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Delivery próprio ou marketplaces? Especialista aponta caminhos e alerta para dependência de plataformas
A escolha entre operar um delivery próprio ou terceirizar por meio de marketplaces foi tema de debate no Palco Varejo & Negócios da SRE Super Rio Expofood 2026, realizada no Riocentro. A palestra foi conduzida por Rafael Ribeiro, fundador e CEO da Jotajá, que apresentou estratégias práticas para aumentar vendas e reduzir a dependência de plataformas intermediárias. Durante a apresentação, o especialista chamou atenção para um dos principais riscos do modelo baseado exclusivamente em marketplaces: a chamada “guerra de cupons”. Segundo ele, embora os descontos agressivos possam impulsionar vendas no curto prazo, o efeito no longo prazo tende a ser negativo. “Essa chuva de cupons acostuma o cliente a comprar só com desconto. É o ‘cliente cuponzeiro’, que não tem fidelidade com a marca”, afirmou. Para Ribeiro, o cenário pode levar à concentração de mercado, reduzindo a competitividade. “O perigo é, no fim dessa guerra, sobrar um ou dois players e voltarmos a um ambiente monopolizado”, alertou. Como contraponto, ele citou o modelo dos Estados Unidos, onde há maior equilíbrio entre plataformas. “Lá existem vários marketplaces fortes, o que torna a disputa mais saudável para todos — principalmente para quem vende”, disse. Estratégia multicanal é o caminho Ao longo da palestra, Ribeiro destacou que a decisão entre delivery próprio ou terceirizado não deve ser excludente, mas estratégica. Ele apresentou 12 canais de tração que podem ser utilizados por negócios de alimentação e varejo supermercadista para ampliar vendas e fortalecer a marca. Entre eles, o especialista destacou o uso de canais orgânicos como redes sociais e, principalmente, o Google. “Pouca gente explora bem o Google Meu Negócio, que é uma ferramenta gratuita e com enorme potencial. O Google tem dados e audiência suficientes para entrar forte no segmento de food”, afirmou. Outro ponto enfatizado foi a importância da mídia offline. “Panfleto ainda funciona, desde que seja feito com estratégia. Quando você acerta o público, o retorno vem”, explicou. Base de clientes é o maior ativo Ribeiro também reforçou que o maior ativo de um negócio é sua própria base de clientes. Segundo ele, investir em CRM (gestão de relacionamento) é essencial para aumentar a recorrência de pedidos. “O cliente mais fácil de vender é aquele que já comprou de você. Hoje existem ferramentas que permitem entender o comportamento de compra e ativar esse cliente de forma automatizada”, destacou. Ele citou exemplos de ações personalizadas, como envio de ofertas direcionadas por WhatsApp e campanhas segmentadas nas redes sociais, aumentando a taxa de conversão e o ticket médio. Tráfego pago exige operação estruturada O uso de tráfego pago também foi abordado como ferramenta relevante, mas com um alerta: só funciona bem quando a operação está organizada. “Se a operação é ruim, investir em tráfego pago é como jogar água em balde furado”, afirmou. Além disso, o especialista recomendou atenção na escolha de profissionais para gestão dessas campanhas. “Fazer de qualquer jeito não traz resultado. É preciso estratégia e conhecimento técnico”, pontuou. Influência local e parcerias ganham força Entre as tendências, Ribeiro destacou o crescimento do uso de nano e microinfluenciadores — perfis com forte influência local, mesmo com poucos seguidores. “Eles têm credibilidade no bairro e muitas vezes aceitam permuta. É uma estratégia de baixo custo e alto impacto”, explicou. Parcerias com negócios da região também foram apontadas como oportunidades. “Barbearias, academias, farmácias… trocar base de clientes é uma forma inteligente de crescer”, disse. O desafio da mão de obra Outro ponto crítico abordado foi a gestão de pessoas. Segundo Ribeiro, a escassez de mão de obra, especialmente entre os mais jovens, já impacta o setor e tende a se intensificar. “A geração Z tem muitas opções e não quer ficar presa a rotinas de fim de semana. O negócio que vai prosperar é aquele cujo dono tiver maior capacidade de gerir pessoas”, afirmou. Ele defendeu a criação de programas de incentivo para engajar equipes, incluindo bonificações por desempenho e participação nos resultados. “O colaborador precisa entender que, quanto mais o negócio vende, mais ele ganha também”, destacou. Caminho passa por independência gradual Por fim, Ribeiro reforçou que marketplaces continuam sendo importantes para aquisição de clientes, mas não devem ser o único canal de vendas. “Quem compra por essas plataformas não é seu cliente, é cliente do marketplace. O desafio é trazer esse consumidor para o seu canal próprio”, concluiu. A palestra evidenciou que o equilíbrio entre canais, o uso inteligente de dados e o fortalecimento da relação com o cliente são fatores decisivos para o sucesso do delivery no cenário atual — tanto para o setor de alimentação fora do lar quanto para o varejo supermercadista.
17/03/2026
Por dentro da asserj
Reforma tributária deve elevar custos no curto prazo e exigir adaptação do setor?
A reforma tributária e seus impactos diretos sobre o setor de alimentação fora do lar e o varejo supermercadista estiveram no centro dos debates no Palco Varejo & Negócios da SRE Super Rio Expofood 2026, realizada no Riocentro. A palestra reuniu especialistas para discutir os efeitos práticos das mudanças no sistema de impostos, especialmente sobre preços, custos e competitividade. O encontro foi mediado por Bruno Kazuheiro, consultor de relações institucionais da Abrasel, e contou com a participação de Marcelo Balassiano, subsecretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação da Prefeitura do Rio, e Gledon Santos, diretor geral da Aativo Advisory. Logo no início, ao responder sobre o impacto da reforma no custo de vida e nos preços, Gledon Santos foi direto: trata-se de uma “pergunta de um milhão de dólares”. Segundo ele, no cenário macroeconômico, a tendência é de aumento de custos para o consumidor. “O que se espera é uma repressificação. À medida que o governo combate a informalidade e a sonegação, parte desses custos que antes não apareciam passam a ser incorporados aos preços”, explicou. Ele ponderou que, embora nem toda sonegação esteja refletida nos valores finais, a maior formalização tende a pressionar o custo geral da economia. Apesar desse cenário, o subsecretário destacou que o impacto pode variar conforme o segmento. No caso de bares e restaurantes, por exemplo, há previsão de redução de 40% na base de cálculo para itens preparados, o que pode amenizar efeitos diretos. “Se o empresário fizer o dever de casa, o impacto sobre o produto principal tende a ser menor”, afirmou. Por outro lado, ele alertou para o efeito indireto da reforma ao longo da cadeia produtiva. “Não é só o alimento. Existe toda uma rede logística e de serviços que compõe o custo. Quando esses elos ficam mais caros, isso inevitavelmente chega ao consumidor final”, disse. Ao abordar a promessa de simplificação do sistema tributário, Balassiano reconheceu que os efeitos ainda são incertos e dependem de diferentes cenários. Ele citou, por exemplo, a realidade de estados com incentivos fiscais, onde empresas podem enfrentar aumento de carga tributária. “Para quem já tem benefício, a tendência pode ser de elevação. Já em outros casos, pode haver até alguma redução, dependendo da estrutura da empresa e das relações comerciais”, analisou. Na mesma linha, Gledon Santos destacou que o período de transição até 2033 deve ser marcado por maior complexidade. Segundo ele, a convivência entre o modelo atual e o novo sistema — com tributos como IBS e CBS — exigirá ainda mais organização por parte das empresas. “Vamos viver um cenário duplo, com duas lógicas tributárias funcionando ao mesmo tempo. Isso aumenta a burocracia no curto prazo, não tem como evitar”, afirmou. Ainda assim, ele se mostrou otimista em relação ao longo prazo: “A partir de 2033, a tendência é de simplificação. Mas é importante deixar claro: simplificar não significa, necessariamente, reduzir a carga tributária”. Gledon também ressaltou que a reforma abre espaço para oportunidades competitivas, especialmente para empresas que se prepararem melhor. “Quem fizer um bom mapeamento de fornecedores, entender sua cadeia e se adaptar mais rápido pode sair na frente. A mudança é para todos, mas nem todos vão reagir da mesma forma”, disse. Outro ponto de atenção destacado foi o impacto sobre empresas optantes pelo Simples Nacional, especialmente aquelas que operam no modelo B2B. Segundo o especialista, a possibilidade de optar pela apuração de novos tributos pode influenciar diretamente na geração de créditos para clientes, afetando a competitividade desses negócios. Além disso, ele alertou para o limite de faturamento do regime, que pode pressionar empresas ao longo do tempo. “Com a inflação, muitas empresas ultrapassam os limites não porque cresceram, mas porque repassaram custos. Se esses tetos não forem atualizados, o cenário tende a ficar mais desafiador”, explicou. A discussão reforçou que, embora a reforma tributária traga avanços estruturais, o setor de alimentação fora do lar e o varejo supermercadista precisarão de planejamento e adaptação para lidar com seus efeitos — especialmente no curto e médio prazo.
17/03/2026
Atualidades
SRE - Super Rio Expofood começa nesta terça com presença de autoridades na solenidade de abertura, posse internacional e campeão mundial no palco
Fábio Queiróz será empossado na ALAS, campeão mundial, Bebeto, abre a Convenção das Américas
16/03/2026
Por dentro da asserj
O que impressionou os supermercadistas da ALAS nas visitas aos supermercados do Rio. SRE 2026 começou!
Uma comitiva com cerca de 60 representantes da Associação das Américas de Supermercados (ALAS) visitou lojas do varejo supermercadista na cidade do Rio de Janeiro para conhecer de perto a operação brasileira, trocar experiências e identificar boas práticas que possam ser replicadas em outros países das Américas. Entre os destaques do roteiro estiveram o Guanabara do Recreio e o Mundial da Abelardo Bueno, unidades que chamaram a atenção dos visitantes pela estrutura, diversidade de produtos e dinâmica operacional. A ação dá o pontapé inicial à 36ª edição do evento. Durante a visita ao Guanabara, os participantes puderam conhecer a proposta da rede, marcada pela grande variedade de produtos e pela busca constante por diferenciação. De acordo com Suzana Ribeiro, responsável pela comunicação da rede, a diversidade de itens disponíveis nas lojas é um dos grandes atrativos do varejo supermercadista fluminense. “Esse é um dos nossos grandes diferenciais: a variedade de produtos. Hoje trabalhamos inclusive com marcas importadas e alguns itens exclusivos, como vinhos, chocolates e massas premium. Como a rede consegue trazer esses produtos diretamente, muitas vezes conseguimos oferecer preços mais competitivos”, explicou Suzana Ribeiro. Outro ponto ressaltado é o posicionamento da empresa em relação à experiência de compra. Segundo Suzana, a proposta é que o cliente veja a ida ao supermercado como algo prazeroso, e não apenas uma obrigação. “Nós queremos que o cliente tenha uma experiência completa. A ideia é que o supermercado seja quase um espaço de lazer, um local agradável para circular e descobrir novidades. Algumas unidades inclusive têm lojas e serviços que criam uma dinâmica semelhante à de um shopping dentro do mercado”, destacou. Fundada em 1950, a rede tem como propósito oferecer variedade, bom atendimento e preços acessíveis. “Nosso slogan é ‘Tudo por você’. Buscamos colocar isso em prática todos os dias, oferecendo produtos de qualidade com preços que caibam no orçamento das famílias”, completou. A visita também incluiu o Mundial da Abelardo Bueno, onde o gerente da unidade, Sérgio Rodopiano, apresentou números e detalhes da operação da loja. Segundo ele, a unidade conta com cerca de 720 colaboradores e registra vendas mensais próximas de US$ 6 milhões. Os setores de perecíveis representam 52% do faturamento da loja, enquanto os itens de mercearia respondem por 48%. Entre os principais departamentos estão laticínios, com 19% das vendas, açougue, com 17%, padaria, com 4%, peixaria e embutidos, além de outras categorias que compõem o mix da loja. Outro dado que chamou a atenção dos visitantes foi o comportamento de consumo. Em fevereiro, a unidade recebeu aproximadamente 99 mil clientes, com uma média de 3.300 por dia. Apesar de estar entre as quatro lojas da rede com menor fluxo de consumidores, ela ocupa a terceira posição em volume de vendas. “O diferencial aqui é o ticket médio. Cada cliente gasta, em média, cerca de 400 reais por compra, o maior da empresa”, explicou Rodopiano. Para ele, receber representantes de diversos países é uma oportunidade de troca e aprendizado. “Tenho 25 anos de empresa e é muito importante poder mostrar um pouco do nosso trabalho e também aprender com quem vem de fora”, afirmou. A importância das visitas técnicas O presidente da Associação Nacional de Supermercados e Autosserviços (ANSA), da Venezuela, Italo Atencio, destacou que a visita faz parte das atividades da Super Rio Expofood, considerada um dos principais eventos do setor nas Américas. “A feira é um espaço de encontro para os supermercadistas da região. Aqui podemos compartilhar boas práticas, trocar ideias e levar aprendizados para nossos países. Além disso, é uma oportunidade de conhecer o que está sendo feito no Rio de Janeiro e voltar com novas inspirações”, disse. Marlene Gonçalves, representante dos Automercados Luz e também da ANSA, reforçou a importância da troca de conhecimento proporcionada pelo evento. “Esse tipo de encontro é fundamental porque permite que profissionais do setor se conectem, compartilhem experiências e acompanhem a evolução das categorias, das marcas e das estratégias do varejo”, afirmou. Já Guillermo Rey, vice-presidente da Associação de Supermercados do Uruguai, destacou o caráter estratégico dessas visitas técnicas para o desenvolvimento do setor na região. “Estamos percorrendo supermercados do Rio de Janeiro com representantes de vários países para observar as práticas locais e identificar o que pode ser adaptado aos nossos mercados. O varejo supermercadista é um motor importante das economias latino-americanas, e essa troca fortalece todo o setor”, concluiu. As visitas fazem parte da programação paralela da Super Rio Expofood e reforçam o papel do evento como ponto de encontro para líderes do varejo supermercadista das Américas promovendo networking, aprendizado e integração entre diferentes mercados.
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