
Consumidores aceitam compartilhar dados, mas o que esperam em troca no varejo supermercadista

Os consumidores estão cada vez mais abertos a compartilhar informações de compra com os varejistas, desde que percebam vantagens concretas nessa troca. É o que aponta uma pesquisa da Dunnhumby, que revela maior receptividade do público a mensagens personalizadas, promoções direcionadas e sugestões baseadas em hábitos de consumo.
O levantamento, realizado com 3 mil consumidores em todo o mundo, mostrou que quase 70% dos entrevistados confiam em recomendações de produtos feitas com base em compras anteriores. Além disso, mais da metade afirmou acreditar em sugestões relacionadas a promoções e descontos personalizados. Em contrapartida, apenas 30% disseram confiar em recomendações baseadas no comportamento de pessoas com perfil semelhante, enquanto 24% demonstraram credibilidade em sugestões ligadas a tendências gerais de consumo.
A pesquisa também revelou que aproximadamente metade dos participantes considera as recomendações personalizadas “muito úteis”, enquanto menos de 10% classificaram esse tipo de abordagem como “inútil”. Outro dado que chama atenção é que mais de 90% dos entrevistados afirmaram se sentir confortáveis em permitir que os varejistas registrem informações sobre suas compras.
Para Diogo Augusto, coordenador de marketing da Rede Market, o consumidor atual entende melhor o valor da personalização, desde que ela gere conveniência e benefícios reais durante a jornada de compra.
“Hoje, o cliente já percebe que compartilhar determinados dados pode tornar a experiência mais prática e assertiva. Quando o varejo supermercadista consegue transformar essas informações em ofertas relevantes, economia e mais agilidade na compra, a tendência é aumentar a confiança e fortalecer o relacionamento com o consumidor”, afirma.
O estudo também aponta maior aceitação de tecnologias que tragam ganhos práticos para o dia a dia. Quase dois terços dos entrevistados disseram estar entusiasmados com modelos de precificação personalizada, enquanto mais da metade demonstrou interesse em sugestões preditivas e notificações em tempo real com ofertas relevantes.
Segundo Renato Furtado, especialista em tecnologia, CEO da Allgenius Automação Comercial e influenciador da SRE Super Rio Expofood, o grande desafio do varejo supermercadista é utilizar os dados dos consumidores de forma estratégica e personalizada.
“Muitos varejistas já possuem clube de vantagens e CRM, mas ainda utilizam essas ferramentas de forma genérica. O consumidor espera ofertas direcionadas, benefícios personalizados e uma experiência mais próxima. Quando os dados são bem utilizados, o varejo supermercadista consegue aumentar o engajamento, fortalecer o relacionamento e gerar mais vendas”, destaca.
Quando o supermercado entende o histórico de consumo, consegue criar ações muito mais inteligentes: uma oferta personalizada para quem compra determinada categoria com frequência, um benefício especial no mês de aniversário, cashback direcionado para estimular recompra, sugestão de produtos no e-commerce com base nas compras anteriores e campanhas segmentadas para clientes que deixaram de comprar.
“O grande erro é tratar todos os clientes como se fossem iguais. Dois consumidores podem comprar na mesma loja, mas terem hábitos completamente diferentes. A tecnologia permite que o supermercado pare de fazer comunicação em massa e comece a construir relacionamento individualizado em escala”, afirma Renato Furtado.
Segundo ele, esse movimento também contribui para aumentar a percepção de valor do consumidor em relação ao varejo supermercadista. “Quando o cliente percebe que recebe ofertas e benefícios alinhados ao seu perfil de compra, a relação deixa de ser apenas transacional e passa a ser mais próxima e estratégica, fortalecendo a fidelização”, completa
Apesar da boa aceitação das soluções personalizadas, algumas tecnologias ainda enfrentam resistência. Apenas 29% dos entrevistados afirmaram estar animados com compras automatizadas, enquanto quase metade classificou esse recurso como “intrusivo ou desnecessário”. Assistentes de voz, dispositivos vestíveis e chatbots personalizados também tiveram adesão mais tímida, com aprovação de cerca de um terço dos participantes da pesquisa.

