Batata, cebola e tomate lideram as altas nos produtos de Alimentação em Domicílio

IPCA perde força em maio e Rio registra a segunda menor inflação do país na alimentação

Batata, cebola e tomate lideram as altas de preços em nível nacional em um cenário econômico que indica desaceleração 

15/06/2026

Economia
Batata, cebola e tomate lideram as altas nos produtos de Alimentação em Domicílio

Os preços de alimentos e bebidas continuaram pressionando a inflação brasileira em maio, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha desacelerado para 0,58%, após avançar 0,67% em abril, o resultado mantém o sinal de alerta para o orçamento das famílias e para o varejo supermercadista.

Em 12 meses, a inflação acumulada subiu de 4,39% para 4,72%. Já no período acumulado do ano de 2026, o IPCA soma 3,20%. O número supera o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem o objetivo de manter o IPCA em 3% e um limite de 4,5%.

No varejo supermercadista do Rio de Janeiro, a inflação da Alimentação no Domicílio registrou alta de 0,90% no quinto mês do ano, abaixo da média nacional, de 1,65%. O resultado indica que os preços continuam em trajetória de alta no setor, embora em ritmo mais moderado.

Segundo o IBGE, sete dos nove grupos pesquisados apresentaram variação positiva em maio. O principal impacto sobre o índice veio de Alimentação e bebidas, que avançou 1,33%. Em seguida aparecem Habitação (+1,22%), Saúde e cuidados pessoais (+0,90%), Vestuário (+0,62%), Despesas pessoais (+0,41%), Comunicação (+0,23%) e Artigos de residência (+0,08%). Educação ficou estável (0,00%), enquanto Transportes registrou queda de 0,46%.

No segmento de Alimentação no domicílio, que reúne os produtos comercializados pelos supermercados, o Rio de Janeiro apresentou a segunda menor inflação entre todas as unidades da federação pesquisadas em maio, com alta de 0,90%, atrás apenas de Belém (PA), que registrou avanço de 0,53%.

Entre os produtos vendidos nos supermercados fluminenses, as principais altas de maio foram registradas pela batata inglesa (+44,31%), cebola (+19,73%), tomate (+11,25%), sal (+4,84%), contrafilé (+4,20%), feijão preto (+3,07%) e arroz (+2,93%).

Já entre as maiores quedas estão batata-doce (-10,02%), uva (-7,40%), banana prata (-6,96%), peixe corvina (-6,18%), café moído (-3,77%), frango inteiro (-3,09%), leite longa vida (-2,11%), açúcar refinado (-2,01%), limão (-1,89%), alho (-1,74%), ovo (-1,34%), maçã (-1,09%), macarrão (-0,87%) e alcatra (-0,55%).

Assim como ocorreu em abril, os alimentos seguiram como principal fator de pressão sobre a inflação em maio. Apesar disso, os números mostram uma desaceleração gradual em relação aos meses anteriores. Entre os produtos com maior variação permanecem itens presentes diariamente na mesa dos brasileiros, especialmente categorias de hortifruti, grãos e proteínas.

"Quando analisamos a alimentação no domicílio, percebemos que as maiores oscilações continuam concentradas em categorias muito sensíveis à oferta, como hortifruti e carnes, além dos itens dolarizados. Fatores climáticos, custos logísticos e a dinâmica de abastecimento influenciam diretamente produtos como batata, tomate, cebola e proteínas. Por outro lado, a queda observada em itens como batata-doce, banana e café mostra que o mercado também apresenta movimentos de acomodação. Para o supermercadista, o cenário exige acompanhamento constante dos fornecedores, atenção à sazonalidade e uma gestão cada vez mais estratégica do sortimento", analisa Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ.

Embora os alimentos continuem pressionando o índice geral de preços, os sinais de desaceleração observados nos últimos meses indicam um cenário de maior equilíbrio. Ainda assim, fatores externos, como as tensões geopolíticas envolvendo o Irã e seus possíveis reflexos sobre combustíveis, logística e fertilizantes, além de prováveis mudanças climáticas seguem no radar do setor no segundo semestre. Para o varejo supermercadista, o momento reforça a importância do monitoramento constante de custos, da negociação com fornecedores e da gestão eficiente das categorias para preservar competitividade e rentabilidade.