No palco Conecta Varejo, no Rio Innovation Week, Estevão Daudt apresenta painel sobre liderança em tempos de Inteligência Artificial

No Rio Innovation Week, neurocientista mostra como liderar equipes na era da Inteligência Artificial

Painel do Conecta Varejo apresentou como neurociência, IA e comunicação podem fortalecer a liderança, melhorar a tomada de decisões e impulsionar resultados nas empresas

06/08/2026

Conecta
No palco Conecta Varejo, no Rio Innovation Week, Estevão Daudt apresenta painel sobre liderança em tempos de Inteligência Artificial

No palco Conecta Varejo, no Rio Innovation Week, Estevão Daudt apresenta painel sobre liderança em tempos de Inteligência Artificial

Comandar uma equipe em tempos de Inteligência Artificial pode ser um grande desafio. Para lançar luz sobre o tema, o Conecta Varejo, no Rio Innovation Week, recebeu, no primeiro painel desta quinta-feira (6), o neurocientista Estevão Daudt. O especialista abriu a apresentação destacando que a IA está transformando as organizações em um ritmo mais acelerado do que a capacidade de adaptação do cérebro humano. Neste cenário, líderes que compreendem como funcionam as decisões, as emoções e a linguagem saem na frente. Segundo Daudt, a neurociência aplicada à liderança se tornou uma vantagem competitiva mensurável.

"Tem tanta coisa acontecendo que uma criança de 7 anos tem tanta informação quanto Nero quando era imperador de Roma. A IA é maravilhosa, mas também pode ser perigosa, porque começa a tirar a capacidade de percepção das pessoas. Nesse tempo de IA, estamos eliminando a possibilidade de erros, o que pode limitar a capacidade de aprendizado. Os desafios e aprendizados trazem maturidade. Por isso, é preciso ter consciência para entender qual é a raiz que não está boa e arrancá-la", pontuou o neurocientista.

Segundo Daudt, a neurociência influencia diretamente a tomada de decisões. Ele explica que 95% das escolhas acontecem no nível inconsciente, envolvendo a gestão emocional, a regulação do sistema límbico, responsável pela resiliência em cenários de alta pressão, e a neuroplasticidade, que permite aos líderes remodelarem culturas organizacionais.

A linguagem que move as pessoas

A Programação Neurolinguística (PNL) e a linguística cognitiva revelam que as palavras escolhidas por um líder reconfiguram circuitos neurais nas equipes. A comunicação deixa de ser apenas transmissão de informação para se tornar neurobiologia aplicada. Entre os fatores destacados estão a linguagem de ativação, com verbos no presente e afirmações positivas que aumentam o engajamento da equipe; a ancoragem emocional, que cria memórias mais duradouras do que dados e relatórios; e o rapport neurológico, baseado nos neurônios-espelho, que permitem a sincronização cerebral entre pessoas e fortalecem o alinhamento organizacional.

"A neurociência é importante para líderes porque estamos o tempo todo tomando decisões. A IA é maravilhosa para gerar volume, como fonte de pesquisa. Mas, se não houver atenção, ela gera o distanciamento entre as pessoas. Por trás de um comportamento ou de uma ação sempre existe uma história. Muitas vezes, as pessoas replicam um comportamento ruim que sofreram, e essa mentalidade pode ser modificada", destacou.

IA e o cérebro humano atuando juntos

Estevão Daudt destacou que a grande questão não é se a IA substituirá os humanos, mas quais capacidades do cérebro humano se tornarão ainda mais valiosas à medida que as máquinas assumem tarefas cognitivas repetitivas.

"Enquanto a IA desempenha melhor o processamento de grandes volumes de dados, o reconhecimento de padrões, a velocidade de cálculo e a execução de tarefas definidas com precisão algorítmica, o cérebro humano se destaca em ações ligadas à empatia, ética, criatividade disruptiva, liderança em ambientes de ambiguidade e construção de confiança interpessoal. Assim, líderes que entendem de neurociência usam a IA para ampliar capacidades humanas, e não para substituí-las, criando organizações mais eficazes", destacou.

O perfil do líder do futuro

Conforme apresentado no painel, o líder neuroadaptativo não apenas adota a tecnologia, mas também reconfigura sua própria mente para prosperar em ambientes de alta incerteza. Segundo Daudt, esse gestor se diferencia por combinar inteligência emocional treinada, fluência digital e capacidade de construir narrativas inspiradoras que mobilizam equipes.

Esse perfil reconhece seus próprios padrões de resposta cerebral sob estresse, utiliza uma linguagem capaz de ativar estados mentais mais produtivos na equipe e distribui tarefas entre humanos e máquinas com sabedoria estratégica.

Como ativar o potencial neural

Ao final do painel, Daudt convidou o público a pensar a liderança de dentro do cérebro para fora. Entre as recomendações, incentivou os líderes a investirem no autoconhecimento neurológico como prioridade estratégica, utilizarem a tecnologia com sabedoria para potencializar aquilo que somente o cérebro humano é capaz de fazer, liderarem a transformação como arquitetos de culturas voltadas à inovação e à adaptação, além de calibrar a linguagem, escolhendo as palavras com intenção e precisão.

"O futuro pertence aos líderes que entendem que a maior tecnologia que já existiu ainda é o cérebro humano, e que aprendem a usá-lo plenamente. Como sua equipe vai olhar para você após uma situação tensa? Essa é a visão da sua gestão que vai predominar", concluiu.