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Comportamento & tendência
Como otimizar o abastecimento de supermercados durante os eventos sazonais de pico
Com as festas de fim de ano se aproximando, o desafio de garantir gôndolas sempre cheias e operações sem gargalos volta a ocupar o centro das atenções no varejo supermercadista. Nessa época, o aumento repentino da demanda coloca à prova toda a cadeia de suprimentos — da indústria à gôndola. Eventos sazonais, como Black Friday, Natal ou Ano Novo representam mais do que simples oportunidades comerciais: são testes de resiliência operacional. Promoções, lançamentos e mudanças no comportamento do consumidor pressionam a produção, o transporte e o armazenamento. Por isso, o planejamento antecipado e a comunicação transparente entre indústria, operadores logísticos e varejistas são as principais armas para evitar rupturas e desperdícios. “Durante os picos sazonais, o segredo é alinhar previsões e capacidade operacional com o máximo de antecedência. A cada semana que se ganha no planejamento, o risco de ruptura cai drasticamente”, explica Marcelo Ferraz, especialista em supply chain e diretor de operações da consultoria LogPartners. Planejamento preditivo: o poder da informação compartilhada Em períodos de alta, até pequenas falhas na previsão de demanda podem provocar grandes prejuízos. Superestimar volumes gera estoques ociosos e custos extras de armazenagem. Subestimar, por outro lado, obriga a correr atrás de transporte, espaço e mão de obra de última hora — o que costuma sair caro. A solução está no compartilhamento antecipado de previsões precisas. Quando fabricantes, operadores logísticos e varejistas trocam informações em tempo real, conseguem ajustar os recursos com antecedência e transformar dados de previsão em planos operacionais executáveis. “Planejar bem o pico não é só prever vendas, é criar visibilidade para todos os elos da cadeia. Quanto mais integradas estiverem as informações, menor será o impacto de imprevistos e mais ágil será a reação”, reforça Ferraz. Armazéns preparados para o pico: flexibilidade e tecnologia Durante a alta temporada, armazéns otimizados para o volume médio frequentemente ficam 15% a 20% abaixo da capacidade necessária. O segredo é construir flexibilidade — tanto física quanto operacional — com áreas de contingência e fluxos de entrada e saída adaptáveis. Soluções de Business Intelligence e gestão de armazéns (WMS) permitem converter previsões em planos de alocação de estoque, mão de obra e transporte. Já revisões semanais (e, na reta final, diárias) ajudam a ajustar rapidamente o ritmo das operações conforme a demanda real. Ferraz exemplifica: “Vimos recentemente um fabricante que dobrou seus custos logísticos por não comunicar um aumento repentino de estoque. Em contrapartida, outra marca que compartilhou previsões detalhadas com antecedência manteve custos sob controle e entregas pontuais. É a diferença entre reagir e antecipar.” Transporte inteligente: previsões, rotas e flexibilidade No transporte, previsões precisas são igualmente vitais. Entender volumes diários e semanais, calendário de promoções e prazos de build-up de estoque permite alocar motoristas e veículos com eficiência. A flexibilidade é o ponto-chave. Recursos de contingência ajudam a absorver picos inesperados sem onerar o orçamento. Além disso, comunicação constante entre indústria e transportadores garante que ajustes de última hora não comprometam as entregas. Análises de períodos anteriores também ajudam a identificar gargalos recorrentes e otimizar rotas — um passo essencial para reduzir atrasos e fortalecer a confiança entre fornecedores e varejistas. 5 práticas essenciais para um pico sem rupturas Planeje cedo: comece o planejamento de pico meses antes, com previsões que evoluam de nível macro para semanal e diário. Compartilhe informações: mantenha parceiros logísticos, fornecedores e varejistas atualizados sobre volumes e cronogramas. Construa flexibilidade: crie planos de contingência para estoque, transporte e pessoal. Use tecnologia: transforme dados históricos e previsões em planos operacionais com BI e sistemas integrados. Revise e aprenda: após o pico, analise desempenho versus previsão e ajuste processos futuros. Mais do que eficiência: proteger a experiência do cliente A performance logística nas altas temporadas impacta diretamente a imagem da marca e a fidelização do consumidor. A ruptura de produtos estratégicos pode significar perda de vendas e de confiança, enquanto uma operação bem sincronizada aumenta o valor percebido pelo shopper. “No fim do dia, o consumidor não quer saber se o problema foi na indústria, no transporte ou na loja. Ele quer o produto disponível. E é justamente isso que o planejamento integrado garante: uma experiência fluida, mesmo em momentos de grande pressão”, conclui Ferraz.
05/11/2025
Comportamento & tendência
Como o design inteligente de lojas pode impedir furtos
Soluções de alta tecnologia, como câmeras inteligentes, sensores e sistemas baseados em inteligência artificial, têm sido apresentadas como o futuro da prevenção de perdas no varejo. Mas um novo olhar começa a ganhar força: o do design inteligente de lojas — uma abordagem mais humana e estratégica, capaz de prevenir o crime antes mesmo que ele aconteça. No Brasil, números chamam atenção. De acordo com a Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe), as perdas totais no varejo atingiram 1,36% do faturamento do setor em 2024, o que representa mais de R$ 30 bilhões. Para Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe, repensar o ambiente físico pode ser tão ou mais eficaz que investir em equipamentos de última geração. “A prevenção de perdas vai muito além da tecnologia. O design da loja, o comportamento dos colaboradores e a experiência do cliente formam um ecossistema que precisa funcionar de maneira integrada. A arquitetura pode, sim, ser uma ferramenta poderosa para inibir o furto antes que ele ocorra”, explica Santos. O poder do design sobre o comportamento A ideia vem do conceito de Crime Prevention Through Environmental Design (CPTED) — ou prevenção do crime por meio do design ambiental —, que propõe reduzir oportunidades de crime através do planejamento do espaço físico. Isso inclui desde a visibilidade das áreas da loja até o posicionamento de produtos e checkouts. Um estudo conduzido pela Universidade de Leeds, no Reino Unido, mostrou que a disposição das prateleiras, a iluminação e a linha de visão dos funcionários influenciam diretamente o comportamento dos potenciais infratores. Ladrões entrevistados no experimento relataram que câmeras e alarmes “não eram dissuasores eficazes”, mas que a sensação de serem observados por outras pessoas — funcionários ou clientes — fazia diferença. “No Brasil, ainda falamos pouco sobre o papel do design na prevenção. O varejista está habituado a pensar em segurança como sinônimo de câmeras e etiquetas eletrônicas. Mas, muitas vezes, um simples ajuste de layout, um corredor mais iluminado ou um posicionamento estratégico de produtos sensíveis já ajudam a desestimular o furto”, complementa Santos. Pequenos ajustes, grandes resultados Entre os elementos que mais contribuem para reduzir furtos estão: Layout aberto, que permite ampla visão dos funcionários sobre o salão de vendas; Espelhos estratégicos, que ampliam o campo de visão e criam uma percepção de vigilância; Caixas próximos à saída, forçando o fluxo de clientes a passar por áreas supervisionadas; Produtos de maior valor posicionados em locais de alta visibilidade; Organização e limpeza constantes, que transmitem atenção e controle. “Quando a loja está desorganizada, com prateleiras vazias ou produtos espalhados, o ambiente comunica negligência. O oposto também é verdadeiro: um espaço bem cuidado passa a mensagem de que há atenção constante”, afirma o presidente da Abrappe. Tecnologia e design: integração, não substituição Santos reforça que a tecnologia continua sendo um aliado importante, mas que o grande diferencial está na integração entre soluções digitais e boas práticas físicas. “Câmeras, sensores e IA são fundamentais para o diagnóstico e a resposta rápida. Mas elas não substituem o fator humano e o olhar estratégico sobre o ambiente. A combinação entre design inteligente e tecnologia gera uma prevenção mais completa, mais barata e muito menos invasiva.” Loja bonita, segura e acolhedora Além de reduzir perdas, o design preventivo também melhora a experiência de compra. “Quando o cliente se sente confortável e percebe que o espaço é bem cuidado, ele passa mais tempo na loja, consome mais e volta com maior frequência”, destaca Santos. “A beleza do CPTED é justamente essa: é possível reduzir o furto e, ao mesmo tempo, criar um ambiente mais agradável para quem compra e para quem trabalha. A segurança não precisa ser hostil — ela pode ser inteligente, discreta e humana.”
05/11/2025
Associados em foco
GPA registra avanço nos números e lucro no 3º trimestre de 2025
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) divulgou números animadores sobre seu desempenho recente. De acordo com os dados, o GPA encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido consolidado de R$ 137 milhões, um grande resultado frente o prejuízo de R$ 310 milhões registrado no mesmo período do ano passado. Considerando apenas as operações continuadas, o lucro alcançou R$ 145 milhões, frente à perda de R$ 252 milhões em 2024. Já o Ebitda ajustado teve crescimento de 3,4% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior, somando R$ 412 milhões. A receita líquida, por sua vez, totalizou R$ 4,556 bilhões, um avanço de 1.4 ponto percentual. Segundo o GPA, o desempenho foi alavancado pelo crescimento de 4,1% nas vendas em mesmas lojas (Same Sale Store) e pelo desempenho no e-commerce do varejo abastecedor. A despesa de capital (Capex) do 3º trimestre foi de R$ 146 milhões, uma redução de R$ 36 milhões na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. De acordo com o GPA, a queda reflete a conclusão da fase de expansão e a racionalização dos investimentos em tecnologia e reformas. "Mesmo diante de um cenário macroeconômico e concorrencial desafiadores, mantivemos a nossa margem bruta em níveis sólidos, o que demonstra a resiliência da nossa estratégia comercial, e registramos um crescimento consistente e resiliente das vendas em todas as bandeiras, com destaque para o desempenho dos negócios premium", destaca Rafael Russowsky, diretor-presidente do GPA. As vendas totais da companhia alcançaram R$ 4,9 bilhões, alta de 2,2% sobre o terceiro trimestre de 2024. Entre as bandeiras, o Pão de Açúcar apresentou crescimento de 3,5%, com destaque para o aumento da base de clientes ativos e da participação dos consumidores fiéis. Já o Extra Mercado teve incremento de 5,5% em mesmas lojas, impulsionado pelo projeto de revisão de sortimento e gestão de categorias iniciado em 2024. "Seguimos firmes na execução de um plano centrado na simplificação do negócio e no aumento da produtividade em todas as frentes. A redução de despesas operacionais e os avanços na otimização da estrutura contribuíram para um trimestre mais equilibrado e com aumento de rentabilidade", afirmou Rafael Russowsky. O resultado positivo reforça o movimento de reestruturação, de recuperação financeira e operacional do GPA, que segue consolidando sua presença no varejo supermercadista com foco em rentabilidade, inovação e eficiência operacional.
05/11/2025
Comportamento & tendência
Pesquisa da ASSERJ revela: como consumidores pretendem aproveitar a Black Friday nos supermercados
A Black Friday está se aproximando e o consumidor já está com o radar alerta para a data
04/11/2025
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