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Economia
Acordo UE-Mercosul avança: quais os impactos para o varejo supermercadista?
A aprovação do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul representa um dos movimentos mais relevantes da política comercial brasileira nos últimos anos. Fruto de décadas de negociação, o tratado prevê a eliminação gradual de tarifas sobre a maior parte das exportações brasileiras para o bloco europeu, com cronogramas específicos por setor. O acordo prevê aos europeus exportar, entre outras coisas, carros, máquinas e bebidas alcoólicas para o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em contrapartida, os países da Europa facilitariam a entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos. Para Ricardo Inglez de Souza, sócio do IW Melcheds Advogados e especialista em Comércio Internacional e Direito Econômico, o acordo tem importância que vai além do comércio. "Em um cenário de tensões geopolíticas, a celebração de um acordo multilateral desse porte reforça o papel do diálogo econômico entre blocos", afirma. Além da redução de tarifas, o tratado amplia o acesso de empresas brasileiras às compras governamentais europeias e moderniza regras de origem, trazendo maior previsibilidade e facilitando as operações internacionais. No varejo supermercadista, o impacto segundo o especialista deve ser sentido principalmente na redução de custos de importação. "Produtos vindos da União Europeia podem se tornar mais acessíveis, beneficiando consumidores. Por outro lado, a maior facilidade de exportação para a Europa pode reduzir a disponibilidade de alguns produtos no mercado interno, o que também pode refletir nos preços praticados localmente", explica Ricardo Inglez de Souza. Entre os itens que devem ficar mais baratos ao consumidor brasileiro estão azeite de oliva, chocolates, queijos e vinhos, hoje sujeitos a tarifas elevadas. "Com a redução ou eliminação dessas tarifas, os produtos europeus tendem a entrar no Brasil com custos de importação mais baixos, o que pode pressionar os preços finais para baixo. No entanto, esse efeito depende do repasse efetivo da redução tarifária ao consumidor final", ressalta Claudio Felisoni, professor da FIA Business School.
09/01/2026
Atualidades
Alta nos furtos em supermercados ganha destaque na TV e reforça a prevenção de perdas
Os casos de furtos, especialmente no setor de bebidas, em supermercados do Rio de Janeiro têm ganhado destaque recorrente nos noticiários televisivos neste início de ano. Nem mesmo turistas estão fora desse cenário, o que amplia a atenção sobre o tema. Diante desse contexto, o que antes era tratado como uma função essencialmente operacional passou a ocupar um papel estratégico nas decisões de investimento do varejo supermercadista, diretamente ligado à rentabilidade, à eficiência e à sustentabilidade do negócio. Segundo William Lodrão, diretor da Abrappe e gestor de prevenção de perdas e riscos do Supermercado Princesa, em um ambiente de margens cada vez mais pressionadas e maior complexidade operacional, controlar perdas deixou de ser apenas uma questão de segurança para se tornar um fator decisivo de competitividade. Para o especialista, a tecnologia precisa se consolidar como uma aliada fundamental nesse processo, ao transformar dados em inteligência, antecipar riscos e gerar retorno mensurável sobre o investimento. Lodrão ressalta que o contexto atual exige uma revisão profunda das estratégias tradicionais de prevenção de perdas. A ampliação dos canais de venda, a automação de etapas críticas e o maior volume de dados operacionais aumentam a eficiência, mas também expõem vulnerabilidades nos controles e na gestão da informação. “Não é mais possível atuar apenas de forma reativa. A prevenção de perdas precisa ser preditiva, integrada e orientada por dados, antecipando falhas e corrigindo ineficiências antes que se transformem em prejuízo financeiro”, reforça Lodrão. Diante desse cenário, o especialista frisa que investir em tecnologia deixa de ser apenas uma iniciativa de controle e passa a ser um movimento essencial para garantir eficiência operacional, rentabilidade e sustentabilidade no longo prazo. Especialmente na frente de caixa — um dos pontos mais sensíveis às perdas — as soluções tecnológicas assumem um papel decisivo na padronização de processos, na redução de erros e na melhoria consistente dos resultados.
09/01/2026
Por dentro da asserj
ASSERJ na NRF 2026: cobertura diretamente de NY
A ASSERJ marca presença de forma relevante na NRF Show 2026, maior evento de varejo do mundo, que acontece entre os dias 11 e 13 de janeiro, no Javits Center, em Nova York. O presidente da associação, Fábio Queiróz, estará presente no evento, que promete três dias de intensa imersão nos principais temas que vêm moldando o presente e o futuro do setor. E, claro, vamos compartilhar TUDO por aqui! Nesta edição da feira, a inteligência artificial ocupa o centro das discussões, com destaque para a IA agêntica, a automação de processos, o ganho de eficiência operacional nas lojas e o uso cada vez mais estratégico dos dados. Paralelamente, o evento reforça o novo papel da loja física, reposicionada como “loja palco”, focada em hiperexperiência, conexão emocional e engajamento do consumidor. “A NRF mostra, na prática, como tecnologia, dados e experiência do consumidor são, cada vez mais, decisões estratégicas. Para o varejo supermercadista fluminense, acompanhar esse movimento é fundamental para ganhar eficiência, fortalecer a relação com o cliente e se preparar para um mercado cada vez mais competitivo e conectado”, afirma Fábio Queiróz. Inteligência artificial no centro das discussões A inteligência artificial ocupa o centro das discussões e se consolida como a grande protagonista da NRF 2026, com espaço dedicado na programação do evento. A tecnologia, que já faz parte do dia a dia do varejo supermercadista, impacta diretamente a eficiência operacional, a experiência do consumidor e, sobretudo, o faturamento das empresas. Com trilhas específicas e painéis dedicados ao tema, um dos encontros mais aguardados traz Sundar Pichai e John Furner de volta ao palco para um bate-papo mais informal sobre como a inteligência artificial vem acelerando decisões estratégicas no Google e no Walmart, deixando de ser apenas experimental para gerar resultados concretos, além de transformar múltiplos setores da economia. Já Fran Horowitz, CEO da Abercrombie & Fitch Co. e vencedora do Visionary Award da NRF 2026, compartilha os bastidores da transformação da companhia, que acumula 11 trimestres consecutivos de crescimento, impulsionada pelo foco no cliente, empoderamento das equipes e alta capacidade de adaptação, em um cenário cada vez mais orientado por dados e tecnologia. “A inteligência artificial entra em uma nova fase no varejo, em que deixa de apenas sugerir caminhos e passa a executar decisões. A IA agêntica ganha espaço ao automatizar processos como reposição de estoques, precificação e gestão de demanda, atuando diretamente sobre margens, redução de perdas e aumento de faturamento, trazendo mais eficiência e assertividade para a operação supermercadista”, completa Fábio Queiróz. Grandes nomes no palco Convenção das Américas Reconhecida por sua curadoria de alto nível, a NRF 2026 reúne executivos e líderes globais de diferentes setores. Entre os destaques estão Sundar Pichai, CEO do Google, e John Furner, CEO do Walmart EUA, que abrem o evento discutindo o impacto prático da inteligência artificial na eficiência operacional e na experiência do consumidor. Ryan Reynolds também integra a agenda, compartilhando aprendizados sobre construção de marcas autênticas a partir de seus negócios. A abertura oficial será conduzida por Bob Eddy, presidente do Conselho da NRF e CEO da BJ’s Wholesale Club, e Ed Stack, CEO da Dick’s Sporting Goods, em um painel sobre liderança, varejo experiencial, tecnologia e engajamento comunitário. A programação conta ainda com executivos de marcas globais como Saks Global, Ulta Beauty, Taco Bell, The North Face, Shopify e Michael Rubin, CEO da Fanatics, que abordará estratégias centradas no fã como motor de crescimento.
08/01/2026
Comportamento & tendência
O novo consumidor e o impacto direto nas decisões do varejo supermercadista
O comportamento do consumidor vive uma transformação silenciosa, porém profunda. Após anos marcados por instabilidade econômica, excesso de estímulos digitais e mudanças no padrão de renda, o processo de compra passou a ser mais racional, seletivo e intencional. Em 2026, preço segue relevante, mas já não atua sozinho. Confiança, conveniência e alinhamento de valores se consolidam como fatores decisivos, redesenhando estratégias no varejo supermercadista. Para quem empreende no setor, especialmente pequenos e médios supermercadistas, compreender essas mudanças deixou de ser diferencial e passou a ser requisito para manter competitividade, fidelizar clientes e sustentar margens em um cenário cada vez mais pressionado. Segundo André Miceli, coordenador do MBA de Marketing e Negócios Digitais da Fundação Getulio Vargas (FGV), o consumidor está mais atento e menos impulsivo. “O que observamos é um consumidor que aprendeu a filtrar estímulos. Ele não reage mais apenas a promoções agressivas, mas à percepção de valor, coerência e confiança que a marca transmite ao longo de toda a jornada”, analisa. Consumo intencional transforma confiança em ativo estratégico Dados do relatório Consumer Outlook 2026, da NielsenIQ, indicam que o consumo impulsivo está em queda e que a cautela passou a ser um comportamento permanente. Cada decisão de compra é avaliada com base em utilidade real, transparência e clareza de comunicação. No varejo supermercadista, isso se traduz em maior atenção à origem dos produtos, práticas sustentáveis, consistência de preços e qualidade no atendimento, tanto no ambiente físico quanto nos canais digitais. Para Miceli, a confiança deixa de ser um discurso institucional e passa a ser construída no detalhe operacional. “A confiança não nasce de campanhas, mas da repetição de boas experiências. Quando o consumidor encontra o mesmo padrão de preço, atendimento e informação em todos os canais, ele reduz a fricção da escolha e aumenta a fidelidade”, destaca. Simplicidade se consolida como o novo premium O excesso de opções, ofertas e canais gerou um consumidor sobrecarregado. Em resposta, a simplicidade se transforma em um dos principais diferenciais competitivos para 2026. No varejo supermercadista, jornadas mais curtas, comunicação objetiva e processos de compra ágeis passam a ter mais peso do que sortimentos excessivamente amplos ou mensagens complexas. Organizar o mix, destacar produtos estratégicos e facilitar o pagamento não apenas melhoram a experiência, como impactam diretamente a conversão. “Simplicidade hoje é sinônimo de respeito ao tempo do consumidor. Quem consegue reduzir etapas, ruídos e dúvidas ganha preferência, mesmo sem ser o mais barato”, explica Miceli. Produtos com propósito ganham espaço nas gôndolas A decisão de compra passa, cada vez mais, por critérios éticos, ambientais e sociais, mas com foco em benefícios reais e mensuráveis. O consumidor quer entender o que está comprando, de quem está comprando e por que aquele produto faz sentido para sua rotina. Esse movimento favorece o varejo supermercadista que investe em transparência, comunicação clara de rótulos, produtos funcionais e fornecedores locais. Pequenos e médios negócios ganham protagonismo justamente pela proximidade com o consumidor e pela capacidade de contar histórias reais. “Propósito sem entrega virou ruído. O consumidor percebe rapidamente quando o discurso não se sustenta na prática. No varejo, propósito se manifesta em sortimento coerente, menos desperdício e escolhas mais responsáveis”, reforça Miceli. Inteligência artificial torna a personalização acessível A inteligência artificial deixou de ser exclusividade de grandes redes e passa a integrar a rotina de pequenos supermercadistas. Em 2026, a principal aplicação da IA no varejo será a personalização: entender padrões de compra, prever demandas e oferecer comunicações mais relevantes. Ferramentas de automação, chatbots e análise de dados permitem segmentar ofertas, otimizar estoques e melhorar a experiência sem perder o toque humano. “A tecnologia não substitui o relacionamento, ela o potencializa. O uso inteligente de dados permite falar com o cliente certo, no momento certo, com uma proposta mais relevante”, avalia Miceli. Bem-estar e alimentação funcional impulsionam novas oportunidades O cuidado com a saúde física e mental se tornou prioridade e influencia diretamente o carrinho de compras. Cresce a busca por alimentos com rótulos claros, ingredientes naturais, opções prontas mais equilibradas e embalagens sustentáveis. Para o varejo supermercadista, o tema do bem-estar representa uma oportunidade estratégica de posicionamento, seja por meio da curadoria de produtos, da organização das gôndolas ou da produção de conteúdo educativo. “Bem-estar deixou de ser um nicho e passou a ser um valor transversal. O varejo que consegue traduzir isso em escolhas práticas e acessíveis constrói relevância de longo prazo”, conclui Miceli.
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