
Ambev projeta Copa de 2026 como ciclo ampliado de vendas para o varejo supermercadista

Em teleconferência recente com analistas, o CEO da AB InBev, Michel Doukeris, destacou a Copa do Mundo de 2026 e o clima mais quente nas Américas como vetores relevantes para o crescimento do consumo de bebidas. Para o varejo supermercadista, o cenário aponta para maior giro em categorias como cervejas, refrigerantes, snacks e itens de conveniência, além de oportunidades concretas de elevação do ticket médio nos dias de jogos.
Segundo Leandro Mendonça, diretor de eventos e experiências da Ambev, o principal diferencial desta edição do Mundial é o fator tempo. “A Copa não é apenas um pico de vendas. Ela pode reescrever o calendário de consumo e ampliar a base de consumidores também no pós-evento”, afirma. Para o executivo, o desafio está em garantir que as marcas estejam conectadas à experiência brasileira de assistir aos jogos — algo que passa diretamente pelo ponto de venda e pela execução no varejo.
Outro ponto relevante para o planejamento das redes supermercadistas é a definição dos horários das partidas. Para atender aos fusos dos países-sede e evitar o calor extremo, a Fifa distribuiu os jogos em até 12 horários diferentes, priorizando partidas noturnas para a audiência sul-americana. Na prática, isso tende a favorecer compras de reposição, consumo imediato e operações de conveniência, tanto nas lojas físicas quanto nos canais digitais.
Portfólio segmentado amplia oportunidades no ponto de venda
A estratégia da Ambev para a Copa do Mundo de 2026 passa por uma segmentação clara do portfólio, o que abre espaço para ações coordenadas com o varejo supermercadista ao longo de todo o período do evento. Cada marca assume um papel específico dentro da jornada de consumo.
De acordo com Leandro Mendonça, a Brahma será posicionada como protagonista da celebração nacional, reforçando seu vínculo histórico com o futebol brasileiro. A campanha “Tá Liberado Acreditar”, criada pela Africa Creative, estreou durante o sorteio dos grupos e traz o técnico Carlo Ancelotti convidando a torcida a acreditar no hexa.
Já a Budweiser, patrocinadora global da Copa, atua no território da experiência internacional, explorando conexões com entretenimento e música. A Flying Fish, cerveja saborizada e lançamento mais recente da companhia, reforça a estratégia de inovação e ampliação de público. Completando o portfólio, o Guaraná Antarctica trabalha o atributo da brasilidade, ampliando ocasiões de consumo além da cerveja.
“Um dos nossos grandes trunfos é a pluralidade do portfólio. Temos uma marca adequada para cada momento e perfil de torcedor, o que nos permite ocupar diferentes espaços de celebração sem canibalização”, explica Mendonça.
Com uma Copa mais longa, horários variados e forte apelo emocional, o Mundial de 2026 se desenha como uma oportunidade estratégica para o varejo supermercadista planejar sortimento, exposição, abastecimento e ações promocionais com maior antecedência, transformando o evento em um ciclo ampliado de vendas — e não apenas em um pico pontual de consumo.

