Arroz e feijão é dupla adorada pelos brasileiros e que merece atenção especial nas gôndolas dos supermercados Imagem de header interno

A força de um clássico: como destacar o arroz e o feijão nas gôndolas do supermercado

Presente no prato diário dos brasileiros, a dupla exige estratégias alinhadas entre indústria e supermercadistas para vencer a alta concorrência e manter a relevância no ponto de venda

04/11/2026

Indústria em cena
Arroz e feijão é dupla adorada pelos brasileiros e que merece atenção especial nas gôndolas dos supermercados

Arroz e feijão é dupla adorada pelos brasileiros e que merece atenção especial nas gôndolas dos supermercados

O arroz com feijão é mais do que a base da alimentação nacional: é um patrimônio cultural e afetivo na mesa de milhões de famílias. Porém, levar esse clássico diariamente ao consumidor envolve uma engrenagem complexa de mercado. Com gôndolas cada vez mais disputadas por diversas marcas, a indústria precisa ir além da tradição para se diferenciar, garantindo não apenas a presença visual nas prateleiras, mas a preferência contínua do cliente final.

Por outro lado, os supermercados enfrentam o desafio de transformar uma categoria de alto giro, mas de margens muitas vezes apertadas, em um verdadeiro motor de atratividade para a loja.

O arroz e o feijão funcionam como um termômetro de fidelidade: o consumidor que encontra sua marca de confiança com preço justo e boa exposição pode voltar a fazer toda a compra do mês naquele mesmo estabelecimento. Assim, gerenciar esse mix com eficiência é essencial para fortalecer a categoria e, consequentemente, a relação com o cliente.

Tio João é a marca mais lembrada do Brasil na categoria

Tio João é considerada a marca mais lembrada pelos brasileiros na categoria de arroz 
Para a indústria, se destacar em meio a tanta variedade pode ser um desafio, mas a Tio João tem conseguido manter sua relevância na categoria mesmo após 60 anos de história. A marca ganhou pelo sexto ano consecutivo o Prêmio Folha Top of Mind na categoria Arroz. A premiação é feita a partir da pesquisa de lembrança espontânea de marcas realizada pelo Instituto Datafolha, que identifica os nomes que vêm primeiro à cabeça dos brasileiros em diferentes segmentos.

Além do arroz, o Feijão Tio João também ficou entre as marcas vencedoras, em situação de empate técnico. Os prêmios demonstram que essa marca tradicional segue sendo a mais lembrada na categoria entre os brasileiros, mesmo em espaços amplamente ocupados pela concorrência.

Rodrigo Gross, Diretor Nacional de Vendas, Marketing e Logística da Josapar (detentora da marca Tio João), explica que o grande diferencial para sustentar essa posição é o relacionamento.

"Há mais de 60 anos na mesa dos brasileiros, Tio João construiu uma relação de confiança sustentada pela qualidade", afirma à ASSERJ. Segundo ele, pequenos detalhes fazem a diferença na hora de trabalhar esse contato próximo com o cliente.

"Manter essa relevância exige atenção contínua: ouvir o consumidor, acompanhar mudanças nos hábitos alimentares e tendências de mercado, garantir uma distribuição eficiente e entregar o padrão esperado a cada compra. A conquista pelo sexto ano consecutivo reflete uma história que trabalhamos para renovar todos os dias", complementa.

Ao mesmo tempo, conquistar a preferência do consumidor não significa que o trabalho está concluído. Na verdade, trata-se de um esforço contínuo e de longo prazo.

"A confiança conquistada pelo Arroz Tio João abriu portas para o feijão e trouxe uma responsabilidade: corresponder à expectativa que o consumidor já tem da marca. Por isso, o rigor com a qualidade é fundamental, aliado à presença no ponto de venda e à comunicação. A primeira conquista na categoria, em empate técnico, representa um avanço na construção dessa relação também com o feijão", destaca Rodrigo Gross.

Principais desafios das categorias nos últimos tempos

Apesar de ser uma dupla indispensável no dia a dia, é fundamental olhar o cenário macro para compreender as oscilações de consumo e as novas tendências de mercado. De acordo com a Embrapa Arroz e Feijão, o consumo médio per capita de arroz tem variado entre 33 kg e 34 kg por ano. No caso do feijão, a estimativa fica entre 12 kg e 14 kg.

Os números revelam uma redução em relação às décadas passadas. O pico do consumo per capita de arroz no país ocorreu em 1997, registrando 48,69 kg, enquanto o do feijão teve seu ápice em 1967, com 26,57 kg. Além disso, projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o país deve produzir menos arroz e feijão neste ano.

Para Rodrigo Gross, o principal desafio na categoria nos últimos meses é planejar o abastecimento diante das oscilações de safra, custos e consumo.

"Clima, produtividade e estoques influenciam a oferta e os preços; no arroz, o câmbio e os movimentos de importação e exportação também podem afetar o mercado brasileiro. O orçamento das famílias orienta as decisões de compra, exigindo atenção ao ritmo das vendas para evitar faltas e excessos de estoque", avalia o especialista.

Ainda que enfrente transformações no hábito de compra, a dupla mantém sua importância central na cesta de abastecimento do brasileiro. Para assegurar o giro e manter a categoria atrativa no ponto de venda, o alinhamento estratégico entre a indústria e o setor supermercadista torna-se indispensável.

Um trabalho em equipe entre indústria e varejo

Garantir que os produtos certos cheguem às prateleiras na quantidade exata requer uma sinergia contínua entre quem produz e quem vende. O canal de supermercados atua como a ponta final desse elo, transformando a demanda do consumidor em eficiência operacional. Rodrigo Gross aponta como os supermercadistas podem trabalhar em conjunto com as marcas para fortalecer o segmento.

"Compartilhando informações de vendas para definir o mix adequado a cada loja, planejar a reposição e alinhar promoções à disponibilidade dos produtos. A exposição organizada também facilita a escolha do consumidor. Na categoria de arroz, por exemplo, se faz necessário expor no varejo as diferentes gramaturas de 1, 2 e 5 kg, de maneira a tender todos os consumidores. A parceria combina nosso conhecimento dos produtos à experiência do supermercadista sobre seu público, criando oportunidades de venda e melhorando o abastecimento", analisa.

Assim, a integração fluida entre a cadeia produtiva e o varejo se confirma como o caminho para superar a oscilação de safras, proteger o poder de compra do consumidor e garantir que a dupla mais amada do país continue ocupando seu lugar de destaque em cada gôndola e em cada refeição dos brasileiros.