
As tecnologias que já estão transformando os supermercados, e por onde começar

Tecnologias que estão moldando o presente e futuro do varejo
Muito se fala sobre Inteligência Artificial, automação e transformação digital. Mas, para quem está na operação de um supermercado, a dúvida é prática: quais tecnologias realmente geram resultado? Quais já deixaram de ser tendência e passaram a ser indispensáveis?
Para Luis Jairo de Souza Junior, executivo com mais de 25 anos de experiência em Tecnologia da Informação aplicada ao varejo supermercadista, a resposta passa menos pela quantidade de tecnologia e mais pela forma como ela é utilizada.
"A tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta de eficiência operacional para se tornar um fator estratégico de diferenciação. Hoje, algumas tecnologias estão transformando profundamente o varejo", afirma.
Entre elas, a Inteligência Artificial lidera esse movimento, ao lado da computação em nuvem, Internet das Coisas (IoT), visão computacional, RFID e plataformas de integração de dados. Juntas, essas soluções tornam as operações mais inteligentes, conectadas e orientadas por dados.
Segundo o especialista, isso também muda a experiência do consumidor. "Ele espera encontrar o produto disponível, pagar rapidamente, receber ofertas relevantes e ser atendido da mesma forma em qualquer canal (...) O varejo passa a ser orientado por dados e centrado na jornada do cliente", aponta Luis Jairo Jr.
IA já faz parte da operação dos supermercados
A Inteligência Artificial já produz resultados concretos em supermercados por meio da previsão de demanda, reposição inteligente de estoque, precificação dinâmica, prevenção de perdas, recomendação personalizada de produtos e atendimento automatizado ao cliente.
Na área administrativa, a tecnologia também amplia a produtividade, automatizando análises, elaboração de documentos, geração de indicadores e apoio à tomada de decisão, segundo o especialista.
O próximo avanço será a consolidação dos agentes autônomos de IA, capazes de executar processos completos e apoiar decisões operacionais. Mas Luis Jairo faz um alerta: "IA sem dados de qualidade produz resultados ruins. Por isso, governança de dados será tão importante quanto a própria Inteligência Artificial".
Cinco tecnologias indispensáveis
Na visão do especialista, cinco tecnologias já se tornaram essenciais para supermercados competitivos. Entre elas estão a Inteligência Artificial aplicada à operação e ao relacionamento com o cliente; plataformas de integração de dados; computação em nuvem; automação operacional, com tecnologias como RFID, etiquetas eletrônicas, coletores móveis e visão computacional; além da cibersegurança, cada vez mais essencial diante da digitalização das operações.
Para Jairo, "o diferencial competitivo hoje não está em possuir tecnologia, mas em utilizá-la de forma integrada e orientada por dados".
Por onde pequenos supermercados devem começar?
Embora muitos associem inovação a grandes investimentos, Luis Jairo acredita que o primeiro passo deve ser organizar os dados do negócio: "Se eu tivesse que escolher apenas um investimento, seria na estruturação dos dados e no uso da Inteligência Artificial sobre esses dados" orienta.
Cadastros consistentes, estoque confiável e processos padronizados permitem que ferramentas de IA gerem recomendações de compras, identifiquem produtos de baixo giro e apontem oportunidades de margem.
"O pequeno varejista não precisa competir investindo mais. Ele precisa competir tomando decisões melhores", explica Luis Jairo Jr.
Tendências globais e o futuro do varejo brasileiro
Após visitas técnicas aos Estados Unidos, Noruega e China, Luis Jairo destaca três movimentos que devem ganhar espaço no Brasil: IA como assistente dos colaboradores, agentes autônomos capazes de executar processos completos e o uso ampliado da visão computacional para apoiar reposição, monitorar filas, reduzir perdas e otimizar o layout das lojas.
Mesmo assim, a principal lição aprendida no exterior não envolve tecnologia de ponta: "Existe um aprendizado importante das grandes redes internacionais: elas não começaram pela IA. Começaram organizando dados, padronizando processos e construindo uma boa governança (...) Não existe Inteligência Artificial eficiente sem dados confiáveis", aponta o executivo.
Onde acompanhar essa transformação
Para supermercadistas que desejam conhecer essas soluções e acompanhar as principais tendências do setor, iniciativas como o Conecta Varejo e o ASSERJ Hub, que acontecem durante o Rio Innovation Week, nos dias 4 a 7 de agosto, no Píer Mauá, se consolidam como espaços estratégicos para atualização, networking e geração de negócios.
O projeto cria conexões entre executivos, startups, universidades, investidores e empresas de tecnologia, gerando conhecimento, networking e oportunidades concretas de negócios.
Na avaliação de Luis Jairo, esse ambiente colaborativo é fundamental para acelerar a inovação no setor. "O maior legado do Conecta Varejo é mostrar que inovação não é um destino, mas um processo contínuo de colaboração. E quanto mais conectarmos pessoas, empresas e conhecimento, mais competitivo será o varejo brasileiro", conclui o especialista.

