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Carne bovina entra em 2026 com preços estáveis ou voláteis?

21/01/2026

Economia
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Os preços da carne bovina, tanto no mercado internacional quanto no mercado doméstico, devem permanecer próximos da estabilidade ao longo de 2026, cenário que traz maior previsibilidade para o varejo supermercadista na gestão de custos, negociação com fornecedores e definição de estratégias comerciais. A avaliação é de Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Mesmo diante das salvaguardas impostas pela China a exportadores de carne bovina, incluindo o Brasil, a entidade segue observando um aumento consistente da demanda global por proteína animal. Esse movimento é impulsionado, segundo Perosa, pelo crescimento econômico de países asiáticos e também pela disseminação de medicamentos contra a obesidade, que estimulam dietas com maior consumo de proteínas.

Demanda externa sustenta preços e reduz volatilidade

Na visão da Abiec, a redução do volume exportado para a China não deve, necessariamente, impactar negativamente a receita do setor. “Quando o governo chinês determina cotas de importação sem tarifas, os importadores costumam acelerar as compras para garantir abastecimento”, explica Perosa. Segundo o executivo, no último mês já foi possível observar aumento nos preços pagos pelos compradores chineses.

Outro fator relevante para o equilíbrio do mercado é a restrição de oferta de gado nos Estados Unidos, que tende a ampliar a demanda pela carne bovina brasileira. Em 2025, o Brasil exportou 271 mil toneladas para o mercado americano. Para 2026, a expectativa é de que esse volume se aproxime de 400 mil toneladas.

Além disso, países do Sudeste Asiático, como o Vietnã, devem ampliar e diversificar suas compras, incluindo novos cortes. A Indonésia também surge como um destino estratégico. De acordo com Perosa, o país deve habilitar nos próximos dias mais 18 plantas frigoríficas brasileiras para exportação de carne bovina. Desde a abertura do mercado, no ano passado, mais de 30 unidades já foram habilitadas.

Oferta equilibrada favorece abastecimento interno

Do lado da produção, o cenário também é considerado positivo. A Abiec projeta que o Brasil deve abater cerca de 40 milhões de cabeças de gado em 2026, volume semelhante ao registrado no ano anterior. A produção total pode variar entre 1% acima ou abaixo de 2025, a depender do comportamento dos mercados consumidores.

“Estamos num momento positivo porque temos produção local estabilizada e um déficit global de produção, o que nos traz mais oportunidades”, afirma Perosa. Para o varejo supermercadista, esse equilíbrio tende a favorecer o abastecimento regular e reduzir riscos de oscilações bruscas de preços ao longo do ano.

Consumo interno no radar do varejo

No mercado doméstico, a Abiec também não enxerga espaço para grandes variações de preços. Segundo Perosa, fatores conjunturais podem estimular o consumo interno. “Teremos um ano atípico, ano eleitoral, com estímulo ao consumo. Deve haver aumento do consumo interno”, avalia.

Para o varejo supermercadista, o cenário sinaliza um ambiente mais favorável ao planejamento promocional, à gestão de categorias de proteínas e à construção de estratégias de margem, especialmente em um contexto de demanda aquecida e maior previsibilidade nos custos da carne bovina.