
“Prevenção de perdas é parte essencial da estratégia do varejo supermercadista”. Saiba o que foi discutido na 1ª Reunião do Conselho da Abrappe

A Reunião do Conselho de Prevenção de Perdas, realizada nesta quinta-feira, 22 de janeiro, reuniu profissionais do varejo supermercadista para debater os desafios e a evolução da área em um cenário marcado por margens cada vez mais pressionadas, elevada complexidade operacional e crescente demanda por decisões estratégicas, especialmente no contexto do Rio de Janeiro.
A abertura do encontro foi conduzida por William Lodrão, diretor da Abrappe e gestor de Prevenção de Perdas e Riscos do Supermercado Princesa, que reforçou o caráter estratégico do tema para a sustentabilidade dos negócios. “A prevenção de perdas não pode ser tratada apenas como custo ou como uma função de segurança. Ela é parte essencial da estratégia do varejo supermercadista, com impacto direto nos resultados, nas pessoas e na experiência do cliente”, destacou.
Na sequência, Almir Alves, responsável regional de Prevenção de Perdas do Magazine Luiza, apresentou o case Magalu, compartilhando práticas e aprendizados da companhia.
Em seguida, o Debate Temático “Prevenção de Perdas no Varejo: da Reação à Estratégia” foi conduzido por Leonardo Borges, especialista em Prevenção de Perdas do GPA, provocando uma reflexão sobre o estágio atual das operações no Brasil. “Estamos, de fato, prevenindo perdas ou apenas reagindo a elas?”, questionou ao abrir o painel.
Segundo Borges, o varejo supermercadista brasileiro convive com uma pressão constante por margens competitivas em um ambiente cada vez mais desafiador. No Rio de Janeiro, esse cenário se intensifica diante da complexidade operacional da região, exigindo abordagens mais específicas e estratégicas.
“Encontrar o equilíbrio entre segurança efetiva e uma experiência de compra positiva é um dos grandes dilemas do gestor moderno. Investir demais em segurança pode afastar o consumidor; investir de menos pode comprometer seriamente os resultados”, pontuou.
Durante o debate, Borges destacou desafios particulares do varejo carioca, como as diferenças operacionais entre lojas de rua e unidades localizadas em shopping centers, que demandam estratégias distintas de prevenção. Também foram citados fatores como a alta reincidência de furtos oportunistas, a forte presença de informalidade no entorno das lojas, a elevada rotatividade de equipes — que dificulta a padronização — e a ausência de processos uniformes entre diferentes pontos de venda.
Perdas vão além do furto
Outro ponto central do encontro foi a ampliação do entendimento sobre o conceito de perdas no varejo supermercadista. Além do furto externo e interno, o debate abordou as perdas operacionais, como avarias, produtos vencidos e obsolescência de estoque, além de falhas de processo, como erros de inventário e precificação inadequada.
“Cada tipo de perda exige uma estratégia específica. Quando analisamos todas de forma integrada, conseguimos atuar com mais eficiência e gerar resultados mensuráveis”, ressaltou Borges.
Prevenção de perdas como estratégia de negócio
Leonardo Borges reforçou ainda o impacto direto da prevenção de perdas na rentabilidade das empresas. “Cada real perdido representa vários reais adicionais em vendas necessárias para compensar esse prejuízo. Isso pressiona margens, influencia preços e compromete a competitividade”, explicou.
Além do impacto financeiro, o debate também abordou os riscos físicos e psicológicos para os colaboradores, a deterioração do clima organizacional e as ameaças à sustentabilidade das operações quando as perdas se tornam recorrentes.
Da reação à estratégia
O encontro evidenciou a necessidade de evoluir de uma postura reativa, baseada apenas em vigilância e resposta a incidentes, para uma atuação estratégica, sustentada pela integração entre áreas, uso inteligente de dados e fortalecimento da cultura organizacional. “Não se trata apenas de tecnologia ou de reagir a ocorrências, mas de repensar como a organização enxerga e enfrenta as perdas no dia a dia”, afirmou Borges.
Os quatro pilares da prevenção moderna
A prevenção de perdas eficaz foi apresentada como uma estrutura apoiada em quatro pilares: Pessoas, Processos, Tecnologia e Cultura. O equilíbrio entre esses elementos foi apontado como essencial para gerar resultados consistentes e sustentáveis no varejo supermercadista.
O que implementar agora
Entre as ações práticas apontadas por Leonardo Borges estão: "o treinamento contínuo das equipes, a formalização de procedimentos, a adoção de inventários cíclicos, o uso de indicadores em tempo real, além de uma comunicação transparente sobre perdas e uma condução ética nas investigações."
O encontro reforçou que a prevenção de perdas deixou de ser apenas uma função operacional e passou a ocupar um papel estratégico no varejo supermercadista, fundamental para garantir competitividade, sustentabilidade e uma experiência de compra mais segura e positiva para o consumidor.

