
2026 deve consolidar queda da inflação e dos juros e redesenhar estratégias de crédito no varejo supermercadista

As projeções econômicas para 2026 indicam um cenário de maior previsibilidade macroeconômica, com expectativa de desaceleração da inflação e trajetória mais consistente de queda dos juros. Para o varejo supermercadista, esse ambiente tende a ir além de um simples alívio financeiro: ele redefine decisões de crédito, investimento, expansão e gestão de caixa.
A leitura predominante do mercado é que o Banco Central vem conseguindo ancorar expectativas, fator considerado essencial para setores intensivos em capital, como o varejo supermercadista, que depende de crédito estruturado, renegociação de prazos, investimentos em tecnologia, logística e expansão física.
“No mercado de crédito, previsibilidade é tão importante quanto taxa. As projeções para 2026 reforçam a confiança no Banco Central justamente por indicarem consistência na condução da política monetária”, avalia Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital. Segundo ele, esse ambiente favorece operações de crédito estruturado, renda fixa e capital privado — instrumentos cada vez mais utilizados por empresas fora do sistema bancário tradicional.
Planejamento de médio prazo ganha força
Para redes supermercadistas, a previsibilidade apontada pelo Boletim Focus permite retomar o planejamento de médio prazo, algo que ficou comprometido nos últimos anos diante da volatilidade de juros, inflação e consumo.
“As projeções para 2026 ajudam a consolidar a confiança do mercado no Banco Central porque reduzem incertezas e permitem planejamento de médio prazo”, destaca João Kepler, CEO da Equity Group. Ele ressalta que esse cenário influencia diretamente decisões de investimento, valuation e apetite ao risco, pontos críticos para empresas em expansão ou em processo de profissionalização.
No varejo supermercadista, esse movimento tende a se traduzir em decisões mais criteriosas sobre abertura de lojas, retrofit de unidades, automação de processos, investimentos em prevenção de perdas e fortalecimento da cadeia logística.
Crédito mais técnico e seletivo
Outro efeito direto do cenário projetado para 2026 é a mudança na lógica do crédito. Com juros ainda elevados, mas em trajetória de queda e com maior previsibilidade, o mercado passa a operar com mais racionalidade e análise de risco.
“O Boletim Focus reforça a credibilidade do Banco Central ao reduzir ruídos que poderiam gerar volatilidade excessiva. Para o universo de FIDCs, essas projeções são fundamentais, pois impactam diretamente a formação de taxas e a avaliação de risco de crédito”, explica Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.
Para o varejo supermercadista, isso significa mais acesso a alternativas como FIDCs, securitização de recebíveis e estruturas híbridas de funding, especialmente para redes de médio porte que buscam reduzir dependência do crédito bancário tradicional.
Decisões de investimento mais disciplinadas
O ambiente de maior previsibilidade também influencia o comportamento de investidores e gestores, que passam a olhar menos para movimentos de curto prazo e mais para fundamentos estruturais.
“As expectativas para 2026 ajudam a sustentar a credibilidade do Banco Central ao sinalizar continuidade no combate à inflação e compromisso com estabilidade macroeconômica”, afirma Leandro Turaça, sócio-gestor da Ouro Preto Investimentos. Segundo ele, essas projeções impactam diretamente decisões de alocação, revisão de carteiras e estratégias para o próximo ciclo econômico.
No contexto do varejo supermercadista, essa mudança tende a favorecer empresas com governança mais sólida, dados financeiros organizados, controle de margens e visão clara de crescimento sustentável.
O que esperar para 2026 no varejo supermercadista
Na prática, o cenário projetado aponta para um setor que entra em 2026 mais cauteloso, porém mais estratégico. Entre as principais tendências estão:
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Revisão das estruturas de capital, com busca por crédito mais eficiente e alinhado ao fluxo de caixa;
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Maior seletividade em investimentos, priorizando eficiência operacional e retorno claro;
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Planejamento financeiro mais robusto, com foco em previsibilidade e disciplina;
“Quando há previsibilidade macro, o mercado consegue estruturar operações mais eficientes e sustentáveis”, resume Pedro Ros, CEO da Referência Capital. Para ele, o encerramento do ano é o momento em que empresas revisam rotas, ajustam estratégias e se preparam para atravessar o próximo ciclo com mais clareza e menos improviso.
Para o varejo supermercadista, 2026 não deve ser marcado por euforia, mas por decisões mais técnicas, estratégicas e sustentáveis, um movimento que tende a separar redes bem estruturadas daquelas que ainda operam sem planejamento financeiro consistente.

