Governo revisa para cima projeção de crescimento do PIB em 2023

A equipe econômica do governo revisou na segunda-feira, 18/09, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% para 3,2%, de acordo com relatório do Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda.  A mudança acontece após o IBGE divulgar no início do mês um crescimento maior do que o esperado no segundo trimestre, aumento de 0,9%, contra estimativas do mercado em torno de 0,3%.

A economia cresceu fortemente no primeiro e segundo trimestres, 1,8% e 0,9% respectivamente, por isso, ainda que a economia fique estagnada no segundo semestre, já haveria um crescimento médio garantido em torno de 3% em 2023 em comparação com o ano de 2022. Para 2024, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 2,3%.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, pelas projeções do Ministério da Fazenda, a previsão para este ano se manteve em 4,85%. Para 2024, subiu de 3,3% para 3,4%. A piora para o ano que vem se deve a um aumento nas projeções para o dólar e para os preços das commodities.

A indústria e o setor de serviços devem ser beneficiados com o ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic), iniciado em agosto. Apesar da trajetória de queda da Selic, os efeitos são sentidos meses depois. É a chamada defasagem da política monetária, quando o impacto não ocorre imediatamente.

De acordo com o Boletim Macrofiscal, o retorno dos gastos mínimos com educação e saúde também devem impulsionar o componente da Administração Pública. Pelo lado da demanda, essas políticas de renegociação de dívidas e programas de transferência de renda devem impactar positivamente o consumo das famílias.

A equipe comandada por Guilherme Mello, Secretário de Política Econômica, considera um impacto potencial no setor de serviços, que foi revisado de 1,7% para 2,5%. Para este segundo semestre e para 2024, a pasta prevê efeitos positivos na redução da inadimplência e estímulo ao consumo, no caso das pessoas que ficarem com o nome limpo.

Guilherme Mello também avalia que, de forma positiva, as projeções dos agentes do mercado para o crescimento da economia brasileira têm ficado mais próximas das estimativas feitas pelo governo.

No boletim divulgado 18/09 pelo Banco Central, o mercado estimou em 2,89% o número deste ano. Há um mês, a estimativa estava em 2,29%.

 Próximos trimestres

A equipe econômica espera um crescimento de 0,1% para o terceiro trimestre. A perspectiva da Fazenda é de continuação da desaceleração do ritmo da atividade econômica desde os três primeiros meses do ano, quando houve um crescimento de 1,8%, puxado pelo setor de agronegócios.

Segundo Guilherme Mello, a economia brasileira não deve apresentar queda, e sim um crescimento um pouco menor no terceiro trimestre. “O último trimestre é tipicamente marcado por feriados festivos, com atividade grande no comércio e serviços. Eventos como Black Friday e Natal devem ser alinhados à “maior disponibilidade de renda” das famílias e, assim, impactar positivamente na economia”, disse o secretário.

 

Por Publicado em: 19 de setembro de 20230 Comentários