Diretor comercial da AGP, Antonio Perina, apresenta estudo sobre o impacto das canetas emagrecedoras no Conecta Varejo

Rio Innovation Week: como o fenômeno das canetas emagrecedoras está mudando o carrinho de compras

Estudo inédito apresentado no Conecta Varejo mostra como as canetas emagrecedoras impulsionam novas categorias, reduzem o consumo de ultraprocessados e redesenham oportunidades para os supermercados

05/08/2026

Conecta
Diretor comercial da AGP, Antonio Perina, apresenta estudo sobre o impacto das canetas emagrecedoras no Conecta Varejo

Diretor comercial da AGP, Antonio Perina, apresenta estudo sobre o impacto das canetas emagrecedoras no Conecta Varejo

Um dos fenômenos mais recentes e disruptivos do consumo atual marcou a abertura da programação desta quarta-feira (5) no Conecta Varejo, o palco da ASSERJ no Rio Innovation Week. No primeiro painel do dia, no Palco 11, o diretor comercial da AGP, Antonio Perina, apresentou um estudo inédito realizado em parceria com a Varejo 180º, revelando como a popularização das canetas emagrecedoras está alterando o comportamento nos lares brasileiros e redesenhando o dia a dia nos corredores dos supermercados.

O executivo destacou que as canetas já se consolidaram como um movimento cultural. No entanto, a verdadeira transformação ocorre no ecossistema que se forma ao redor delas, impulsionando a busca por saúde clínica e bem-estar. O levantamento, feito com 1.020 pessoas entre 18 e 70 anos, ilustra bem esse cenário: 91% dos entrevistados já percebem o crescimento do uso. Entre os adeptos, 93% relatam perda de peso, 81% mudaram a alimentação durante o tratamento e 30% notaram redução de gordura e massa muscular. Contudo, um dado acende o alerta: apenas 59% tiveram prescrição médica em algum momento.

"A caneta é uma porta de entrada para alimentação mais saudável e a prática de atividade física, sendo uma porta de entrada para uma mudança de hábitos", explicou Antonio Perina.

Aceleradoras da jornada de emagrecimento

Mais do que uma solução isolada, a leitura estratégica do painel apontou que o medicamento atua como um acelerador de uma jornada que só vira transformação real quando o consumidor adota novos hábitos. O estudo mostra que emagrecer é uma pauta ativa para 4 em cada 10 brasileiros: 40% estão tentando perder peso atualmente e 55% tentam, pretendem ou tentaram recentemente. Apenas 22% afirmam não ter interesse no tema.

"A categoria encontra um público amplo: parte está em ação, parte está em intenção e parte já viveu um processo de emagrecimento. Isso cria diferentes portas de entrada para comunicação e oferta (...) O tema emagrecimento já está instalado; a caneta entra como uma solução possível dentro de uma jornada que muitas pessoas já vivem ou desejam vivenciar", apontou o especialista.

Embora nomes como Ozempic e Mounjaro liderem o conhecimento do público, a busca por versões manipuladas e importadas mostra que o mercado já explora alternativas não tradicionais. Curiosamente, a popularidade do produto se espalha mais pela convivência do que pela experiência própria. O uso direto abrange 19% dos respondentes, mas 59% conhecem ou moram com alguém que utiliza. As redes sociais são a principal vitrine de descoberta (52%), seguidas de perto pelo convívio familiar e com amigos (50%).

Para quem considera aderir ao tratamento, o alto custo, com 25% dos usuários gastando entre R$ 500 e R$ 1.000 mensais, e o medo de efeitos colaterais são os maiores bloqueios. Já entre aqueles sem contato com o produto, o endocrinologista se mantém como a grande referência de confiança (43%).

"Como as canetas trazem resultado rápido, quem faz a dieta regular também cria essa expectativa, mas pelo resultado aparecer antes, a pessoa se vê mais disposta a realizar todo um pacote, que também envolve uma melhor alimentação e treinos. Esse é o principal benefício que os usuários das canetas emagrecedoras têm relatado e disseminado para as pessoas ao seu redor, movimentando todo o ecossistema que gira ao redor da melhoria da saúde", detalhou Perina.

A nova cesta de compras no varejo

Se o medicamento acelera o metabolismo nas clínicas, é nos corredores dos supermercados que a mudança de rotina ganha forma. A pesquisa revela que a cesta de abastecimento passa por uma readequação profunda, alterando tanto o volume quanto a qualidade dos itens levados para casa.

"Sempre ouvimos falar que as pessoas passaram a consumir menos carboidratos e mais proteínas, algo que o varejo e a indústria já sentiram, tornando uma mudança de duas pontas: tirando excessos do que está vendendo menos e aumentando a disponibilidade das categorias em crescimento entre o público, como as proteínas", destacou o diretor.

A redução na quantidade é acompanhada por uma migração natural para produtos frescos. O setor de hortifrúti é o grande beneficiado, com 55% dos usuários aumentando o consumo de saladas, frutas e verduras. As proteínas cresceram na rotina de 35% dos entrevistados, enquanto 24% passaram a optar diretamente por linhas diet, light ou zero.

"A caneta não movimenta apenas o medicamento: ela cria demanda adjacente para suplementos, alimentação, academia, nutrição, endocrinologia e estética. A categoria tem uma participação relevante e ajuda a formar opinião. A exposição indireta faz com que haja um desenvolvimento do interesse de conhecer melhor o produto", apontou o executivo.

O que sai do carrinho e o boom da suplementação

Enquanto os frescos crescem, categorias tradicionais perdem espaço. Segundo os dados, 44% dos usuários reduziram a compra de doces e sobremesas, 40% cortaram frituras e gorduras, 34% diminuíram o consumo de refrigerantes comuns e 21% reduziram a ingestão de bebidas alcoólicas.

Em contrapartida, o medo de perder massa muscular gera uma enorme janela de cross-selling (venda cruzada) para a nutrição esportiva. A pesquisa mostra que 28% incorporaram vitaminas e suplementos à rotina, 27% passaram a consumir creatina e 24% adicionaram whey protein. Os itens de conveniência também surfam essa onda: 18% buscam barras de proteína e 16% optam por bebidas proteicas prontas para consumo.

"É um território que conecta saúde, estética, treino, nutrição, proteína, dermatologia e clínicas corporais, já que as pessoas também estão procurando ajustar a parte estética, após relatarem aumento da flacidez, desejo de realizar cirurgias plásticas e radiofrequência, por exemplo", ilustrou Perina.

Controle de apetite e o impacto no checkout

As alterações farmacológicas e comportamentais impactam diretamente as áreas de *checkout* (frente de caixa) e os corredores de conveniência dos supermercados, onde a compra por impulso costuma ser mais forte. A fome geral caiu para 46% dos usuários, enquanto 30% afirmam exercer muito mais controle sobre a alimentação. A famosa "vontade de beliscar" ao longo do dia caiu para 32%, e 33% sentem menos desejo específico por doces.

"O principal efeito comportamental percebido é controlar o apetite. As pessoas exercem um maior controle sobre a alimentação, se sentindo saciadas mais facilmente. Os resultados do pós-uso geram melhora da autoestima e redução de medidas, contudo, esses fatores se deparam com um aumento de sintomas gastrointestinais e perdas corporais", explicou.

Sobre o cenário pós-tratamento, a adoção se mostra dividida: 45% dos entrevistados mantêm o uso regular, enquanto 47% interromperam ou estão parando. A boa notícia para o varejo focado em saudabilidade é que 46% conseguiram manter os bons hábitos alimentares mesmo após deixar a caneta.

"O verdadeiro valor está no ecossistema. Como a pessoa vê o resultado, ela vai treinar melhor, bem como dormir e se alimentar melhor. O principal desafio é a sustentabilidade: como manter a sustentação desses resultados", concluiu o gestor.