Painel traça novos rumos do marketing de experiência no SPIW

Menos tela, mais conexão: marketing de experiência aposta em relações mais humanas

Painel do Retail Talks, no SPIW, destaca nova fase do marketing de experiência, com mudança no comportamento do consumidor e valorização de conexões mais profundas

13/05/2026

Por dentro da ASSERJ
Painel traça novos rumos do marketing de experiência no SPIW

Painel traça novos rumos do marketing de experiência no SPIW

Em um cenário marcado pelo excesso de estímulos digitais, hiperconectividade e disputa constante pela atenção do consumidor, o futuro do marketing de experiência passa a exigir das marcas muito mais do que campanhas criativas. Esse foi um dos principais debates do painel “O futuro do marketing de experiência”, realizado nesta terça-feira no palco Retail Talks, durante o São Paulo Innovation Week. O espaço, um dos destaques da programação do evento, reúne discussões sobre varejo, consumo, inteligência artificial, retail media, experiência do cliente e comportamento de compra, trazendo tendências que já impactam o mercado na prática.

O painel reuniu Lu Mônaco, diretora executiva de criação da Atenas.ag, Fernanda Tchernobilsky, Co-CEO da PROS, e Heloísa Santana, presidente executiva da Associação de Marketing Promocional (AMPRO). Ao longo da conversa, as especialistas discutiram como as marcas podem construir conexões mais profundas e responsáveis com os consumidores em uma sociedade marcada pela aceleração digital, pelo imediatismo e pela necessidade constante de estímulos.

Segundo as executivas, o comportamento atual do consumidor é diretamente impactado pela dinâmica das redes sociais e pelo chamado FOMO (Fear of Missing Out), expressão usada para definir o medo de ficar de fora de experiências, tendências ou acontecimentos. O fenômeno, cada vez mais presente na sociedade, impulsiona um consumo acelerado de conteúdo e uma relação mais ansiosa com as telas. Estudos recentes apontam que os brasileiros passam, em média, mais de nove horas por dia conectados à internet, um dos maiores índices do mundo, reforçando os desafios das marcas em disputar atenção de forma relevante e saudável.

"Trouxemos uma grande reflexão que é: diante de uma sociedade que atualmente vive de FOMO, de muito ineditismo e de muita fixação nas telas, como é que as marcas podem ser responsáveis para entregar desafios de interação com alta concentração", disse Heloísa Santana.

Outro ponto central do debate foi a transformação no perfil do consumidor, especialmente entre as novas gerações, que passaram a valorizar marcas alinhadas a propósito, impacto social e responsabilidade ambiental. Mais do que preço ou conveniência, cresce a busca por empresas que demonstrem coerência entre discurso e prática, principalmente em pautas ligadas à ESG, sustentabilidade, diversidade e impacto positivo na sociedade. Nesse contexto, experiências de marca mais autênticas e humanizadas ganham força como ferramentas de aproximação e fidelização.

"As marcas têm responsabilidades em termos de entregar iniciativas com alto impacto social, incluindo ações de ESG, então temos que estar atentos em como o mercado se regula e tem trabalhado para evoluir nesse sentido", destacou Helô.

As especialistas também apontaram uma mudança importante no próprio conceito de experiência. Depois de anos marcados pela digitalização acelerada, o mercado começa a observar um movimento de valorização das interações presenciais, eventos ao vivo e ações que gerem memória afetiva e conexão emocional genuína. Para as painelistas, o consumidor está cada vez mais interessado em vivências que tragam pertencimento, troca e experiências reais, equilibrando o uso da tecnologia com momentos de desconexão das telas.

"Campanhas com alta criatividade em tecnologia, mas pouca experiência, não entregam o que o consumidor espera e deseja. Por outro lado, cases que envolvem apenas experiências em que o consumidor precisa se esforçar muito também não funcionam. A gente acredita em um futuro onde as marcas estarão cada vez mais conectadas com o comportamento da sociedade, com ações ao vivo, menos telas, menos digital, sobretudo iniciativas onde as marcas consigam conversar com seus consumidores com a cauda longa", apontou a presidente executiva da AMPRO.

Com grande participação do público, o painel reforçou que o futuro do marketing de experiência não está apenas na adoção de novas tecnologias, mas na capacidade das marcas de gerar conexões mais humanas, relevantes e memoráveis. Para o varejo supermercadista, o debate trouxe reflexões importantes sobre comportamento, propósito e relacionamento, mostrando que, em um mercado cada vez mais competitivo, criar experiências significativas pode ser tão estratégico quanto oferecer bons produtos e preços.