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2º dia de NRF: executar é o novo inovar. Leia a análise de Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ e ALAS

12/01/2026

Comportamento & tendência
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O segundo dia da NRF 2026 confirmou uma mudança definitiva no discurso e prática do varejo global: a tecnologia deixou de ser narrativa aspiracional e passou a ser cobrada por resultado real, mensurável e aplicado ao dia a dia das operações. Das estratégias de brand building de Ryan Reynolds às discussões profundas sobre inteligência artificial, people-first (pessoas em primeiro lugar) e transformação de modelos tradicionais, o que se vê em Nova York é um varejo mais pragmático, mais humano e menos tolerante a projetos que não entregam valor claro ao consumidor e à operação.

Para Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ e da ALAS, o grande fio condutor do dia foi a maturidade do setor. “A NRF deste ano mostra que o varejo entrou numa fase adulta. Não se trata mais de testar tecnologia por curiosidade, mas de entender como ela resolve problemas concretos de margem, gente, sortimento e experiência. Quem não consegue conectar inovação com execução fica para trás”, afirmou.

Ao longo da manhã, temas como autenticidade de marca, turnaround de negócios tradicionais e a convivência entre herança e inovação dominaram o palco. A apresentação de Fran Horowitz, CEO da Abercrombie & Fitch, foi um dos pontos altos do dia ao detalhar como uma marca considerada irrelevante conseguiu 11 trimestres consecutivos de crescimento ao ouvir profundamente o consumidor, empoderar equipes e tomar decisões difíceis, inclusive sobre o que parar de fazer. “O caso da Abercrombie é um alerta direto para o varejo supermercadista: escutar o cliente e a loja genuinamente é mais transformador do que qualquer dashboard sofisticado”, destacou Queiróz.

No campo da tecnologia, a discussão evoluiu claramente para aplicações em escala. Exemplos como Macy’s, Kroger e Sam’s Club mostraram como a inteligência artificial já está integrada a decisões de merchandising, gestão de pessoas, planejamento de demanda e experiência do cliente. “A grande virada é entender que IA não substitui gente no varejo supermercadista, ela potencializa. Quem usa tecnologia para empoderar o time de loja e melhorar a execução ganha produtividade e consistência”, avaliou o executivo.

À tarde, o foco se voltou para comportamento do consumidor e construção de marcas duradouras. As discussões sobre Gen Z, loyalty (fidelidade), marcas próprias e, principalmente, o impacto de tendências como medicamentos GLP-1 no consumo alimentar reforçaram a necessidade de adaptação rápida de sortimento, tamanhos de embalagem e estratégias de categoria. Para Queiróz, esse ponto é crítico: “Estamos falando de mudanças estruturais no padrão de consumo. O varejo supermercadista e a indústria precisam agir juntos, com dados. Redesenhar categorias inteiras não é mais ajuste fino, é reposicionamento”.

O encerramento do dia consolidou uma mensagem clara: o varejo do futuro será menos sobre tecnologia pela tecnologia e mais sobre decisões difíceis, bem executadas, com pessoas no centro e dados como suporte. “O segundo dia da NRF deixa claro que o jogo agora é de consistência. Não vence quem faz mais barulho, mas quem entrega melhor, todos os dias, na loja física, no digital e na relação com o consumidor”, concluiu Fábio Queiróz.