
O indicador que está mudando a segurança no varejo supermercadista

No varejo supermercadista, falar em segurança sem considerar o impacto direto das perdas no resultado do negócio é um erro estratégico. A avaliação é de Jonathan Schmidt, conselheiro de perdas na indústria da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (ABRAPPE), que defende uma mudança de mentalidade: segurança não pode ser tratada apenas como custo operacional, mas como ferramenta de geração de valor.
“Quando olhamos para segurança apenas pelo viés técnico — câmeras, rondas, barreiras perimetrais — deixamos de conectar essa estratégia ao ativo que realmente importa: o resultado financeiro do negócio”, afirma Schmidt.
Segundo o especialista, ainda é comum que decisões de investimento em segurança no varejo supermercadista sejam baseadas exclusivamente em conceitos clássicos, como CPTED, círculos concêntricos e controle perimetral. Embora importantes, essas abordagens representam apenas parte da equação.
Entender o negócio antes de proteger
Para Schmidt, o ponto de partida da prevenção a perdas deve ser o entendimento profundo do negócio e de como ele está exposto a perdas ao longo de toda a operação — da indústria ao centro de distribuição, passando pelas lojas.
“O primeiro passo é identificar onde, como e por que a loja pode perder. Só depois disso a estratégia de segurança faz sentido. Caso contrário, ela fica desconectada do negócio que deveria proteger”, explica.
Esse conceito está alinhado à abordagem de Perda Ampliada, amplamente discutida na literatura de Prevenção a Perdas e Gestão de Riscos, que propõe uma visão integrada dos riscos estratégicos e dos processos operacionais.
Segurança precisa gerar resultado
No varejo supermercadista, onde margens são pressionadas e o controle de custos é decisivo, Schmidt provoca os gestores com uma pergunta direta: qual é o retorno financeiro da área de segurança?
“O quanto de resultado financeiro sua estrutura de segurança gera para a empresa? Se ela ainda é vista apenas como despesa, existe um problema sério de posicionamento”, diz.
Segundo ele, a sobrevivência das áreas de segurança e prevenção de perdas passa, necessariamente, pela capacidade de demonstrar impacto direto na redução de perdas e na eficiência operacional.
O “Triângulo da Perda” como estratégia
Para tornar a segurança financeiramente relevante, Schmidt defende a aplicação prática do chamado Triângulo da Perda, que integra três pilares fundamentais:
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Fraude: análise de como processos podem ser fraudados, adulterados ou substituídos;
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Perdas: identificação, dentro da DRE, de onde surgem perdas de estoque, avarias, quebras e perdas não identificadas;
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Segurança: direcionamento das ações de proteção para mitigar os riscos identificados nos dois pilares anteriores.
“Quando conectamos fraude, perdas e segurança, os investimentos deixam de ser genéricos e passam a ser cirúrgicos. É aí que a segurança começa a entregar resultado”, destaca.
Segurança como investimento estratégico
Para o conselheiro da ABRAPPE, a principal lição para o varejo supermercadista é clara: segurança sem conexão com perdas é despesa; segurança integrada ao negócio é investimento.
“Só quando entendemos o que podemos perder é que conseguimos direcionar a estratégia de segurança de forma assertiva. A perspectiva de perdas é o que transforma custo em investimento e garante a sustentabilidade da operação”, conclui Jonathan Schmidt.

