
Como os supermercados podem se manter competitivos junto aos consumidores nas compras online?

As compras online de supermercados deixaram de ser uma alternativa pontual e se consolidaram como um canal definitivo na jornada de consumo. De acordo com um relatório divulgado pelo The Feedback Group, 79% dos consumidores que compram alimentos pela internet pretendem manter ou ampliar o uso desse canal ao longo do próximo ano.
O estudo revela que os supermercados tradicionais lideram os índices de satisfação do consumidor, superando canais como Amazon, grandes varejistas de massa e lojas de desconto. Ainda assim, o levantamento aponta que há oportunidades claras de evolução, especialmente no que diz respeito à transparência e à conexão com públicos mais jovens.
“Como canal, os investimentos dos supermercados em capacidades de e-commerce claramente trouxeram resultados, mas ainda há espaço para melhorias”, afirmou Brian Numainville, principal do The Feedback Group.
Segundo a pesquisa, 48% dos consumidores entrevistados afirmaram estar destinando uma parcela maior do orçamento de compras para o ambiente online em 2025, em comparação com o ano anterior. Há também uma leve preferência pelo modelo de entrega em relação à retirada na loja. Outro dado relevante indica que 90% dos consumidores que compram online também realizam compras nas lojas físicas, percentual idêntico ao identificado em estudo recente da FMI em parceria com a NielsenIQ.
Apesar do desempenho positivo dos supermercados no ambiente digital, o relatório destaca diferenças significativas de satisfação entre gerações. Os baby boomers atribuíram as notas mais altas para a experiência de compra online, enquanto consumidores da Geração X, millennials e da Geração Z demonstraram níveis mais baixos de satisfação. Para o The Feedback Group, essa diferença indica que os consumidores mais jovens possuem expectativas mais elevadas em relação aos serviços digitais oferecidos pelos supermercados.
Para reduzir essa lacuna geracional e atender melhor millennials e a Geração Z, o relatório recomenda que os varejistas invistam em maior personalização e melhor usabilidade das plataformas online.
“Os supermercados continuam liderando a satisfação nas compras online, demonstrando forte execução em conveniência, cumprimento de pedidos e qualidade de serviço”, destacou Numainville.
Por outro lado, o estudo aponta desafios relevantes que impactam diretamente a confiança do consumidor. Aspectos como transparência na disponibilidade de produtos, clareza nas substituições e avaliação da qualidade dos produtos frescos receberam notas mais baixas.
“Quando itens essenciais estão em falta ou a qualidade dos produtos frescos não atende às expectativas do consumidor, a confiança é abalada”, afirmou Doug Madenberg, chief listening officer do The Feedback Group. “Os varejistas precisam aprimorar a precisão do estoque e o controle de qualidade, especialmente nas categorias de produtos frescos, para oferecer uma experiência mais confiável e satisfatória.”
O desafio se torna ainda mais crítico quando se considera que os produtos hortifrúti lideram entre as categorias de alimentos frescos mais compradas online, mas também apresentam o menor nível de confiança dos consumidores em relação à qualidade.
Em contrapartida, a transparência de preços não surge como um ponto de atrito relevante. Cerca de 70% dos consumidores que compram no mesmo varejista tanto na loja física quanto no ambiente online afirmaram que os preços praticados são equivalentes nos dois canais.
O relatório do The Feedback Group ouviu 1.230 consumidores norte-americanos que realizam compras online de supermercados, reforçando que, embora o canal digital esteja consolidado, a experiência precisa evoluir continuamente para acompanhar as expectativas de um consumidor cada vez mais exigente e conectado.

