
Alta da confiança melhora perspectivas do varejo supermercadista em 2026

O avanço da confiança do consumidor em dezembro reforça um cenário de expectativas mais positivas para o início de 2026, mas ainda exige leitura estratégica por parte do varejo supermercadista. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 0,4 ponto em relação a novembro, com ajuste sazonal, atingindo 90,2 pontos, o maior nível desde dezembro de 2024 e o quarto aumento consecutivo.
Na média móvel trimestral, o índice avançou 0,9 ponto, indicando uma tendência de melhora gradual no sentimento das famílias, ainda que com diferenças relevantes entre renda, percepção do presente e expectativas futuras.
“A confiança do consumidor subiu pelo quarto mês seguido, impulsionada pela melhora das expectativas para os próximos meses, enquanto os indicadores que refletem a percepção sobre o momento atual recuaram. Entre as faixas de renda, o avanço da confiança foi mais expressivo entre os consumidores de menor renda”, avalia Anna Carolina Gouveia, economista do Ibre/FGV.
Expectativas puxam o índice, mas presente segue desafiador
A decomposição do indicador revela um ponto de atenção importante para o varejo supermercadista. O Índice de Situação Atual (ISA) recuou 1,4 ponto, para 83,4 pontos, interrompendo duas altas consecutivas. Já o Índice de Expectativas (IE) avançou 1,4 ponto, alcançando 95,2 pontos.
Na prática, o consumidor demonstra maior confiança no futuro, mas ainda sente restrições no dia a dia — combinação que tende a impactar diretamente decisões de compra, tíquete médio e migração de marcas.
“Os indicadores de situação atual sugerem um quadro ainda desafiador para as famílias, pressionadas por endividamento e inadimplência, apesar de um mercado de trabalho aquecido e maior poder de compra”, completa Gouveia.
Para as redes supermercadistas, esse cenário reforça a importância de estratégias voltadas a preço, marca própria, embalagens econômicas, promoções táticas e gestão eficiente de sortimento, especialmente nas categorias de maior recorrência.
Baixa renda lidera avanço da confiança
O recorte por faixa de renda traz sinais relevantes para o planejamento comercial. O maior avanço da confiança ocorreu entre os consumidores com renda familiar de até R$ 2.100, cujo índice subiu 4,2 pontos, para 90,4 pontos. Esse movimento tende a favorecer formatos mais populares, atacarejos, lojas de bairro e estratégias de alto giro.
Já entre consumidores com renda entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800, houve queda expressiva de 5,2 pontos, para 87,6 pontos, indicando maior sensibilidade a preços e maior cautela nas decisões de consumo. Nas faixas intermediárias, de R$ 4.800,01 a R$ 9.600, o índice subiu 1,5 ponto, enquanto entre os consumidores de maior renda houve leve recuo de 0,6 ponto.
Implicações práticas para o varejo supermercadista
Do ponto de vista B2B, os dados da FGV sugerem que o início de 2026 deve ser marcado por um consumidor menos pessimista, porém ainda seletivo e racional. A confiança maior entre as famílias de menor renda reforça a relevância de:
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Política comercial agressiva em itens básicos
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Expansão e fortalecimento de marcas próprias
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Gestão fina de preços e mix por perfil regional
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Atenção ao poder de compra real, e não apenas às expectativas
Ao mesmo tempo, a queda na percepção sobre a situação financeira atual exige cautela na projeção de volumes, evitando excesso de estoque e investimentos descolados da realidade do consumo.
A coleta dos dados da pesquisa foi realizada entre 1º e 18 de dezembro, período que antecede o pico do consumo de fim de ano, o que reforça a importância de acompanhar os próximos indicadores para confirmar se a melhora das expectativas se converte, de fato, em maior tração no varejo supermercadista ao longo de 2026.

