
Como FIDCs ganham espaço e transformam área financeira em motor de lucro no varejo

O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) trouxe à tona um tema estratégico para o futuro das empresas: a gestão financeira como alavanca de competitividade. Em palestra com o tema “Estrutura Financeira Importa: o papel do braço financeiro e dos FIDCs proprietários na sustentabilidade e competitividade das empresas”, Tiago Martinelli, coordenador de Novos Negócios da Catálise, apresentou como grandes grupos têm transformado a área financeira em um verdadeiro motor de geração de valor.
Segundo o especialista, empresas que estruturam um braço financeiro próprio conseguem capturar margens que, tradicionalmente, seriam destinadas a bancos e instituições financeiras. “Quando uma empresa vende a prazo ou negocia com fornecedores, ela já está realizando uma atividade financeira. O que muda agora é que, com estruturas como os FIDCs proprietários, ela passa a internalizar esses ganhos”, explicou.
Martinelli destacou que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) têm ganhado espaço no Brasil por permitirem que empresas financiem suas próprias operações com mais eficiência e menor custo. “Hoje, as empresas não precisam mais montar um banco ou uma financeira. Com fundos estruturados, é possível criar uma operação robusta, com gestão especializada e maior competitividade”, afirmou.
O executivo também ressaltou o impacto direto na saúde financeira das companhias, especialmente aquelas enquadradas no regime de lucro real. Ao transformar parte das receitas em despesas financeiras — por meio da antecipação de recebíveis dentro do próprio grupo — as empresas conseguem reduzir a base de tributação. “Não se trata apenas de economia fiscal, mas de inteligência financeira. É uma forma de preservar caixa, aumentar a rentabilidade e reinvestir no negócio”, pontuou Tiago Martinelli.
Outro ponto abordado foi o potencial dos FIDCs para financiar toda a cadeia produtiva, desde clientes até fornecedores e colaboradores. “A empresa passa a ter autonomia para gerir crédito, antecipar pagamentos, financiar estoques e até oferecer crédito consignado aos funcionários. É uma mudança de mentalidade: o negócio deixa de depender exclusivamente dos bancos e assume o controle da sua própria estrutura financeira”, disse o especialista.
De acordo com Martinelli, o avanço desse modelo já é visível no mercado. Grandes empresas brasileiras e multinacionais têm adotado estruturas semelhantes para otimizar resultados e ganhar escala. “Estamos falando de uma indústria que já se aproxima de R$ 1 trilhão no Brasil. É uma transformação silenciosa, mas extremamente relevante para a competitividade das empresas”, destacou.
Por fim, o especialista reforçou que a implementação desse tipo de estrutura exige governança, tecnologia e integração de sistemas, mas pode ser decisiva para o crescimento sustentável das companhias. “As empresas que entenderem o papel estratégico da área financeira sairão na frente. Não é mais só sobre vender mais, mas sobre ganhar melhor”, concluiu Tiago Martinelli.
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