a palestra “A Arte de Conectar Gente: Construindo Culturas Inquebráveis”, o autor, que tem mais de 50 livros publicados, conduziu uma reflexão sobre comportamento, relações humanas e propósito, temas que dialogaram com os desafios enfrentados por empresários do varejo supermercadista e do food service, setores que vivem diariamente a necessidade de criar vínculos reais com clientes e equipes.
Logo no início, Carpinejar chamou atenção para a dificuldade cada vez maior de viver experiências de forma plena, algo que impacta não apenas a vida pessoal, mas também a forma como as pessoas consomem, trabalham e se relacionam.
“A gente não sabe se o que aconteceu ontem foi no celular ou na vida real, porque a saudade não é tão forte e imponente como antes. Antes, morria de saudade; hoje se sente falta”, afirmou.
Segundo ele, a ausência de presença verdadeira faz com que as lembranças percam força, o que também se reflete na forma como clientes se conectam com marcas, lojas e restaurantes. “Se não tem memória, não tem saudade.”
O comportamento moderno diante das telas
Ao falar sobre o comportamento atual diante das experiências, o escritor citou situações comuns do dia a dia que também fazem parte do universo do food service e do varejo, onde a vivência do consumidor é determinante para fidelização.
“Você não assiste ao show, você filma o show. Você não saboreia a comida, mas tira a foto e deixa a comida esfriar”, disse, ao defender que a busca constante por registrar tudo impede que as pessoas realmente vivam o momento. Para ele, essa lógica contribui para o que chamou de “Alzheimer digital”, no qual tudo é registrado, mas pouco é sentido.
A reflexão avançou para o impacto desse comportamento nas relações profissionais e na cultura dentro das empresas. Em um evento voltado para supermercadistas, fornecedores e operadores do food service, Carpinejar destacou que equipes fortes e negócios duradouros dependem de presença, atenção e construção de significado.
“O ansioso esgota sua energia porque, para pequenos e grandes eventos, ele usa a mesma força. Por que não sabemos mais lidar com o silêncio, a espera, a expectativa?”, questionou.
O escritor também comparou o mundo atual com experiências de sua infância para mostrar como o excesso de velocidade e de estímulos mudou a forma como as pessoas lidam com o trabalho e com as relações. Ele lembrou que fazia parte de uma geração em que tudo exigia mais paciência e cuidado, valores que, segundo ele, continuam essenciais para quem quer construir algo sólido.
“Naquela época, quando o objeto quebrava, a gente consertava. Hoje, quando quebra, a gente joga fora”, afirmou, relacionando a cultura do descarte ao comportamento nas relações pessoais e profissionais.
Dedicação como pilar para o sucesso
Para o público formado por empresários e gestores, a mensagem foi clara: negócios também se enfraquecem quando falta dedicação, capricho e compromisso com o processo.
“Somos felizes quando existe capricho. Capricho é não querer se livrar, mas aproveitar a tarefa e fazer da melhor forma possível”, disse, destacando que resultados consistentes nascem da repetição bem feita, da atenção aos detalhes e do cuidado com as pessoas.
Outro ponto que gerou forte identificação na plateia foi sua visão sobre cultura organizacional e relações dentro das equipes, tema central do painel. Para ele, ambientes fortes são construídos com verdade, limites e respeito individual: “É aprender a dizer não. Não é antipatia, é autoproteção”, disse, defendendo que clareza e autenticidade são fundamentais para relações saudáveis dentro e fora das empresas.
A complexidade do tempo diante em uma rotina intensa
Em um dos momentos mais emocionantes da palestra, o escritor falou sobre tempo, prioridades e a ilusão de que sempre haverá outra oportunidade, mensagem que encontrou eco em um setor acostumado a lidar com decisões rápidas e rotina intensa.
“Eu sei o que nos impede da felicidade: acreditar que teremos todo o tempo pela frente”, afirmou.
Para ele, a falta de presença faz com que as pessoas deixem para depois aquilo que realmente importa, seja na família, no trabalho ou na construção de um negócio.
Encerrando sua participação, Carpinejar reforçou que conexões verdadeiras são o que sustentam tanto a vida quanto as empresas, especialmente em setores que dependem diretamente do contato humano, como supermercados, bares, restaurantes e serviços.
Ao se despedir do palco, o escritor destacou a importância de encontros como a SRE – Super Rio Expofood para fortalecer relações reais em um mundo cada vez mais digital, incentivando a valorização do presente, das pessoas e das experiências vividas.
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