Dólar economia asserj

Dólar em 2026: o que esperar e como o câmbio pode impactar o varejo supermercadista

05/01/2026

Economia
Dólar economia asserj

Depois de surpreender positivamente em 2025, com queda superior a 10% — o melhor desempenho do real desde 2016 —, o dólar entra em 2026 cercado de expectativas mais moderadas. Para o varejo supermercadista, que convive diariamente com impactos do câmbio sobre preços, margens e custos logísticos, o tema segue no centro das decisões estratégicas.

Projeções de oito grandes instituições financeiras indicam que a moeda norte-americana deve oscilar entre R$ 5,20 e R$ 5,90 ao longo de 2026, refletindo um cenário externo mais favorável, mas ainda marcado por incertezas internas, especialmente no campo político.

Juros elevados favorecem o real no curto prazo

Um dos principais fatores de sustentação do real no início do ano é o chamado carry trade. Com a taxa Selic ainda elevada — atualmente em 15% —, investidores seguem atraídos pelo diferencial de juros entre Brasil e economias desenvolvidas. A expectativa é que o Banco Central só comece a reduzir a Selic a partir de março de 2026, mantendo o Brasil competitivo no curto prazo para entrada de capital estrangeiro.

Para o varejo supermercadista, esse movimento tende a aliviar pressões sobre produtos importados, insumos dolarizados, embalagens, fertilizantes e commodities precificadas em dólar, contribuindo para maior previsibilidade na formação de preços.

Política monetária dos EUA pressiona o dólar globalmente

No cenário internacional, o Federal Reserve deve dar continuidade ao ciclo de cortes de juros iniciado em 2025. Segundo analistas, essa estratégia tende a enfraquecer o dólar frente a outras moedas.

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o mercado já precifica novos cortes. “A curva de juros embute ao menos duas reduções adicionais em 2026, o que gera pressão negativa sobre a moeda americana”, afirma.

Esse contexto pode beneficiar países exportadores de commodities, como o Brasil, favorecendo o equilíbrio cambial e reduzindo volatilidades nos custos da cadeia de abastecimento.

Eleições no Brasil trazem cautela ao mercado

Apesar do ambiente externo mais benigno, o fator eleitoral no Brasil surge como ponto de atenção. A proximidade das eleições tende a aumentar a volatilidade do câmbio, impactando diretamente o planejamento financeiro das empresas do setor.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o diferencial de juros pode perder força ao longo do ano. “O cenário eleitoral é binário e carrega elevado grau de incerteza, o que costuma se refletir no câmbio”, avalia.

Na prática, isso significa que movimentos mais fortes de valorização do real devem ser limitados, exigindo do varejo supermercadista estratégias de proteção cambial, renegociação com fornecedores e maior rigor na gestão de custos.

Tendência global ainda favorece dólar mais fraco

Relatórios da Ágora apontam que a diversificação das reservas globais, o fortalecimento de moedas ligadas a commodities e a busca por maior autonomia financeira em diferentes regiões seguem contribuindo para um dólar estruturalmente mais fraco.

Para o varejo supermercadista, o cenário reforça a importância de acompanhar de perto o câmbio em 2026, já que suas oscilações continuarão impactando desde o custo de produtos importados até a dinâmica de preços ao consumidor final.