
Confiança empresarial avança e reforça cenário de otimismo para o varejo supermercadista

O Índice de Confiança Empresarial (ICE), medido pelo Ibre/FGV, registrou alta de 0,5 ponto em janeiro, alcançando 92,5 pontos na série com ajuste sazonal. O resultado marca o quinto mês consecutivo de avanço, sinalizando um ambiente de recuperação gradual que começa a influenciar decisões estratégicas no varejo supermercadista e em sua cadeia B2B.
Na leitura trimestral, a média móvel também subiu 0,5 ponto, reforçando a tendência de melhora das expectativas, ainda que o nível de atividade siga abaixo do observado no mesmo período do ano anterior. Segundo Aloisio Campelo Jr., pesquisador do Ibre/FGV, o destaque está na evolução das projeções de demanda para os próximos meses, com impactos já perceptíveis nas intenções de contratação ao longo do primeiro trimestre — um indicador relevante para redes supermercadistas e fornecedores que planejam expansão, reforço operacional e ajustes de sortimento.
O Índice de Situação Atual Empresarial (ISA-E) recuou 0,6 ponto, para 92,8 pontos, refletindo um ambiente ainda pressionado no curto prazo. Houve queda na avaliação da situação atual dos negócios (–0,8 ponto, para 91,3) e leve retração na percepção da demanda corrente (–0,3 ponto, para 94,4), cenário que exige atenção redobrada à gestão de custos, estoque e margens no varejo supermercadista.
Em contrapartida, o Índice de Expectativas Empresariais (IE-E) avançou 1,7 ponto, chegando a 92,3 pontos, impulsionado principalmente pelo aumento de 2,8 pontos no otimismo em relação à demanda futura. A melhora nas expectativas para os negócios nos próximos seis meses também reforça uma visão mais positiva para o planejamento comercial e logístico das empresas que operam no ecossistema B2B do setor.
Todos os grandes setores analisados apresentaram crescimento da confiança em janeiro, com destaque para Comércio (+3,0 pontos) e Indústria (+3,5 pontos) — segmentos diretamente conectados ao desempenho do varejo supermercadista. Construção (+2,8) e Serviços (+0,6) também avançaram. Ao todo, 78% dos 49 segmentos pesquisados registraram alta no indicador.
Complementando o cenário, o líder do Cluster de Experiência da Ipsos, Rafael Lindemeyer, destaca que o índice brasileiro supera em quatro pontos o resultado observado em 2025 e posiciona o país acima de economias como México e Estados Unidos. “O avanço é sustentado pela melhora expressiva no subíndice de emprego, indicando um início de ano com maior percepção de estabilidade no mercado de trabalho e uma leitura mais positiva sobre as condições futuras da economia”, afirma.
Para o varejo supermercadista, o movimento reforça um ambiente de otimismo moderado, no qual expectativa de demanda e emprego melhora, mas ainda exige planejamento cauteloso, eficiência operacional e decisões baseadas em dados para capturar oportunidades ao longo de 2026.

