Genival Beserra e Estevão Daudt com os participantes do workshop

ASSERJ e ABS debatem os desafios de liderar a Geração Z no varejo supermercadista

21/05/2026

Por dentro da asserj
Genival Beserra e Estevão Daudt com os participantes do workshop

Os desafios da Geração Z no ambiente corporativo e os impactos das mudanças comportamentais no varejo supermercadista foram o centro do Conselho da ASSERJ realizado nesta quinta-feira, 21 de maio. Durante o encontro, a Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro apresentou oficialmente a parceria com a Academia Brasileira de Supermercados (ABS), iniciativa voltada para capacitação e desenvolvimento de profissionais de RH do setor. A programação contou com o workshop “Neuroconexão no varejo: liderando a Geração Z e a sinergia geracional”, conduzido pelos fundadores da ABS, Genival Beserra, presidente do Conselho Diretor da ASSERJ, e Estevão Daudt, especialista em Neurociência.

O evento funcionou como uma verdadeira “degustação” da metodologia que será aplicada pela Academia. Ao longo do encontro, os especialistas mostraram, na prática, como comunicação, propósito, inteligência emocional e liderança humanizada se tornaram fatores decisivos para retenção de talentos, redução do turnover e fortalecimento das equipes dentro do varejo supermercadista. Além das apresentações, os participantes também realizaram dinâmica em grupo e atividades voltadas para reflexão sobre comportamento, relacionamento interpessoal e os desafios atuais da gestão de pessoas. Um momento especial de café da manhã também tornou o networking ainda mais agregador.

“Entender a Geração Z deixou de ser uma tendência e se tornou uma necessidade estratégica para as empresas. Quando o RH e as lideranças aprendem a se conectar com essa geração, melhora a comunicação, fortalece o engajamento e potencializa resultados dentro da empresa", destacou Genival Beserra, executivo com mais de 50 anos de experiência no varejo.

Perfis comportamentais no ambiente de trabalho
Durante o workshop, Estevão Daudt apresentou um panorama sobre os diferentes perfis comportamentais presentes no mercado de trabalho e explicou como cada geração reage de forma distinta à liderança, aos processos e à comunicação. Segundo o especialista, 60% das pessoas possuem perfil cauteloso, precisando de mais tempo e validação para colocar novas ideias em prática. Outros 20% têm perfil resistente, adotando mudanças de forma mais lenta. Apenas 10% possuem perfil empreendedor, enquanto somente 2% são considerados inovadores, com características mais visionárias.

O debate também trouxe dados sobre o cenário atual da força de trabalho no Brasil. Segundo os especialistas, atualmente 24% da população brasileira entre 15 e 29 anos não estuda e nem trabalha, em um contexto de redução da natalidade e envelhecimento da população economicamente ativa. Para os painelistas, compreender as novas gerações se tornou essencial para reduzir afastamentos, melhorar o ambiente corporativo e fortalecer a retenção de talentos dentro das empresas.

Diferenças geracionais e adaptação ao mercado
Ao abordar as diferenças geracionais, Daudt explicou que Baby Boomers e profissionais da Geração X costumam valorizar estabilidade, hierarquia, processos e comunicação mais formal. Já as gerações Y e Z apresentam perfil mais conectado ao ambiente digital, valorizam propósito, autenticidade, flexibilidade, feedback constante e relações menos hierárquicas. O especialista apontou que a Geração Z cresceu em um cenário de informação instantânea e tende a questionar mais os processos, algo que muitas lideranças ainda encontram dificuldade para compreender.

"A Geração Z cresceu em um mundo de informação instantânea e feedback constante. Suas expectativas sobre Comunicação e desenvolvimento são muito diferentes das gerações anteriores, o que pode gerar atrito com lideranças mais experientes, acostumadas a um ritmo e formalidade distintos", apresentou Daudt. Segundo ele, “a Geração Z tem que ter uma sensação de pertencimento muito grande”.

Outro ponto fortemente debatido foi a importância do RH atuar de forma preventiva dentro das empresas. Para Daudt, o acompanhamento próximo das equipes e a receptividade aos novos colaboradores fazem diferença direta na permanência dos profissionais. Segundo o especialista, se o colaborador chega à empresa e não encontra acolhimento, orientação ou perspectiva de crescimento, a tendência é buscar alternativas que ele considera mais rápidas financeiramente, como trabalhar por aplicativos de entrega ou transporte.

"Hoje, as empresas demitem as pessoas pelo comportamento, não pela qualificação profissional. Tem muitas pessoas boas, fazendo a operação necessária. Comportamento é difícil ensinar e no final do processo, a pessoa que não é agradável não vai ser contratada, porque você sabe que ela vai dar problema. Um ambiente saudável, orientar e cuidar com carinho é fundamental", pontuou Genival.

Impactos da saúde mental no ambiente corporativo
Durante a apresentação, os especialistas também aprofundaram o debate sobre saúde mental, propósito e os impactos emocionais do ambiente corporativo. Segundo Daudt, a forma como feedbacks são conduzidos influencia diretamente a autoestima, o desempenho e até a saúde física dos colaboradores, principalmente se tratando da Geração Z. O especialista explicou que críticas feitas sem preparo podem gerar queda de performance, afastamento emocional e problemas ligados ao estresse.

"Se a gente não tiver consciência do propósito dentro do supermercado, o negócio fica muito pesado. Tem momentos que esse problema pode gerar situações complicadas. Reflita dentro desses cinco meses do ano, quantas vezes você ficou com sinusite, com alergia, com dores em outras partes do corpo. Isso tudo é um indicador da parte emocional e mental. 80% de reações alérgicas tem a ver com questões psicossomáticas. Se todos os dias, nos deparamos com essas situações, é porque tem alguma coisa que não está organizada internamente e é necessário atualizar o sistema", apontou Daudt.

Ao fim do encontro, os especialistas apresentaram dados sobre o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais e comportamentais no Brasil. Em 2024, a Previdência Social registrou 472.328 afastamentos. Já em 2025, o número subiu 15,6%, chegando a 546.254. Entre os principais motivos estão transtornos ansiosos, com 166.489 afastamentos, episódios depressivos, com 126.608 casos, e transtorno bipolar, com 60.904 registros.

"A gestão de riscos psicossomáticos é crítica e muito importante ao mesmo tempo. Saúde mental não é custo, é investimento que multiplica resultados. Empresas proativas estão dentro das conformidades da NR-1. Já empresas reativas passarão a ter um risco jurídico e financeiro muito grande a partir do dia 26 de maio, porque a multa mais baixa é no valor de R$ 4 mil, podendo chegar a R$ 60 mil se a implementação do processo não for feito e acompanhado pelas empresas", pontuou Daudt.

Encerrando o encontro, Genival Beserra reforçou a importância da parceria entre ASSERJ e ABS para ampliar o acesso do varejo supermercadista a conteúdos voltados para gestão de pessoas, neurociência e desenvolvimento humano. “Essa parceria vai engrandecer a ABS e vai trazer um conteúdo diferente para a ASSERJ, compartilhando conhecimentos do varejo e da neurociência para pessoas que ainda não tiveram essa oportunidade. Hoje foi apenas um ‘tira-gosto’ do que podemos apresentar para o varejo geral”, finalizou.