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Do algoritmo à gôndola: como a IA está revolucionando o varejo em tempo real
Debate no palco Retail Talks, no São Paulo Innovation Week, aponta como algoritmos já antecipam desejos e influenciam decisões de compra
14/05/2026
Por dentro da asserj
Algoritmos, dados e execução: como o varejo precisa competir pela atenção do consumidor digital
Durante o São Paulo Innovation Week 2026, a palestra “Sua Marca Não Compete Mais com Concorrentes, Compete com Algoritmo - Como Dados, Plataformas e Experiências Estão Redefinindo o Crescimento no Varejo”, ministrada por Lys Prol, Head of Customer Success da Wake, trouxe uma reflexão sobre como o crescimento das marcas passou a depender menos da tecnologia em si e mais da capacidade de utilizá-la de forma estratégica e eficiente. Ao longo da apresentação, a executiva destacou que o comportamento do consumidor mudou de forma definitiva e que o varejo precisa acompanhar essa transformação com rapidez, integração e inteligência baseada em dados. “A pergunta que muda o enquadramento é: sua marca compete com quem? Se você pensou no concorrente direto, já perdeu o enquadramento. Hoje, você compete com o feed, com o algoritmo de recomendação e com o próximo scroll”, afirmou Lys. A especialista ressaltou que a tecnologia deixou de ser diferencial competitivo e passou a ser um requisito básico para operação no varejo contemporâneo. Segundo ela, o desafio atual não está apenas em adotar ferramentas de inteligência artificial, mas em entender quais decisões precisam ser tomadas com mais velocidade e precisão. “O problema não é a falta de tecnologia, é a falta da pergunta certa. Não é ‘qual IA eu uso?’, mas ‘qual decisão preciso tomar mais rápido?’”, explicou. A palestra apresentou dados que reforçam a mudança de comportamento do consumidor, como a busca por integração entre canais físicos e digitais, visibilidade de estoque em tempo real e experiências omnichannel consistentes. Lys destacou que o consumidor já opera em uma lógica mais avançada do que muitas empresas conseguem acompanhar. “O consumidor já chegou no futuro. O varejo ainda está chegando”, disse. Entre os principais pontos abordados estiveram a importância da leitura contínua de dados, a velocidade na tomada de decisão e a execução consistente como fatores determinantes para o crescimento das marcas em um ambiente guiado por algoritmos. Para ilustrar esse cenário, Lys apresentou o case da Shoulder, que passou por uma migração tecnológica para melhorar sua operação digital. Antes da mudança, a empresa enfrentava problemas sistêmicos, baixa performance mobile, dificuldades de integração entre canais e queda consecutiva nas vendas digitais. Após a transformação, a marca registrou crescimento de faturamento, redução de pedidos cancelados, aumento do GMV e melhora significativa na performance digital. Segundo a executiva, os resultados vieram não apenas da tecnologia implementada, mas principalmente da capacidade operacional de utilizar os dados de forma estratégica. “O algoritmo não pune quem erra uma vez. Pune quem não aprende rápido o suficiente”, destacou. Ao encerrar a palestra, Lys reforçou que, apesar do avanço acelerado da inteligência artificial, o diferencial competitivo continua sendo humano. “Em um mercado guiado por algoritmos, são as pessoas e a execução com excelência que realmente diferenciam quem cresce”, concluiu.
14/05/2026
Por dentro da asserj
Saiba como a IA e o retail media ganham protagonismo na nova jornada do consumidor
A inteligência artificial, a hiperpersonalização e o retail media foram o centro das discussões da segunda palestra do segundo dia do palco Retail Talks do São Paulo Innovation Week. Com o tema “IA, Hiperpersonalização e Retail Media – Como Criar Experiência e Lealdade”, o painel reuniu Alberto Serrentino e Eduardo de Almeida Salles Terra, com mediação de Priscila Ariani. Na ocasião, os especialistas discutiram como a inteligência artificial está remodelando o varejo em diversas frentes, desde a otimização operacional até a personalização da jornada de compra. Durante o painel, Alberto Serrentino destacou que a IA deve provocar uma das maiores transformações da história do setor. “A agenda de IA é complexa, ela é muito desafiadora, vai ser provavelmente o elemento de maior impacto na história do varejo, vai provocar mudanças importantes nas jornadas dos clientes e vai obrigar o varejo a mergulhar nisso e ter uma estratégia”, afirmou. O especialista ressaltou que, apesar das oportunidades, o setor ainda vive um estágio inicial de maturação tecnológica e cultural. Para ele, o sucesso da implementação depende de organização de dados, governança e pragmatismo na definição de prioridades. “Você precisa trabalhar alguns requisitos fundamentais. Os dados são essenciais. A empresa tem que estar com as bases de dados centralizadas, organizadas, atualizadas, protegidas e padronizadas, acessíveis para que os modelos e agentes possam rodar”, explicou Serrentino. Outro tema central da palestra foi a transformação da jornada digital de consumo. De acordo com o executivo, o varejo caminha para um modelo muito mais conversacional e contextual, impulsionado por plataformas de IA e agentes inteligentes. “O AI e-commerce é uma agenda que vai desafiar muito o varejo, porque nós vamos viver uma mudança importante nas jornadas digitais. Durante toda a evolução do e-commerce, elas foram baseadas em catálogo e busca. Agora vamos para jornadas cada vez mais de contexto, descoberta e diálogo”, destacou Serrentino. A hiperpersonalização também foi apontada como uma das principais oportunidades para ampliar relacionamento e lealdade. Segundo Serrentino, a inteligência artificial permitirá que o varejo personalize experiências em escala, com recomendações cada vez mais precisas e individualizadas. “O tema da personalização está conectado a isso. Nós vamos finalmente poder destravar o potencial de personalizar em escala. Nas plataformas conversacionais você tem uma personalização individualizada, porque o diálogo ensina os modelos de agentes as preferências dos clientes”, afirmou. Além da experiência do consumidor, o painel discutiu o avanço do retail media como nova frente de monetização para o varejo. Na visão de Serrentino, a estratégia ganha relevância especialmente em segmentos multimarca, como o varejo supermercadista, farma, eletro e materiais de construção. “O retail media é uma agenda emergente importante, porque o varejo sempre foi um negócio de margens baixas e vem sendo muito pressionado pela intensificação da competição e pelo crescimento da penetração digital”, explicou Serrentino. O executivo ressaltou ainda que a monetização passa diretamente pela capacidade de utilizar ativos estratégicos, como lojas, plataformas digitais e dados de clientes. “Isso permite gerar receita incremental, capturar novas fontes de margem e resultado, principalmente com os fornecedores, mas pressupõe preparação da empresa, automação e estruturação”, completou. Outro destaque do debate foi a relevância da loja física em um ambiente cada vez mais digitalizado. Para Serrentino, as unidades continuam sendo ativos estratégicos e devem assumir funções ainda mais amplas dentro do varejo moderno. “A loja não deixa de ser um ativo relevante e estratégico para o varejo. Ela está se transformando em um hub logístico, de serviços, de experiências e de conexão com clientes”, afirmou. A programação também aprofundou discussões sobre IA operacional versus IA de experiência, programas de fidelidade, hipersegmentação, comércio agêntico e os principais desafios enfrentados pelos varejistas diante da aceleração tecnológica. Entre as reflexões propostas esteve a necessidade de separar investimentos estruturais em tecnologia de movimentos motivados apenas por tendências passageiras. Durante o painel, os especialistas também discutiram como o varejo pode usar inteligência de dados para construir estratégias de lealdade mais eficientes e relevantes. Como resumiu Alberto Serrentino, “entender a jornada só é possível pelos dados”. Já Eduardo Terra destacou a mudança de lógica provocada pela tecnologia na relação entre consumidores e marcas: “Por séculos, pessoas buscaram produtos. Hoje, produtos buscam pessoas.”
14/05/2026
Por dentro da asserj
Como grandes marcas mantêm vínculo emocional com consumidores
As marcas que conseguem atravessar gerações sem perder relevância estiveram no centro da primeira palestra do segundo dia do palco Retail Talks do São Paulo Innovation Week. Com o tema “Loved Brands”, o painel reuniu Eduardo Rebola, Daniela Lupo e mediação de Geovana Pagel para discutir como marcas tradicionais conseguem manter conexão emocional com os consumidores em um cenário de transformação constante. Durante a conversa, Daniela Lupo destacou o legado construído pela marca ao longo de mais de um século de atuação e a importância de continuar relevante diante das mudanças de comportamento e consumo. “São 105 anos de indústria e varejo, e com isso a gente faz parte de quase toda a família brasileira. Tem algum item da Lupo na memória afetiva das pessoas, nos pés das pessoas”, afirmou. A executiva relembrou que, durante 75 anos, a empresa atuou exclusivamente no segmento de meias e, posteriormente, expandiu seu portfólio para outras categorias. Segundo ela, o grande desafio da marca é equilibrar tradição, inovação e comunicação. “Nosso maior desafio, sem dúvida nenhuma, é se manter relevante, dialogando com o futuro, com tecnologia e inovação nos produtos e também na forma como comunicamos tudo isso”, destacou. Daniela também ressaltou a abrangência da operação da marca no Brasil, presente em diferentes perfis de consumo e canais de venda. “São 35 mil pontos de venda no Brasil, desde um shopping center sofisticado até uma loja no interior do Brasil, na esquina do seu João. Essa característica construída ao longo desses 100 anos faz com que a gente seja considerada uma marca amada”, disse. Representando o Grupo Boticário, Eduardo Rebola destacou que a construção de uma marca forte passa diretamente pelo alinhamento entre propósito, responsabilidade social e relacionamento com o consumidor. “Nossas essências, assim como nosso propósito, são orientados pelo respeito às pessoas, ao meio ambiente e aos Direitos Humanos”, afirmou. Segundo o executivo, a atuação da companhia é guiada por princípios que unem desenvolvimento de negócios, sustentabilidade e impacto social. “Pautamos nossa atuação, incluindo campanhas de comunicação e marketing, por diretrizes éticas, beneficiando causas socialmente responsáveis ou ambientais”, explicou. Eduardo também ressaltou que acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor é essencial para manter a relevância da marca ao longo do tempo. “A nossa história, enquanto Grupo Boticário, sempre foi pautada pelas mudanças e, principalmente, pelas necessidades do nosso consumidor. O nosso jeito de comprar, de trabalhar e de viver muda e evolui a todo o momento”, destacou. Para ele, apesar das constantes transformações do mercado, os pilares da companhia seguem os mesmos. “O que se mantém são os pilares nos quais acreditamos desde sempre: nosso propósito e as nossas essências”, completou.
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