nrf

NRF termina com foco no "backoffice" e na experiência do consumidor

13/01/2026

Atualidades
nrf

O terceiro e último dia da NRF 2026 consolidou um movimento que vinha se revelando desde o início da feira: foco em aplicações reais, mensuráveis e urgentes da inteligência artificial para a gestão dos negócios, o chamado "backoffice". A IA deixou de ser um diferencial para se firmar como algo essencial nas decisões estratégicas no varejo.

Para Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ e da ALAS, a NRF foi emblemática justamente por colocar o setor diante de escolhas práticas. “A NRF termina mostrando que não existe mais espaço para tecnologia como vitrine. O varejo precisa contar com a maturidade operacional dos sistemas autônomos. Ou seja: eficiência acima do discurso". 

IA como infraestrutura do negócio

A sessão AI-Powered Grocery, considerada uma das mais relevantes de toda a programação, trouxe casos concretos de uso da inteligência artificial para três pilares críticos do setor: margem, prevenção de perdas e fidelização. Ferramentas de precificação dinâmica, redução de desperdício, visão computacional no self-checkout e personalização avançada deixaram claro que a IA passa a operar como infraestrutura invisível do varejo.

“O grande recado é que a inteligência artificial não é mais um projeto paralelo. Ela se tornou parte do motor do negócio. Quem não integrar isso à operação vai perder competitividade rapidamente”, destacou Queiróz.

Omnicanalidade: menos discurso, mais conta no papel

Outro ponto alto do dia foi o New Omnichannel Playbook for Grocery, que abordou os desafios reais de fazer o omnichannel funcionar em um setor de margens apertadas e produtos perecíveis. Fulfillment, picking em loja, micro-fulfillment centers e a busca pelo break-even ganharam uma abordagem mais honesta e menos romantizada.

Automação e robótica: necessidade operacional

A pauta de robôs e automação em foodservice e operações de loja também avançou em maturidade. A escassez de mão de obra, os custos crescentes e a busca por consistência colocaram a robótica como resposta pragmática, e não mais como curiosidade tecnológica.

O consumidor nativo em IA muda tudo

Encerrando o dia, a provocação de Jason Goldberg sobre o AI Native Consumer trouxe um olhar mais radical para o futuro do consumo. A ideia de que algoritmos passam a mediar descoberta, decisão e fidelidade acendeu um alerta importante para marcas e varejistas.

“Quando a IA passa a recomendar, comparar e até comprar pelo consumidor, o jogo muda completamente. O desafio do varejo será continuar relevante quando a relação deixa de ser direta e passa a ser mediada por sistemas inteligentes”, refletiu o presidente da ASSERJ.

O futuro é agora

A NRF terminou com diversas conclusões para o varejo, mas, talvez, a mais essencial seja: enquanto a tecnologia avança nos bastidores operacionais, o humano segue como diferencial no contato com o consumidor. Afinal, o varejo é feito de pessoas e para pessoas.

"Para quem você é essencial? Por que você é importante? O que você resolve?". Essas três perguntas são a chave para responder se você é autêntico e essencial para o consumidor, ou se será só mais um na aba de pesquisas.

Ao mesmo tempo em que nos apresentou o desenvolvimento tecnológico nos bastidores das operações, a NRF também reforçou a necessidade de criar para o consumidor um senso de pertencimento e de cuidado por parte da marca que o conhece. Como? Por meio de experiências reais, autênticas e personalizadas, não apenas com conceitos repetidos. Isso é a construção da cultura do negócio.