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Como descongelar o potencial dos congelados
Por anos, a categoria de alimentos congelados disputou espaço nas gôndolas com uma reputação persistente: a de ser uma alternativa inferior aos produtos frescos. No entanto, essa percepção — construída culturalmente — tem se mostrado cada vez mais distante da realidade nutricional, operacional e ambiental. Estudos internacionais apontam que os congelados são aliados importantes na redução do desperdício de alimentos, na economia doméstica e na sustentabilidade. Ainda assim, consumidores seguem resistentes. Para a cientista comportamental Dr. Sophie Attwood, Senior Behavioral Scientist no Better Buying Lab e diretora da Behavior Global, o desafio passa menos pelo produto e mais pela forma como o varejo o apresenta. “A percepção de qualidade dos congelados é, em grande parte, um problema de imagem. O setor precisa reposicionar o freezer como ferramenta de saúde, economia e sustentabilidade”, explica. Congelados reduzem desperdício e emissões — e o shopper ainda subestima isso Cerca de 60% do desperdício global de alimentos vem das residências, segundo dados da ONU. Cada pessoa joga fora, em média, 174 libras de comida por ano — muito disso poderia ser evitado com o uso do freezer. “Quando o consumidor substitui parte do consumo de frescos por congelados, o desperdício doméstico pode cair quase pela metade”, afirma Attwood. Pesquisas citadas pela especialista indicam que famílias que utilizam mais congelados produzem 47% menos resíduos alimentares. Além da dimensão econômica, a cientista lembra que o congelamento também tem impacto direto na sustentabilidade. “Salvar comida representa um impacto ambiental centenas de vezes maior do que o gasto energético de manter um freezer ligado”, diz. O que trava o crescimento da categoria? Falta de conhecimento — e marketing A maior barreira ainda é comportamental. Boa parte dos consumidores acredita que frutas e vegetais congelados têm textura inferior, sabor reduzido e menos nutrientes. “Essa visão não condiz com a realidade. Em muitos casos, vegetais congelados mantêm mais nutrientes que os frescos, que passam por longas cadeias logísticas”, explica Attwood. Outro impeditivo é a falta de informação prática. Muitos shoppers não sabem que alimentos como ovos, ervas frescas, bananas maduras, abacate e até leite podem ser congelados com segurança. Também há insegurança sobre preparo direto do congelador para a panela. Como o varejo supermercadista pode reverter o jogo Para Attwood, o varejo tem papel central na mudança cultural e pode — com estratégias simples — ampliar vendas, reduzir desperdícios e fortalecer a reputação da categoria. Entre as ações recomendadas pela especialista: 1. Educação clara e prática no ponto de venda “O consumidor precisa visualizar, na loja, que congelar é seguro, simples e inteligente”, diz Attwood. Sinalizações com “pode congelar”, QR codes com receitas e dicas de preparo ajudam a reduzir inseguranças. 2. Merchandising aspiracional O congelado não precisa parecer “alternativo”. Exposição com kits de refeições, receitas prontas e combinações de ingredientes melhora percepção de qualidade. “É preciso tornar o congelado desejável — não apenas funcional”, afirma. 3. Parcerias com a indústria para inovação e upcycling Produtos feitos com vegetais imperfeitos, excedentes de safra ou proteínas porcionadas reforçam a sustentabilidade. “A categoria precisa contar histórias — de origem, de impacto, de praticidade. Isso cria conexão”, explica. 4. Reposicionar o freezer como solução de saúde e economia Reforçar que congelados preservam nutrientes e evitam perda financeira é fundamental. “O shopper precisa enxergar o freezer como ferramenta de gestão da despensa”, diz. O congelado como oportunidade — e não como alternativa Com consumidores mais atentos ao equilíbrio entre economia, bem-estar e sustentabilidade, o varejo supermercadista tem a chance de transformar o congelado em protagonista. Na visão de Attwood, o movimento passa por comunicação ativa, inovação e merchandising inteligente. “Se o setor conseguir mostrar que o congelado entrega qualidade, praticidade e impacto ambiental positivo, a categoria deixa de ser substituta do fresco e passa a ser escolha estratégica”, conclui.
05/12/2025
Associados em foco
Inovação além do óbvio! Como Supermarket Alvorada avança além do tradicional?
Inovar é uma arte. No varejo supermercadista, mais ainda. Sair do comum, é essencial para criar o tão sonhado diferencial competitivo. E o Grupo Alvorada, associado Supermarket, faz uma aposta alta nesse quesito. Recentemente, o Grupo criou o Departamento de Inovação, um setor a parte, focado exclusivamente em apresentar novidades "fora da caixa", assim digamos. E quando falamos que a aposta é alta não é uma mera força de expressão. De viagens à China para identificar tendências, encontrar novos produtos e estudar tecnologias, o Grupo Alvorada mira a diversificação. No momento, o melhor exemplo é o fortalecimento da marca própria, a JVG, que nasceu da atenção que todo supermercadista deve ter, o consumidor, como revela Rodrigo Fonseca, diretor de Inovação. "A ideia nasceu da percepção de que o consumidor busca cada vez mais experiências e diferenciação, não apenas preço. Observamos que havia um espaço pouco explorado no mercado, marcas próprias que fossem além do básico, capazes de expressar personalidade, inovação e qualidade superior. Fortalecer a marca própria passou a ser uma estratégia natural para gerar valor agregado, aumentar margem e criar uma conexão mais profunda com o cliente, oferecendo produtos exclusivos que ele não encontra em nenhum outro lugar. Hoje a JVG conta com mais de 10 sub categorias". Como destacado pelo diretor de Inovação, o Alvorada aborda seu planejamento para a marca própria diferente da forma tradicional de encarar as gôndolas e os produtos do varejo supermercadista, buscando produtos que gerem diferenciação. "A inspiração veio da análise de mercados internacionais e do comportamento de redes varejistas que já compreenderam que a marca própria pode e deve ir muito além do produto comum. Percebemos que existe um público disposto a pagar por design, qualidade e inovação, mesmo dentro do varejo alimentar. Assim, ao invés de competir apenas pelo preço dos itens cotidianos, decidimos construir uma linha que reforça o posicionamento da rede e eleva a percepção de valor da marca, trazendo produtos que surpreendem, encantam e geram desejo", pontua Rodrigo Fonseca. A execução é calculada. Muitas análises e estudos de mercados diversificados, pesquisas sobre ideias criativas e atenção especial não apenas ao contexto brasileiro, mas a movimentos globais de consumo que, por ventura, acabarão desembarcando em território nacional. "Nosso processo começa com pesquisa de mercado internacional, especialmente na China, que é hoje um dos maiores polos criativos e industriais do mundo. Analisamos tendências globais, visitamos feiras, estudamos tecnologias, materiais e comportamentos de consumo. Depois, cruzamos essas referências com dados de importação e viabilidade logística, entendendo o que já chega ao Brasil, o que ainda não chega, custos, volumes e oportunidades. A partir daí, selecionamos os produtos com melhor potencial de diferenciação e realizamos testes de qualidade, prototipagem e alinhamento estético com o posicionamento da marca. O planejamento se encerra com a definição de categorias, margens, estratégias de lançamento e comunicação", frisa o diretor de Inovação do Alvorada. A aplicação é multifacetada, porém, o palco especial são as lojas físicas. Uma recriação da relevância do PDV tradicional para o varejo supermercadista, explica Rodrigo Fonseca. "A loja é o palco onde a marca própria ganha vida. Aplicamos nossas estratégias através de: exposição privilegiada, criando pontos extras e ilhas temáticas quando necessário; planograma estratégico, posicionando os produtos em áreas de maior fluxo e visibilidade; comunicação visual dedicada, destacando diferenciais, design e atributos; experiências de encantamento, com ativações, degustações ou demonstrações quando aplicável; treinamento da equipe, garantindo que vendedores e atendentes entendam profundamente o produto e consigam transmitir seus diferenciais. O objetivo é fazer com que o cliente perceba imediatamente que não está diante de 'mais um produto', mas sim de algo especial". Atualmente com mais de 200 SKU's, distribuídos em categorias que vão desde decoração e utilidades até itens sazonais de alto impacto visual, o portfólio da JVG segue um norte de estruturação, refletir a proposta do Alvorada, com produtos criteriosamente escolhidos, com forte apelo estético e excelente relação custo–benefício. Para os próximos passos, o diretor de Inovações do grupo enfatiza. "Expansão do portfólio, com novas categorias e produtos mais sofisticados. Aumento da presença em loja, com espaços dedicados e comunicação ainda mais forte. Desenvolvimento de linhas exclusivas, criadas em parceria com fornecedores internacionais e nossos designers. Fortalecimento da identidade visual da marca própria, tornando-a cada vez mais reconhecida pelo cliente. Busca constante por inovação, acompanhando tendências globais e trazendo novidadeASSERJ registra 13 toneladas de embalagens recolhidas nas Retorna Machines e impulsiona práticas sustentáveis no varejo supermercadista.r não apenas no produto, mas em toda a experiência de compra". Ações como as adotadas pelo Supermarket Alvorada reforçam o que sempre pontuamos na ASSERJ, além da função primordial do nosso setor em abastecer a população, é preciso mais. É necessário buscar formas de se diferenciar e encantar o consumidor, criando não apenas uma relação de confiança, mas uma experiência de bem-estar.
05/12/2025
Por dentro da asserj
ASSERJ registra 13 toneladas de embalagens recolhidas nas Retorna Machines
COP30, meio ambiente, sustentabilidade. Os termos foram manchetes quase diárias nos últimos dias no noticiário brasileiro. E a ASSERJ, como uma Associação ativa em suas bandeiras, também se destaca nesse quesito. E com cases de sucesso. Primeiro, as Retorna Machines. As 17 máquinas da ASSERJ, presentes em diversas lojas de nossos associados, registraram números expressivos no último um ano e meio. A ação foi iniciada em abril de 2024, como parte integrada do programa "Recolhe Mais", uma iniciativa da Fecomercio, que faz parte do Convênio Inea, criado para apoiar nossos associados no cumprimento da legislação estadual referente a logística reversa e correta destinação de resíduos. As máquinas recebem seis tipos de embalagens: latas de aço e alumínio, longa vida, pet, vidro e plástico. E até outubro já foram: quase 13 toneladas recolhidas; mais de 123 mil acessos; mais de 29 mil kwH e mais de 565 mil litros de água economizado; compensação de quase 8 mil kg de pegada de carbono. “Os resultados das Retorna Machines mostram que, quando oferecemos caminhos claros e acessíveis para o consumidor descartar corretamente, todos ganham — o meio ambiente, as empresas e a sociedade. Na ASSERJ, seguimos comprometidos em apoiar nossos associados com iniciativas reais, mensuráveis e transformadoras”, ressalta Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ. Outra iniciativa de destaque no quesito sustentabilidade é o "Desplastifique Já". Um movimento iniciado pela ASSERJ em 2019, que extrapolou as fronteiras do Rio de Janeiro e tomou o Brasil. Uma iniciativa de educação de consumo, incentivando a troca da sacola plástica pelas ecobags. Somente no nosso estado, já reduzimos em bilhões o número de sacolas em circulação. CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS SOBRE O DESPLASTIFIQUE JÁ. A vontade de agir em nossa Associação é o que nos move. Porque aqui na ASSERJ, ação é oxigênio.
05/12/2025
Comportamento & tendência
Você sabe o que é "Shoppertainment"? ASSERJ te explica o conceito que pode mudar o seu jogo
Um termo difícil de falar. E de ler. Mas fundamental para o varejo supermercadista: o "shoppertainment". Apesar de parecer uma novidade, o conceito é atual. E acontece em ritmo acelerado. A jornada de compra do consumidor não é mais uma transação, é uma experiência completa. Cada visita a uma loja é uma interação participativa de conteúdo, diversão, emoção e conexão com aquilo que o cliente deseja comprar. Esse é o coração do "shoppertainment", convergir entretenimento e consumo, vinculando histórias, interatividade e autenticidade, influenciando diretamente as decisões e engajando enquanto se concretiza uma venda. Apenas para mensurar a força desse conceito, nascido na Ásia e impulsionado pelo boom do live commerce, segundo dados da McKinsey, relativos a 2024, esse cenário já movimentou mais de US$ 1 trilhão globalmente. E o crescimento seguirá exponencial, podendo chegar a US$ 2 trilhões até 2027. No Brasil, a realidade não é diferente. Por exemplo, mais de 70% dos usuários do TikTok e do Kwai, declaram terem comprado um produto depois de assistir um conteúdo divertido ou educativo. A base do conceito O "shoppertainment" se apoia em quatro pilares, que atendem diretamente ao consumidor moderno, como explica Fátima Merlin, CEO da Connect Shopper e mentora de Gestão de Categoria: 1. Conteúdo inspirador e divertido: o consumidor quer ser envolvido, não interrompido. "Histórias, tutoriais, bastidores, desafios, experiências reais — não anúncios". 2. Interatividade e participação: o cliente como protagonista "Lives, enquetes, chat em tempo real, 'duetos' e reações do público". 3. Influência e autenticidade: confiança em foco "O conteúdo é entregue por pessoas em quem o consumidor confia — criadores, vendedores e especialistas". 4. Conversão fluida e contextual: compra integrada de forma natural à experiência "O 'comprar' é natural — o link, QR code ou botão de compra aparece no momento da emoção, sem quebrar a experiência". Fátima Merlin resume os pilares: "O movimento do 'shoppertainment' já deixou de ser tendência — tornou-se uma nova linguagem do consumo. Uma linguagem feita de emoção, interação, autenticidade e fluidez". Como não perder a onda da transformação? A grande questão para os supermercadistas, portanto, não é mais se devem seguir ou não o movimento, mas como segui-lo. Como migrar da comunicação tradicional para criar experiências de fato inspiradoras e que convertam. Por mais complexo que possa parecer, a lógica do "shoppertainment" é simples: a marca deve virar experiência. "O momento de agir é agora. Comece pequeno, teste rápido, aprenda sempre — mas comece. Transforme conteúdo em conexão. Transforme conexão em conversão. Transforme sua marca em experiência", conclui Fátima Merlin.
04/12/2025
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