
Dia do Churrasco e feriadão: como transformar a data em vendas sem perder margem nem controle

O Dia do Churrasco, celebrado em 24 de abril, chega neste ano embalado por um calendário especialmente favorável no estado do Rio de Janeiro. Com feriados nos dias 21 e 23, muitos consumidores devem “emendar” a folga, criando uma janela estendida de consumo dentro do lar, um cenário ideal para o varejo supermercadista ampliar vendas, especialmente no açougue.
Mais do que uma data comemorativa, trata-se de um momento estratégico em que conveniência, experiência e execução no ponto de venda fazem toda a diferença. O churrasco, que já é um ritual cultural brasileiro, ganha ainda mais força em períodos de descanso prolongado, reuniões familiares e encontros entre amigos.
Para capturar esse potencial, é preciso entender o comportamento do consumidor. Como destaca o especialista em varejo Dimas Dantas: “A maior mentira do varejo é achar que o cliente já entra decidido. Até 70% das pessoas que entram na loja não sabem exatamente o que vão comprar. Se o cliente decide na hora, quem define a venda não é só o preço. É a exposição, a organização, a ativação e a percepção de valor.”
Na prática, isso significa que o sucesso nas vendas de carnes, especialmente as destinadas ao churrasco, depende menos da variedade e mais da forma como os produtos são apresentados. Cortes bem iluminados, organizados, com comunicação clara e sugestão de preparo aumentam significativamente o ticket médio.
Outro fator que favorece o período é a consolidação do consumo doméstico. Segundo Ulisses Merat, gerente regional da MBRF Global Foods, houve um crescimento relevante na compra de carnes para preparo em casa. “O consumo de carne bovina dentro do lar cresceu porque as pessoas passaram a valorizar mais o preparo da refeição em casa. Esse hábito impulsiona diretamente o consumo de cortes nobres, como picanha, chorizo e fraldinha”.
Esse movimento reforça a importância de estratégias como porcionamento adequado, disponibilidade contínua e exposição qualificada no açougue. Não basta ter o produto é preciso torná-lo desejável.
Calendário pode elevar vendas em até 15%
Na visão de Adenilson Vidal, diretor comercial do Supermercado Unidos, a expectativa é de um crescimento de até 15% nas vendas durante o período, especialmente nos cortes preferidos dos consumidores, como alcatra, contra-filé e picanha, que, mesmo em menor escala, também deve registrar incremento.
O executivo destaca ainda o aumento na procura por carnes moídas, impulsionado pelo consumo de itens como pastel e lanches típicos de feriados. “Bebidas como cervejas e refrigerantes também tendem a desempenhar papel decisivo no resultado das vendas. Para aproveitar melhor o momento”, diz Vidal.
Vidal também ressalta a importância de destacar produtos, criar áreas extras de exposição e incentivar o consumo no ponto de venda. Ele também aponta que a oferta de carnes porcionadas e já embaladas contribui para impulsionar as vendas, ao facilitar a jornada do cliente: “especialmente daqueles que buscam mais praticidade e querem evitar filas. Afinal, agilidade e qualidade formam uma combinação estratégica para o sucesso no feriado.”
Feriadão também exige atenção redobrada às perdas
Se por um lado o período aquece as vendas, por outro aumenta os riscos operacionais, especialmente no açougue. Segundo William Lodrão, diretor de prevenção e perdas do Supermercado Princesa, a carne segue entre os itens mais visados para furto. “A carne é um dos produtos mais visados, principalmente cortes nobres. Com preço alto e renda pressionada, os furtos cresceram bastante nos últimos anos. Em alguns casos, redes registraram aumento de até 33% nas perdas”.
O executivo ressalta que durante feriados prolongados, esse cenário se intensifica devido a uma combinação de fatores, como lojas mais cheias, maior circulação de pessoas, equipes reduzidas ou cansadas e escalas de trabalho fragilizadas. "Além disso, o aumento da exposição de produtos e a menor vigilância em horários críticos contribuem para elevar o risco. Cortes como picanha, contrafilé e filé mignon lideram a lista de alvos, tanto em furtos oportunistas quanto em ações mais organizadas", destaca Lodrão.
William Lodrão frisa que apesar do desafio, a prevenção pode ser eficiente quando baseada em estratégias simples e bem executadas no dia a dia. De acordo com ele, a redução da exposição, com reposição fracionada, ajuda a manter o controle do estoque disponível.
"A presença constante de funcionários no açougue também atua como fator inibidor, assim como a atenção ao comportamento dos clientes, carrinhos vazios com itens de alto valor ou permanência prolongada na área podem indicar situações de risco. A abordagem preventiva, com oferta de ajuda ao cliente, pode interromper tentativas de furto sem gerar conflito, enquanto monitoramentos ao longo do dia, com conferências rápidas, evitam surpresas no fechamento", explica.
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