
Execução em loja vira fator decisivo diante de consumidor menos fiel

A indisponibilidade de produtos nas gôndolas segue como um dos principais desafios do varejo supermercadista e impacta diretamente o comportamento do consumidor. Dados recentes do estudo Food & Beverage 2026 mostram que 45% dos clientes trocam de marca quando não encontram o item desejado no ponto de venda, um cenário que reforça a importância de uma execução eficiente nas lojas.
Mais do que um problema de abastecimento, a ruptura evidencia falhas operacionais que comprometem vendas e a experiência do cliente. Segundo Dimas Dantas, especialista em varejo, o impacto pode ser ainda mais profundo quando o erro está dentro da própria operação. “A ruptura operacional é a mais crítica, porque o produto está disponível no estoque, mas não chega à área de vendas e isso significa perder receita mesmo tendo mercadoria”, afirma.
Esse tipo de falha pode comprometer significativamente os resultados financeiros. “Além disso, a ruptura pode afetar em até 15% o faturamento, justamente por não atender à demanda do cliente”, alerta Dantas. O dado reforça que o problema não está apenas na cadeia de suprimentos, mas também na gestão interna e na agilidade da reposição.
O estudo global também aponta que a decisão de compra está cada vez mais concentrada no momento em que o consumidor está diante da gôndola. Segundo o levantamento, 60% dos consumidores escolhem a marca diretamente na gôndola, o que amplia a pressão por disponibilidade, precificação correta e boa exposição dos produtos. Fatores como preço, tamanho da embalagem, sustentabilidade e apelo à experimentação, especialmente entre consumidores mais jovens, influenciam diretamente a escolha.
Dantas ressalta que a ruptura compromete o faturamento ao impedir que o varejo atenda à demanda existente. Para ele, não basta atrair o cliente: é preciso resolver sua necessidade. “Atender bem vai além do bom relacionamento é garantir que o cliente encontre exatamente o que procurou ao entrar na loja”, afirma.
Para enfrentar esse cenário, o avanço de tecnologias como inteligência artificial e reconhecimento de imagem tem ajudado o varejo supermercadista a ganhar velocidade na identificação de problemas nas gôndolas. “Com o uso de dados em tempo real, as equipes conseguem corrigir rapidamente rupturas, inconsistências de preço e falhas de exposição ainda durante a visita à loja, evitando perdas e elevando o nível de execução”, destaca Arthur Igreja, especialista em tecnologia .
No fim, a eficiência operacional se mostra determinante para o desempenho do negócio. Como resume Dantas: “No fim das contas, a rentabilidade está diretamente ligada à capacidade de evitar erros ao longo da operação”.
O recado que fica ao supermercadista é que em um ambiente cada vez mais competitivo, evitar falhas pode ser tão estratégico quanto criar novas oportunidades de venda.
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